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Correndo na Avenida Centenário, poluição e exercícios

A Organização Mundial da Saúde estima que morram de forma prematura 4 milhões de pessoas ao ano em consequência de poluição ambiental em áreas externas
Por Renato Matos 16/08/2020 - 11:47Atualizado em 16/08/2020 - 11:51

O pulmão é um órgão excepcional. Formado por cerca de 300 milhões de alvéolos – minúsculos sacos aéreos – esticado como um tapete teria a superfície equivalente a uma quadra de tênis. 

Ar e sangue nos pulmões são separados por uma membrana com espessura difícil de imaginar - 200 vezes menor que uma folha de papel. Esta estrutura imensa e delicada faz com que a absorção de gases ou partículas seja absurdamente rápida. Tanto para o bem quanto para o mal. Troca rapidamente com o ambiente oxigênio e gás carbônico. Mas também permite que uma droga inalada atinja o cérebro com velocidade equivalente à aplicada na veia. 

A Organização Mundial da Saúde estima que morram de forma prematura 4 milhões de pessoas ao ano em consequência de poluição ambiental em áreas externas. Entre as principais doenças provocadas ou exacerbadas estão doenças cardíacas, derrames cerebrais, diversos tumores - com destaque para o câncer de pulmão - e diferentes doenças respiratórias, agudas ou crônicas.

Os principais implicados nestas mortes são materiais particulados e gases como ozônio, dióxido de enxofre e de nitrogênio, além do monóxido de carbono. Juntando a vulnerabilidade da membrana alvéolo capilar com a poluição ambiental – grande parte dela emitida pelo cano de descarga dos carros – chegamos na nossa avenida Centenário.

Diariamente são centenas de pessoas caminhando, correndo e andando de bicicleta nas calçadas e canteiro central ao longo dos seus oito quilômetros. Ao lado, milhares de carros, numa intimidade semelhante àquela do ar e sangue nos pulmões. Para piorar, marcando encontro na mesma hora do rush. Poluição direto na veia.

Os estudos têm consistentemente mostrado que praticar exercícios físicos em lugares poluídos ainda é melhor do que não fazer exercício algum. Dr. Paulo Saldiva, ciclista e pesquisador da USP, uma das maiores autoridades em poluição atmosférica do país já fez seus cálculos: “Fazendo uma conta muito contra a bicicleta, calculo que eu perca uns cinco ou seis meses de vida por causa da poluição que recebo ao pedalar. Mas eu ganho uns três anos e meio ou quatro anos graças ao exercício. Dá um saldo positivo de alguns anos”. Mas, já que conseguirmos vencer a preguiça, vale a pena procurar um lugar mais seguro – e temos lugares imensamente mais adequados do que a nossa principal via axial.

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