Após a pandemia de COVID-19, criou-se a impressão de que as grandes ameaças respiratórias haviam diminuído. Mas os dados mostram o contrário. Na temporada 2024–2025 nos Estados Unidos, estimativas do Centers for Disease Control and Prevention apontam cerca de 51 milhões de casos, com 710 mil hospitalizações e aproximadamente 45 mil mortes — uma das temporadas mais impactantes dos últimos anos.
Nesse contexto, o vírus influenza A — especialmente o subtipo H3N2 — teve participação importante na dinâmica da temporada.
Quem evolui pior — e por quê
Os casos mais graves seguem um padrão claro: ocorrem, em sua maioria, entre não vacinados.
Nos Estados Unidos, entre crianças, cerca de 90% das mortes por influenza ocorreram em pacientes não vacinados ou com vacinação incompleta. Em adultos, embora os dados sejam menos detalhados, a tendência é semelhante: a vacinação reduz significativamente hospitalizações e mortes.
Mais do que evitar a infecção, seu principal papel é reduzir a gravidade da doença.
H3N2: um subtipo que merece atenção
O H3N2 é um velho conhecido da epidemiologia da influenza.
Historicamente, está associado a:
- maior número de internações
- maior impacto em idosos
- maior capacidade de mutação
Sua relevância recente em outros países reforça a necessidade de acompanhamento atento — mas não implica, necessariamente, o mesmo comportamento em todos os cenários.
Situação em Santa Catarina
No Brasil, a vigilância epidemiológica mantém monitoramento contínuo das cepas em circulação.
Em Santa Catarina, já há confirmação da presença do Influenza A (H3N2).
Até o momento, não há evidência de predominância desse subtipo nem de aumento de gravidade associado.
Esse ponto é importante: a dinâmica local pode diferir do observado em outros países.
Quem deve ter mais atenção
A gripe pode ser leve para muitos, mas representa risco real para:
- idosos
- pacientes com doenças respiratórias (DPOC, asma)
- cardiopatas
- diabéticos
- crianças pequenas
- gestantes
Nesses grupos, complicações e internações são mais frequentes.
Vacina: o ponto central
Existe um equívoco comum: esperar que a vacina impeça todos os casos.
Na prática, seu principal benefício é outro:
- reduz hospitalizações
- diminui mortes
- torna os quadros mais leves
Além disso, ao reduzir a circulação do vírus, protege também os mais vulneráveis.
Por que se vacinar todo ano
O vírus da influenza sofre mutações frequentes. Por isso, a vacina é atualizada anualmente, com base nas cepas em circulação global, em um processo coordenado pela Organização Mundial da Saúde.
Mais do que um dado epidemiológico, um lembrete
A atual circulação do H3N2 em Santa Catarina não representa, isoladamente, um cenário de exceção. Mas funciona como um lembrete oportuno. A influenza continua sendo uma doença com impacto relevante — e, em grande parte, evitável em suas formas mais graves.
Em um contexto de informação abundante, talvez o desafio não seja falta de conhecimento, mas de percepção.
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