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O calor, o Covid e o nosso ar condicionado

Por Renato Matos 03/11/2020 - 10:27Atualizado em 03/11/2020 - 10:28

Para entendermos, devemos recordar as formas de transmissão do coronavírus.

Além dos fômites - objetos ou superfícies capazes de absorver, reter e transportar organismos infecciosos (menos importantes do que inicialmente considerados) - a via aérea é a forma tradicional de transmissão.

A principal se dá através de gotículas eliminadas durante a fala, tosse, espirros, ou até mesmo em situações em que a respiração se faz mais pronunciada, como em exercícios vigorosos ou canto. O vírus é compartilhado entre pessoas próximas, sendo 6 pés (pouco mais de 1,80 m) o número mágico dos norte-americanos.

A transmissão por aerossóis (partículas muito menores que as gotículas), inicialmente negada por algumas entidades, agora parece consolidada, mais ainda em ambientes fechados.

A importância dessa distinção é que os aerossóis, ao contrário das gotículas, podem permanecer horas em suspensão – e alcançar distâncias maiores. 

Entra agora o nosso ar-condicionado, que já tornamos essencial nos meses de verão.

Existem diversas formas de resfriamento do ambiente.

Tentei entender apenas o ar-condicionado convencional, geralmente tipo split, que usamos em nossas casas ou escritórios. Nesses sistemas, o ar presente no ambiente é aspirado, resfriado, filtrado e posteriormente re-ejetado no cômodo, sem que haja trocas com o ar externo. Importante salientar que essa filtração, eficaz para partículas maiores, não consegue reter o Covid-19.

Esse ar resfriado, voltando sob pressão, pode alcançar diversas pessoas que compartilham o mesmo espaço. 

Para que esses aparelhos convencionais possam captar o desejado, e supostamente puro, ar exterior, são necessárias adaptações mecânicas – nem sempre possíveis e geralmente caras.  Não conseguimos simplesmente mudar essa configuração no controle remoto. O princípio vale também para os carros, com a vantagem de aqui podermos ajustar o modo de ventilação, no próprio painel do veículo.

Em sistemas de ar-condicionado central (que podem ser ajustados para trocas com o ar exterior), esse modo de recirculação é ainda mais perigoso, pois poderá levar o vírus para diferentes ambientes.

Resumindo:

Na sua casa, com sua família, desde que ninguém esteja com suspeita de infecção, o ar-condicionado convencional pode ser usado sem problemas.

Em locais onde circulam diversas pessoas, como escritórios ou pequenos negócios, sempre buscar aumentar a ventilação, mantendo o máximo de janelas – e se possíveis portas – abertas. Mesmo com o ar-condicionado ligado.

Orientações semelhantes são válidas para o uso de ventiladores – os cômodos devem ser bem ventilados, permitindo trocas com o ar externo.

Para avaliação de modelos mais sofisticados, consulte engenheiros e técnicos especializados.

Mas sempre evitando o modo recircular.

4oito

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