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ACTs e concursos: pais e mães de alunos protestam na prefeitura

Sindicato denuncia que professores sofreram assédio moral da Administração Municipal após protesto na semana passada
Heitor Araujo
Por Heitor Araujo Criciúma - SC, 20/11/2019 - 18:36Atualizado em 20/11/2019 - 18:41
Fotos: Heitor Araujo / 4oito
Fotos: Heitor Araujo / 4oito

Professores e pais de alunos de escolas municipais manifestaram-se na tarde desta quarta-feira, 20, na prefeitura de Criciúma. A reivindicação segue sendo a contratação de um concurso público do executivo para o cargo de professores efetivos no município. O vice-prefeito Ricardo Fabris recebeu uma comissão dos manifestantes em seu gabinete, para uma conversa de mais de meia hora de duração.

Professores ACTs continuam com reclamando da cláusula quarentena, que proíbe aos profissionais prestarem novo processo seletivo para vagas temporárias. O Ministério Público já indicou que poderia haver a quebra dessa cláusula, caso o município se comprometesse a definir uma data para o concurso de efetivos, o que não acontece.

Assim, cerca de 25 professores temporários e 25 pais e mães de alunos estiveram no Paço Municipal. “Se não tem protesto, não tem como resolver. O prefeito simplesmente toma a atitude que ele quer tomar, como vem acontecendo. Com o pessoal junto aqui, ele vai ter que tomar uma solução. Ele puxou o tapete dos professores, muita gente que tem compromisso pra cumprir vai ficar sem emprego. Não tem como ficar assim”, manifestou Enedir João, pai de um aluno e marido de uma professora da rede municipal.

“Quando ele tomou essa solução da quarentena, o pessoal ficou apavorado. Agora estamos todos juntos, para resolver isso. É um ato para alunos e professores, de maneira geral. Os alunos precisam da continuidade do professor. Ele tem que cumprir a lei que ele não cumpriu (em relação ao concurso para efetivos)”, acrescentou Enedir.

Manifestantes entraram no Paço Municipal em direção ao gabinete do prefeito

Encontro com o vice-prefeito

Os manifestantes pararam em frente ao gabinete do prefeito e pediram para conversar com algum representante do executivo. O prefeito Clésio Salvaro estava cumprindo agenda em Florianópolis, mas o vice-prefeito Ricardo Fabris aceitou conversar com uma comissão composta por algumas mães e pais de alunos e um professor, além da presença da presidente do Siserp, Jucélia Vargas. 

O encontro, de portas fechadas, durou cerca de 40 minutos. Os manifestantes colocaram em pauta as queixas contra a quarentena e a falta de concurso público para professores efetivos. “Ele não deu nenhuma resposta, ele disse que vai passar para o prefeito e para a Roseli (Pizzolo, secretária de Eduação). Só que ele não tem nenhuma resposta, ele disse que ia ajudar, mas nada concreto. Nada de esperança, como a gente já imaginava”, falou Ana Paula, também mãe de um aluno e que esteve no gabinete do vice-prefeito.

Ricardo Fabris não quis falar com a reportagem. Limitou-se a dizer que foi uma conversa educada com os pais e mães e que vai levar as reivindicações para a secretaria de Educação.

O vice-prefeito Ricardo Fabris reuniu-se com uma comissão de pais, mães e professores

Retaliação

Depois do último protesto na prefeitura, na semana passada, o Siserp denunciou que a prefeitura fez “assédio moral” contra os professores que participaram da manifestação. O vice-presidente do sindicato, Reginaldo Bernardo, esteve na terça-feira na Câmara de Vereadores para fazer essa denúncia aos vereadores. Nesta quarta-feira, ele esteve na prefeitura e conversou com a reportagem.

“Ao invés do governo procurar uma solução para a situação dos professores que estão em luta pelo direito deles, o governo perde tempo em determinar que o setor pessoal da prefeitura ligue para as diretorias de escolas e peça os nomes dos professores que participaram das manifestações”, denunciou Reginaldo.

Segundo o vice-presidente do sindicato, essa postura tem sido recorrente na administração municipal. “A gente não sabe para que foram essas ligações, se para fazer desconto ou alguma outra situação. Não tem outra palavra que não seja assédio moral isso que aconteceu. Essa administração tem lidado dessa forma toda vez que há um movimento de cobrança de alguma coisa, a forma é reprimir e amedrontar”, acrescentou

O sindicato afirma que se continuar essa perseguição aos professores, as escolas podem parar. “Não vai ser só os professores ACTs, vai ser toda a educação de Criciúma”, finalizou Reginaldo.