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Lábios soltos

Por Renato Matos 30/03/2021 - 07:59Atualizado em 30/03/2021 - 08:03

Na semana passada, quando estávamos batendo todos os recordes negativos em relação à pandemia, duas manifestações chamaram à atenção.

Numa delas, Osmar Terra, médico pediatra e deputado de sexto mandato pelo Rio Grande do Sul, postou no seu Twitter: “Como previmos no dia 14 de março, desde 18/3 começaram cair casos de Covid no R. G. do Sul”. 

O deputado já havia ganhado notoriedade ao afirmar, lá no início da pandemia, que o número de mortes pelo coronavírus seria inferior ao causado pela H1N1 em 2009: 2100 brasileiros.

Na tarde do sábado passado (27), o painel da Secretaria Municipal da Saúde de Porto Alegre indicava 1.147 pessoas em UTI na capital, para 995 leitos em funcionamento – lotação de 115%.  

O caso mais preocupante era o do Hospital Moinhos de Vento, reconhecidamente um dos melhores hospitais do país: superlotação de 160%.

É bom lembrar que sobrecarga na área de saúde significa improvisação, com todos os riscos associados.

A outra declaração foi de Onix Lorenzoni, deputado de quinto mandato pelo RS e atual ministro da Secretaria Geral da Presidência da República.

 Médico veterinário, não é um leigo na área de saúde – pelo menos animal.

Pois bem, ao tentar justificar a ineficiência de medidas de confinamento, em entrevista à Rádio Jovem Pan, saiu-se com essa frase que ficará na triste história da pandemia, deixando evidente seu total desconhecimento das regras de contágio:

"E por que ela é ineficiente? Alguém consegue impedir nas áreas urbanas que o passarinho, o cão de rua, o gato, o rato, a pulga, a formiga, o inseto se locomovam? Alguém consegue fazer o lockdown dos insetos? É óbvio que não. E todos eles transportam o vírus. Não são contaminados pelo vírus, mas podem transportar o vírus”.

Essas declarações me lembraram dos cartazes utilizados na segunda guerra mundial pelos países em conflito.

O objetivo era evitar que informações irresponsáveis minassem os esforços da população e desviassem o foco da guerra. 

As fake news da época.

Os norte-americanos usavam “Loose lips might sink ships” (“Lábios soltos afundam navios”).

O análogo britânico era a frase “Careless talk costs lives” (“Falas descuidadas custam vidas”).

Até mesmo a Alemanha possuía sua versão: “Schäm Dich, Schwätzer!" (“Que vergonha, tagarela!”).

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