Ir para o Conteúdo da página Ir para o Menu da página
Carregando Dados...
4
* as opiniões expressas neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do 4oito

As máscaras e o princípio do paraquedas

Por Renato Matos 21/06/2021 - 08:06Atualizado em 21/06/2021 - 08:07

O princípio da hipótese nula se aplica à ciência em geral: um fenômeno não deve ser considerado verdadeiro antes da sua comprovação.
Até prova em contrário – usando as ferramentas do método científico – partimos do pressuposto de que não existe associação entre uma intervenção e um resultado.
Não só na definição da eficácia de medicamentos.
Usar celular causa câncer no cérebro?
Como o uso do celular é disseminado e vemos poucos casos de câncer no cérebro, partimos do pressuposto que não existe essa associação – esta é a hipótese nula. 
Para provarmos o contrário, precisaríamos que estudos muito bem delineados mostrassem, com mínimas margens de erro, que existe causalidade entre o seu uso e a doença.
Existem exceções a essa regra básica. 
Uma delas é o princípio da plausibilidade extrema, quando devemos acreditar no fenômeno ou adotar uma conduta médica, independente de demonstração científica.
O exemplo comumente usado é o paradigma do paraquedas. 
É tão plausível que o paraquedas vá reduzir a morte de alguém que pule de um avião que não há necessidade de nenhum estudo para testar essa hipótese.
O uso de máscaras para a prevenção da transmissão do coronavírus não preenche os critérios do princípio da plausibilidade extrema, mas pode se aproximar dele.
Em junho de 2020, a revista Lancet publicou uma revisão sistemática dos estudos observacionais publicados sobre a eficácia do uso de máscaras e distanciamento físico no controle da disseminação da doença, com resultados favoráveis a sua adoção. 
Foi apenas nessa época – meados de 2020 - que a Organização Mundial da Saúde recomendou a adoção disseminada do seu uso.
A rota primária de transmissão do SARS-CoV-2 é por meio de partículas respiratórias, muitas vezes eliminadas por indivíduos assintomáticos.  
Ao criar uma barreira, a máscara consegue estabelecer um obstáculo físico a sua transmissão.
A preponderância das evidências científicas atuais indica que as máscaras reduzem a transmissibilidade tanto em contextos clínicos quanto laboratoriais.
Dada a gravidade da pandemia, essas evidências, combinadas com o baixíssimo risco de complicações, suportam o seu uso pela população em geral.
A magnitude potencial do benefício a nível populacional é imensa.
Enquanto não tivermos uma parcela significativa da população vacinada, sua utilização é, literalmente, vital.

4oito

Deixe seu comentário