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Ser mulher, por Laís Costa

Ananda Figueiredo
Por Ananda Figueiredo 07/03/2018 - 09:06Atualizado em 09/03/2018 - 07:01

Às vésperas do dia internacional da mulher, trago as palavras da corajosa e inspiradora Laís Costa*. Apreciem:

"Laís, o que é ser mulher para voce?"

Ao ser questionada, a verdade é que se passaram milhares de respostas na cabeça, e que elas jamais irão caber aqui nesse depoimento.  
Eu não consigo ser apenas mulher, eu sou mulher, negra, empreendedora, questionadora, em processo de empoderamento. 
Li e reli a frase a cima algumas vezes, tentando organizar o que é ser tudo isso. E o que todas essas em uma só me fez, e me faz.
Antes de me descobrir mulher, me descobri negra, ainda pequena 4/5 anos descobri o racismo, ao ponto de não querer ser mais dessa cor. Graças a uma mãe incrível que me ensinou de maneira lúdica naquela idade, e depois de tantas outras formas, tenho orgulho de quem sou.
Antes de me descobri mulher, me descobriram, em uma puberdade precoce, descobri o assédio.
 Aos 12/13 anos era assediada com certa frequência, quando naquela época ia ao centro pagar contas para minha mãe, até que aquilo se tornou rotina em todos os quintos dias úteis de cada mês.
Antes de me descobri mulher, descobri o racismo, o assédio, o preterimento, a hipersexualização. 
Quando me descobri mulher, descobri que tudo que eu tinha descoberto até então iria continuar em meus dias até hoje, e que teria que encontrar formas de conviver com tudo isso, e que pior, eu iria encontrar formas de agravar ainda mais. Ter uma personalidade questionadora, ser sonhadora, e querer empreender, e se não bastasse começar um processo interno de empoderamento e reconhecimento de si. 
Ser mulher para mim, é resistir, resistir todos os dias para um hoje e  um amanhã melhor.
É acordar na certeza que é possível passar por cada obstáculo, com dificuldade, ou não. 
Que é possível se conhecer, e se respeitar. Que é possível decidir o não, ao invés do sim. Que é possível escolher o difícil e ser feliz.
Que é possível olhar no espelho e amar o que se vê.
Que é possível ser o que eu quiser ser, ainda que o mundo não seja justo e igualitário. 
Porque sim, nós podemos!"

Lais, histórias como a sua nos empoderam. Termino a leitura do teu texto com a certeza de que nós podemos, sim!

*Lais Costa e designer de moda e empresária da marca Zakii

4oito

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