O técnico Eduardo Baptista evitou definir quem será o goleiro titular do Criciúma quando Airton retornar de lesão, mas fez questão de exaltar o momento vivido por Pedro, destacou a qualidade do elenco da posição, demonstrou preocupação com a arbitragem nas últimas rodadas da Série B e admitiu que a ansiedade pelo acesso faz parte da rotina do clube nesta reta decisiva da competição.
Sobre a disputa pela titularidade no gol, Eduardo afirmou que terá uma decisão difícil quando Airton estiver novamente à disposição.
"Na verdade, aqui eu tenho quatro grandes goleiros. O Alisson foi muito importante quando assumiu a posição, estabilizou o nosso setor defensivo. Depois veio o Ayrton, aproveitou o momento, e agora surgiu o Pedro. É um problema bom e difícil de resolver”.
O treinador destacou as características do jovem goleiro e disse que já enxergava potencial desde que chegou ao clube.
"Na minha primeira coletiva eu já falei do Pedro. Eu vi um jogo dele no Sub-20 e disse: 'Esse menino é diferente'. É um goleiro de uma projeção muito grande. Eu olho muito quando o atacante chega cara a cara. O Pedro olha para o pé do adversário, de olho aberto. Isso faz diferença”.
Mesmo sem antecipar uma definição, garantiu confiança em qualquer escolha.
"Eu espero o Airton para esse jogo, talvez ele ainda não esteja à disposição. Vou adiar essa decisão. Estou muito tranquilo com o Pedro. Qualquer decisão que eu tomar, eu tenho minha razão”.
Na sequência da entrevista, Eduardo fez um longo desabafo sobre a arbitragem. O treinador afirmou que alguns erros recentes ultrapassaram o limite do aceitável e pediu mais atenção ao Criciúma.
"Uma coisa é os nossos jogadores serem marcados. Outra é serem caçados. Esse jogo contra o Náutico me deixou bastante preocupado”.
Ele relembrou lances das últimas partidas e afirmou que o clube precisa se posicionar.
"O Criciúma precisa gritar, precisa falar. Não é para ajudar a gente. É para tratar todo mundo da mesma maneira”.
Segundo o treinador, o peso financeiro do acesso à Série A exige atenção em todos os detalhes.
"O clube que subir gira em torno de R$ 150 a R$ 200 milhões. É muito dinheiro. Tem muita política envolvida. Onde tem política e dinheiro, você tem que tomar cuidado”.
Eduardo também questionou critérios adotados pela arbitragem.
"Teve um pênalti que pelo menos o VAR tinha que chamar. O juiz estava a cinco metros dos lances. Depois, em outro momento, deixou o jogo seguir com dois jogadores nossos caídos. No fim da partida, parou um contra-ataque para atender um jogador do Náutico. Quais são os critérios?”.
O comandante ainda ressaltou que o Criciúma é uma equipe competitiva, mas joga dentro da lealdade.
"Dizem que o time do Eduardo é físico. Claro que é físico, mas também é técnico. É um time viril, que marca forte, mas joga na bola. A gente espera que a arbitragem também faça a sua parte”.
Questionado sobre a pressão da reta final da Série B, Eduardo admitiu que convive diariamente com a ansiedade, embora procure não demonstrá-la.
"A minha ansiedade é muito grande. Eu tento não transparecer, mas ela existe”.
O treinador revelou que costuma imaginar a festa do acesso ao observar o estádio lotado antes das partidas.
"Principalmente nos jogos em casa, quando você vê o nosso torcedor e a festa que eles fazem, a gente para um pouquinho e imagina como seria atingir o nosso objetivo aqui”.
Ao mesmo tempo, destacou que a experiência ajuda a manter o grupo concentrado.
"Eu falo sempre para eles: visualizem o acesso, visualizem um título, mas coloquem o pé no chão. Ainda tem muito trabalho pela frente”.
Segundo Eduardo, a liderança do elenco também é fundamental para controlar o ambiente.
"Eu divido essa ansiedade com os pilares do grupo. Rodrigo, César, Castán, Marcelo Hermes, Fellipe Mateus. Eles ajudam muito. Eu não deixo uma ovelhinha desgarrar”.
O treinador resumiu o momento vivido pelo Criciúma com uma frase repetida frequentemente aos jogadores.
"Está tão perto, mas tão longe”.
Além dos temas principais, Eduardo Baptista abordou outros assuntos da coletiva. O treinador comemorou as duas semanas de treinamentos, período que permitiu testar formações e atletas em trabalhos contra a equipe sub-20.
Também projetou que cerca de 68 pontos devem garantir o acesso à Série A, ressaltando que os próximos pontos serão mais difíceis do que os 39 já conquistados.
O comandante ainda reforçou a importância do fator casa, elogiou a força do Criciúma também como visitante e revelou que o clube já iniciou o planejamento para 2027, trabalhando para manter a base do elenco independentemente do desfecho da temporada.
Eduardo também comentou a recuperação do atacante Yuri Tanque, que ainda deve precisar de cerca de duas semanas para ficar à disposição, projetou o confronto diante do Athletic e afirmou que o Criciúma já adapta sua logística para minimizar o desgaste da longa viagem.
Por fim, garantiu que permanece totalmente comprometido com o projeto tricolor, apesar do interesse de outros clubes durante a janela de transferências.
"Tivemos assédios pesados nessa janela. Os atletas confiaram em mim, e eu não poderia colocar a minha cara para eles e depois deixá-los na mão. Aqui é onde eu quero estar”.
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