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Atualizando os tratamentos para a Covid-19

Por Renato Matos 19/10/2020 - 15:08Atualizado em 19/10/2020 - 15:15

A imensa maioria dos medicamentos testados para o tratamento do novo coronavírus não são novos, nem desenvolvidos especificamente para este fim. São drogas antigas, usadas em outras doenças e reposicionadas na tentativa de buscar alguma efetiva.

O conhecimento médico vai se consolidando a partir de estudos repetidos. Quanto maior a qualidade metodológica, tamanho da amostra e concordância entre eles, maior a probabilidade de que as conclusões sejam corretas.

A semana que passou nos trouxe evidências mais robustas quanto ao tratamento da Covid -19.

No dia 9 de outubro, o Instituto Nacional de Saúde dos EUA lançou uma atualização sobre o tratamento do SARSCoV2.

Num robusto e bem referenciado documento de 224 páginas, escrito sob a tutela de 16 grandes sociedades médicas - entre elas o American College of Chest Physicians, American Thoracic Society, CDC, Society of Critical Care Medicine, Infectious Disease Society of America e FDA - são avaliadas as atuais opções de tratamento.

Seguindo os estudos disponíveis e selecionados pelos especialistas, o painel definitivamente não recomenda usar qualquer medicamento de forma preventiva, tanto antes como após exposição ao Covid 19.

Quanto aos já infectados, mas não hospitalizados ou internados que não necessitem do uso de oxigênio suplementar, as conclusões também são, à princípio, contra o uso de qualquer medicamento antiviral. O “à princípio” aparece porque os americanos ainda discutem se o Remdesivir deveria ser utilizado nessas circunstâncias.

Especificamente sobre a cloroquina ou hidroxicloroquina, avaliando os dados obtidos até o momento, os painelistas são contrários ao seu uso, tanto preventivamente como em pacientes hospitalizados ou em tratamento ambulatorial. Isoladamente ou associada à Azitromicina.

Sobre a Ivermectina, o documento salienta que para que sejam obtidos os níveis que inibiram a replicação do SARSCoV2 em vitro seriam necessárias doses até 100 vezes maiores do que as aprovadas para uso em humanos. Também são contrários ao seu uso.

SOLIDARITY

No dia 15 passado, foram publicados os dados do estudo SOLIDARITY, conduzido pela Organização Mundial de Saúde, que avaliou o uso de Remdesivir, Hidroxicloroquina, Lopinavir/Ritonavir e Interferon no tratamento do novo coronavírus. 

No ensaio clínico, um dos maiores já realizados sobre o assunto, foram randomizados (escolhidos aleatoriamente) 11.266 adultos, em 405 hospitais de 30 países. 

Todos esses regimes de tratamento foram considerados inefetivos ou pouco efetivos. Não reduziram tempo de internação, necessidade de ventilação mecânica ou mortalidade de forma significativa.

A hidroxicloroquina apresentou um risco relativo (uma medida de comparação entre o grupo que recebeu o medicamento e o grupo controle) de 1,19 - apenas valores abaixo de 1 são considerados protetores. Segundo a OMS, esses dados produziram “evidências conclusivas” sobre a não efetividade desses medicamentos.

Continuamos esperando por boas notícias.

4oito

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