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Influenza em circulação: por que a gripe ainda importa e a vacinação também

A influenza nunca deixou de ser relevante, apenas saiu do centro das atenções.

Por Dr. Renato Matos 31/03/2026 - 11:41 Atualizado há 2 horas

Após a pandemia de COVID-19, criou-se a impressão de que as grandes ameaças respiratórias haviam diminuído. Mas os dados mostram o contrário. Na temporada 2024–2025 nos Estados Unidos, estimativas do Centers for Disease Control and Prevention apontam cerca de 51 milhões de casos, com 710 mil hospitalizações e aproximadamente 45 mil mortes — uma das temporadas mais impactantes dos últimos anos.

Nesse contexto, o vírus influenza A — especialmente o subtipo H3N2 — teve participação importante na dinâmica da temporada.

Quem evolui pior — e por quê

Os casos mais graves seguem um padrão claro: ocorrem, em sua maioria, entre não vacinados.

Nos Estados Unidos, entre crianças, cerca de 90% das mortes por influenza ocorreram em pacientes não vacinados ou com vacinação incompleta. Em adultos, embora os dados sejam menos detalhados, a tendência é semelhante: a vacinação reduz significativamente hospitalizações e mortes.

Mais do que evitar a infecção, seu principal papel é reduzir a gravidade da doença.

H3N2: um subtipo que merece atenção

O H3N2 é um velho conhecido da epidemiologia da influenza.

Historicamente, está associado a:

  • maior número de internações
  • maior impacto em idosos
  • maior capacidade de mutação

Sua relevância recente em outros países reforça a necessidade de acompanhamento atento — mas não implica, necessariamente, o mesmo comportamento em todos os cenários.

Situação em Santa Catarina

No Brasil, a vigilância epidemiológica mantém monitoramento contínuo das cepas em circulação.

Em Santa Catarina, já há confirmação da presença do Influenza A (H3N2).
 Até o momento, não há evidência de predominância desse subtipo nem de aumento de gravidade associado.

Esse ponto é importante: a dinâmica local pode diferir do observado em outros países.

Quem deve ter mais atenção

A gripe pode ser leve para muitos, mas representa risco real para:

  • idosos
  • pacientes com doenças respiratórias (DPOC, asma)
  • cardiopatas
  • diabéticos
  • crianças pequenas
  • gestantes

Nesses grupos, complicações e internações são mais frequentes.

Vacina: o ponto central

Existe um equívoco comum: esperar que a vacina impeça todos os casos.

Na prática, seu principal benefício é outro:

  • reduz hospitalizações
  • diminui mortes
  • torna os quadros mais leves

Além disso, ao reduzir a circulação do vírus, protege também os mais vulneráveis.

Por que se vacinar todo ano

O vírus da influenza sofre mutações frequentes. Por isso, a vacina é atualizada anualmente, com base nas cepas em circulação global, em um processo coordenado pela Organização Mundial da Saúde.

Mais do que um dado epidemiológico, um lembrete

A atual circulação do H3N2 em Santa Catarina não representa, isoladamente, um cenário de exceção. Mas funciona como um lembrete oportuno. A influenza continua sendo uma doença com impacto relevante — e, em grande parte, evitável em suas formas mais graves.

Em um contexto de informação abundante, talvez o desafio não seja falta de conhecimento, mas de percepção.

 

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