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Ser mulher, por Elaine Külkamp

Ananda Figueiredo
Por Ananda Figueiredo 09/03/2018 - 21:30Atualizado em 10/03/2018 - 19:20

Último post de convidada para a nossa série colaborativa da "semana da mulher" e não podia ser com nenhuma outra. O texto da Elaine Külkamp* traz a história, as dores e as alegrias por trás do corpo feminino que ela, como nós, habita. Recebam suas palavras:

 

"Agora sim... Após cuidar da casa, da filha, do trabalho e de mim, posso finalmente me sentar e definir (a meu modo), o que é ser mulher.

É ser multitarefas, hiperdinâmica e ultrarresistente.

É dar conta da casa, do trabalho, da família, de si mesma... ou não.

É ser mãe de um, dois, três, quatro... ou de nenhum.

É viver insegura.

E, acima de tudo, ser julgada o tempo todo.

A sociedade é cruel, e tenta nos empurrar goela abaixo padrões e posturas ditas ideais. Mas e nosso direito de escolha, como fica? E o amor próprio?

O corpo perfeito, cabelo sedoso e brilhante, pele de pêssego sem manchas e imperfeições, olhos brilhantes e vívidos, roupas ideais para a idade e ocasião determinados. Vou falar de experiência própria, que ilustrará um pouco o que quero dizer.

Nasci estrábica, quase cega de um dos olhos, sempre fui gordinha e assim, sofri bullying durante toda a infância e adolescência. Por conta disso, fiz quatro cirurgias em meu olho para tentar corrigir o desvio (sem muito sucesso), e mudei hábitos alimentares que me fizeram emagrecer alguns quilos.

Mas nunca foi suficiente.

O olho não estava no ângulo correto, os quilos perdidos nunca foram suficientes, a pele começava a mostrar sinais de envelhecimento. Mas eis que um acidente vem a mudar todo o panorama, e me mostrar que essas preocupações eram tolas.

Com 35% do corpo queimado, com manchas que me acompanharão por toda a vida, amadureci e enxerguei que somos muito mais que uma casca moldada pela imposição estética. Não somos bonecas de porcelana, belas, porém intocáveis. A perfeição existe na particularidade de cada uma de nós, e naquilo que não está visível e palpável.

Ser mulher é amar a si mesma, irradiar essa beleza e conquistar nosso espaço.

É ser dona de casa, empresária, frentista, astronauta, motorista, enfermeira, atleta, cigana... o que ela quiser!

É lutar por aquilo que somos ou queremos ser.

É lutar por nossos direitos e por respeito."

 

Ao falar de perfeição, você nos apresenta a beleza de sermos, todas, igualmente imperfeitas. Obrigada pela coragem e pela luta!

 

* Elaine Külkamp Silveira Venâncio é mulher, mãe, e sócia proprietária na empresa Armazém Burger & Bier

4oito

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