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Betha e Happy Face oferecem oficinas gratuitas de IA para adolescentes com altas habilidades

Projeto GIFT tem duração de três meses e utiliza tecnologia para desenvolver soluções para problemas reais de Criciúma

Por Gabrielle Rebelo 11/09/2026 - 14:19 Atualizado há meio minuto
Projeto-piloto teve início em setembro e terá duração de três meses | Foto: Arquivo/4oito
Projeto-piloto teve início em setembro e terá duração de três meses | Foto: Arquivo/4oito

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Adolescentes com altas habilidades ou superdotação participam, em Criciúma, de uma iniciativa que une tecnologia, e desafios reais da cidade. O Projeto GIFT, desenvolvido pela OSC Happy Face em parceria com a Betha Sistemas e a Amazon Web Services (AWS), oferece oficinas gratuitas voltadas ao desenvolvimento de habilidades e à criação de soluções tecnológicas.

O projeto-piloto teve início em setembro e terá duração de três meses, com atividades realizadas na sede da Betha Sistemas. A proposta é permitir que os adolescentes utilizem seus diferentes potenciais em um ambiente de aprendizagem prática, trabalhando em equipe e tendo contato com metodologias ágeis, inteligência artificial e serviços de computação em nuvem.

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Segundo a presidente da Happy Face, Ana Luz, o projeto surgiu a partir de uma demanda identificada pela organização no atendimento a crianças e adolescentes com altas habilidades.

Segundo ela, o nome GIFT foi escolhido justamente pela dificuldade de encontrar, em português, uma palavra que representasse as características identificadas nos participantes.

Ana destaca que ainda existe falta de compreensão sobre o que significa ter altas habilidades. “Muita gente acha que ele é superdotado, então está tudo certo com ele, ele é maravilhoso, ele vai bem na escola, ele vai dar certo. E infelizmente não é isso que acontece na prática”, afirma.

Tecnologia aplicada a problemas reais

Participantes irão estudar formas de utilizar tecnologia e inteligência artificial para desenvolver possíveis soluções | Foto: Gov/4oito

A proposta das oficinas é ir além do aprendizado teórico. Como parte da jornada, os adolescentes já realizaram uma visita à Prefeitura de Criciúma, onde conheceram a estrutura da administração municipal e identificaram problemas enfrentados pelas secretarias.

A partir desse diagnóstico, os participantes irão estudar formas de utilizar tecnologia e inteligência artificial para desenvolver possíveis soluções. As propostas serão apresentadas ao final do projeto para representantes da Betha, Happy Face, AWS e convidados.

A coordenadora de Gestão e Performance da Betha Sistemas, Marina Rabelo, explica que a metodologia foi pensada para contemplar os diferentes perfis dos adolescentes.

“Nós não queríamos que fosse algo com uma metodologia rígida para que eles pudessem ter a liberdade de colocar as altas habilidades deles”, afirma.

Segundo Marina, há participantes com maior facilidade em áreas lógicas e outros com características mais voltadas às áreas humanas.

A ideia, segundo ela, é também contribuir para que os adolescentes se reconheçam como cidadãos. “Esse projeto foi montado pensando para que eles se descobrissem enquanto cidadãos”, destaca.

Altas habilidades vão além da tecnologia

Convivência entre os participantes também tem sido apontada como um dos resultados observados | Foto: Gov/4oito

Durante a entrevista, elas também ressaltaram que altas habilidades não estão necessariamente relacionadas à programação, matemática ou outras áreas tradicionalmente associadas à superdotação.

Ana cita ainda perfis ligados à criatividade e às áreas humanas. No projeto, os diferentes interesses são utilizados de forma complementar durante as atividades: "São muito criativos, uma criatividade incrível, voltada para as questões das artes ou, das humanas", conta. 

A convivência entre os participantes também tem sido apontada como um dos resultados observados durante as oficinas. De acordo com Marina, os adolescentes demonstram uma interação diferente quando estão entre pares.

“É muito incrível quando a gente vê eles juntos. Os pais estavam encantados, porque estavam vendo seus filhos totalmente conectados com os outros”, relata.

O Projeto GIFT, segundo as representantes, não estabelece restrição relacionada ao tipo de escola ou à condição financeira dos participantes. O principal requisito é ter o diagnóstico de altas habilidades e disponibilidade para participar das atividades nos horários definidos.

Projeto-piloto deve continuar

A primeira edição foi estruturada para durar até meados de novembro. A expectativa das instituições é retomar a iniciativa no próximo ano. As atividades começaram em setembro e seguem até meados de novembro, considerando também o calendário escolar dos participantes.

Além da parceria com a Betha, a Happy Face mantém outras oficinas voltadas ao público com altas habilidades, incluindo atividades de xadrez, inglês, robótica, escrita criativa e artes. A organização também trabalha com acolhimento às famílias e identificação dos participantes.

Com a iniciativa, a proposta é aproximar adolescentes com diferentes talentos da tecnologia e, ao mesmo tempo, criar oportunidades para que essas habilidades sejam aplicadas em situações concretas da comunidade.

Ouça a entrevista: 

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