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Posso ser infectado novamente, doutor?

Por Renato Matos 24/11/2020 - 14:44Atualizado em 24/11/2020 - 14:51

Alguns vírus geram imunidade por toda a vida. Outros, como o da influenza, apenas por alguns meses. “Mais pessoas estão tendo Covid-19 duas vezes, sugerindo que em alguns a imunidade declina rapidamente” é o título de um artigo publicado recentemente na Science.

Para ser considerado reinfectado, o paciente deve apresentar dois testes de PCR positivos com pelo menos 30 dias livres de sintomas entre eles. Mais exigentes, alguns cientistas só concordam que houve reinfecção quando houver sequenciamento genético e a segunda amostra apresentar algumas diferenças em relação à amostra original. 

Considerando o atraso entre o envio do artigo, revisão dos pares e publicação (18 de novembro), o artigo da Science relata 50 casos na Holanda, 95 no Brasil, 250 na Suécia, 285 no México e 243 casos no Qatar. Números com tendência de alta, já que a percepção é de que na infecção pelo Covid-19 a imunidade seja temporária.

Lia van der Hoek, líder de um grupo de virologistas da Universidade de Amsterdã, mostrou recentemente que a imunidade gerada pelos 4 coronavírus “antigos”, que causam resfriados comuns, se perde em torno de 12 meses. Segundo a cientista, essa é “uma má notícia para aqueles que ainda acreditam em imunidade de rebanho gerada por infecções naturais”. Esses dados também podem sinalizar o tempo de validade para as vacinas.

A imunidade contra uma infecção não depende apenas dos anticorpos. Outras células, como as de memória tipo B, células T e, principalmente, os anticorpos neutralizantes, parecem permanecer estáveis por pelo menos 6 meses após a infecção pelo coronavírus que gera a Covid-19. Buscando na história, há relatos de casos de SARS e MERS, as duas formas anteriores graves de infecções pelo coronavírus, nos quais a imunidade persistiu por até 2 anos.

Habitualmente, quadros mais graves geram respostas imunológicas mais vigorosas e persistentes, mas há pacientes que apresentaram quadros muito graves e que saem com poucos anticorpos - como se tivessem consumido parte de suas células de defesa. A gravidade da segunda infecção também não é uniforme: dos quadros relatados alguns são mais leves, outros muito mais severos. Como são testados somente os indivíduos que voltam a apresentar sintomas, não sabemos qual a incidência de casos de reinfecção assintomáticos.

Alguns cientistas se preocupam se poderia ocorrer na infecção por coronavírus o que acontece na dengue: uma segunda infecção, por um tipo mutante, ainda na presença de anticorpos da primeira infecção, torna o quadro mais grave, algumas vezes fatal. Em se tratando de coronavírus, ainda há muitas incertezas. Após ser infectado, seja esperto: mantenha os cuidados.

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