Em participação no podcast “Quem é que chega”, da TV Tigre no YouTube, o volante Jean Irmer abriu o coração sobre momentos marcantes da carreira, bastidores do futebol, fé, saúde mental, renúncias pessoais e o desejo de construir uma história duradoura em um clube.
Em um relato profundo e sincero, o jogador compartilhou experiências pouco conhecidas do público, incluindo um período delicado de ansiedade em 2019, além de memórias da infância, da influência do pai ex-jogador e das decisões que moldaram sua trajetória no futebol.
Ansiedade, cirurgia e o momento mais delicado da carreira
Jean revelou, pela primeira vez publicamente, que enfrentou um quadro de ansiedade em 2019, quando atuava pelo Botafogo. O problema começou com dificuldades respiratórias causadas por cornetos nasais atrofiados, que exigiram cirurgia, mas evoluiu para um quadro emocional mais complexo.
“Eu estava com 20% de respiração de um lado e 15% do outro. Eu não conseguia puxar o ar, ficava tonto. E junto com isso veio a ansiedade. Foi um soco na boca do estômago ter que procurar psicólogo e psiquiatra".
O atleta destacou que aprendeu a não tentar controlar tudo ao seu redor e que passou a valorizar a paz interior acima dos resultados momentâneos.
“A minha paz é inegociável. Independente de vitória ou derrota, eu sei onde eu quero chegar.”
A influência do pai e os ensinamentos desde a infância
Filho de um ex-zagueiro dos anos 90, Jean contou que desde os oito anos ouviu do pai que a carreira no futebol exigiria renúncias.
“Você não vai ter final de semana. Vai abdicar de comida, de festa, do sono. E foi exatamente assim.”
O jogador relembrou o impacto de sair de casa aos 15 anos e passar datas importantes sozinho, como um réveillon em um quarto comendo bolacha água e sal, quando atuava no interior de Pernambuco.
A escola argentina no Estudiantes de La Plata
Aos 18 anos, Jean se transferiu para o futebol argentino, onde considera ter vivido a maior escola tática da carreira. No elenco profissional, conviveu com nomes como Verón, Gabriel Mercado e Enzo Pérez.
“Foi ali que eu aprendi de verdade a jogar futebol. Hoje está explicado meus carrinhos.”
A decisão de deixar a Argentina e a virada no Paraná Clube
Mesmo feliz na Argentina, Jean decidiu retornar ao Brasil para atuar no profissional do Paraná. A escolha, que parecia um passo atrás, se transformou em impulso para a carreira.
“Às vezes você dá um passo atrás e Deus te impulsiona cinco, dez para frente.”
No Paraná, acumulou mais de 80 jogos antes de ser negociado com Corinthians.
O sonho frustrado de jogar na Itália
Jean revelou que tinha o sonho de infância de atuar no futebol italiano e recebeu proposta do SPAL após a temporada de 2017, quando defendia o Vasco, mas não foi liberado.
“Era meu sonho de criança jogar na Itália.”
Os jogadores que mais o marcaram
Jean Irmer citou nomes que o impressionaram dentro de campo:
Luís Fabiano — “Centroavante fenomenal.”
Ricardo Quaresma — “O mais difícil que marquei.”
Verón — “Prateleira prime. Me ensinou muito.”
A impressão sobre o Heriberto Hülse e a torcida do Criciúma
O volante relembrou um jogo marcante no Estádio Heriberto Hülse, ainda no Paraná, quando vencia por 2 a 0 e viu a torcida empurrar o time da casa para a virada por 3 a 2.
“Ao invés de opressiva, a torcida impulsionou. Aquilo me marcou muito".
Sonho atual: criar história longa em um clube
Mais maduro, Jean afirmou que hoje seu maior sonho não é mais atuar na Europa, mas construir uma história duradoura em um clube e poder, no futuro, mostrar isso aos filhos.
“Quero trazer meus filhos no estádio e dizer: eu fiz parte dessa história".
Pode virar treinador?
Jean acredita ter boa leitura tática para ser treinador, mas pondera o impacto familiar da rotina intensa da profissão.
“O treinador trabalha o dobro do jogador. Ainda estou ponderando isso por causa da família que quero ter".
Fé, propósito e equilíbrio
Ao longo da entrevista, Jean reforçou diversas vezes a importância da fé e do equilíbrio emocional.
“Deserto não é lugar de morada, é lugar de transição", finaliza o jogador.
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