Em celebração aos 30 anos do curso de Direito da Unesc, a universidade recebeu uma palestra do desembargador Rubens Schulz noite desta quarta-feira (9), no Auditório Ruy Hülse. Além de desembargador, Schulz é presidente do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), desde que tomou posse em fevereiro, com mandato até 2028.
O encontro, nomeado como "Os desafios no Poder Judiciário no Século XXI", era voltado aos estudantes do curso e aberta ao público geral. A conferência valia horas complementares para os acadêmicos dos cursos da área.
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No encontro, estiveram presentes diversas autoridades jurídicas de Criciúma e de Santa Catarina, como o Dr. Moacyr Jardim de Menezes Neto (Presidente OAB Criciúma); Dr. Sérgio Renato Domingos (juiz de direito); Rafael Búrigo Serafim (controlador-geral da OAB SC); Janaina Alfredo da Rosa (vice-presidente da OAB Criciúma); Janice Goulart Garcia Ubialli (desembargadora do TJSC), além da coordenadora do curso de direito da Unesc, Márcia Piazza, e a reitora em exercício, Gisele Coelho Lopes.
Palestra abordou a modernização do magistério
Para mais de 400 estudantes, que lotaram o Auditório Ruy Hülse, Schulz iniciou a palestra por volta das 20h30. Inicialmente, ele destacou o aumento no número de processos que chegam ao Judiciário catarinense. Segundo os dados apresentados pelo presidente do TJSC, foram cerca de 1,4 milhão de novos processos em 2025 e mais de 880 mil apenas no primeiro semestre deste ano.
A partir desse cenário, o desembargador defendeu a necessidade de repensar a estrutura e o funcionamento do sistema de Justiça. Segundo Schulz, o modelo de simplesmente ampliar o número de magistrados, servidores e estruturas físicas para acompanhar o crescimento da demanda não é sustentável diante dos custos envolvidos.
“O sistema de Justiça acaba se inchando, inchando, inchando e inchando, em termos de servidores, em termos de magistrados, de estrutura física. E isso tem um custo enorme. E nós vamos chegando num ponto em que não há dinheiro que pague tudo isso”, reflete.
Schulz também utilizou a própria trajetória de mais de três décadas na magistratura para mostrar as transformações pelas quais o Judiciário passou. Quando ingressou na carreira, em 1992, os processos eram físicos e os despachos, manuscritos. Com a digitalização, o cenário mudou completamente, e atualmente Santa Catarina possui 100% dos processos em formato eletrônico.
A mudança, segundo o desembargador, não terminou com a digitalização. Audiências e sessões virtuais passaram a fazer parte da rotina do Judiciário, enquanto a inteligência artificial surge como uma nova transformação capaz de alterar a forma como os profissionais trabalham. Para ele, os futuros integrantes do sistema de Justiça precisarão estar preparados para um ambiente de mudanças cada vez mais rápidas.
Ao projetar o futuro, Schulz também chamou atenção para o risco da chamada “obsolescência institucional”, quando uma instituição permanece atuante, mas deixa de ter utilidade social por não acompanhar as transformações da sociedade. “Quando uma instituição, apesar de atuante na sociedade, pelo que ela faz e como ela faz, é considerada obsoleta, ela deixa de ter utilidade social”, explicou.
Para o presidente do TJSC, discutir o futuro do Judiciário também significa olhar para as pessoas que fazem parte dele. Entre os desafios apontados durante a palestra esteve a saúde mental dos profissionais, em um contexto de aumento da produtividade e de incorporação de novas tecnologias. Schulz defendeu que eficiência e bem-estar não sejam tratados como objetivos opostos.
Quem é Rubens Schulz?
Natural de Joinville, Rubens Schulz é graduado em Direito pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) e pós-graduado em Processo Civil pela Universidade do Contestado. Sua trajetória na magistratura catarinense começou em 1992, quando ingressou no Judiciário de Santa Catarina.
Nos primeiros anos de carreira, atuou como juiz de direito em diferentes regiões do Estado. Schulz passou pelas comarcas de São José do Cedro, Xanxerê, Chapecó e Blumenau, além da comarca da Capital. A experiência em diferentes cidades marcou a primeira etapa de sua atuação na Justiça catarinense.
Em 2013, passou a atuar como juiz de direito de 2º grau e, quatro anos depois, em 2017, foi promovido ao cargo de desembargador do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC). Desde então, integrou a administração e diferentes frentes de atuação da Corte, chegando a exercer a função de corregedor-geral do Foro Extrajudicial no biênio 2022/2024.
Em dezembro de 2025, Schulz foi eleito pelo Tribunal Pleno para presidir o TJSC no biênio 2026/2028. Ele tomou posse em fevereiro de 2026, assumindo o comando do Judiciário catarinense para um período marcado, segundo o próprio presidente, pela busca de eficiência, inovação tecnológica, valorização das pessoas e diálogo dentro da instituição.
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