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O bilhete do Sr. Luiz Carlos Cancellier, reitor da UFSC

Ananda Figueiredo
Por Ananda Figueiredo 03/10/2017 - 12:50

A campanha setembro amarelo acabou no sábado, junto com o mês. Ontem amanhecemos com a notícia do suicídio do Sr. Luiz Carlos Cancellier, o Cao, reitor da Universidade Federal de Santa Catarina. A comoção entorno da notícia foi grande - suicídios sempre nos chocam, não é mesmo? Ainda assim, ouvi muitos comentarios que me deram a impressão de que ainda precisamos falar muito mais sobre o assunto.

De todo modo, meu texto hoje é sobre o bilhete deixado pelo Sr. Luiz Carlos: "minha morte foi decretada no dia de minha prisão". Não sei se era o caso dele, mas a frase me fez refletir sobre nossa relação com o trabalho e sobre os autonomeados workaholics. Para além de toda exposição pública (e aqui cabe uma ampla discussão sobre as midiáticas prisões que têm acontecido nos últimos tempos), as reportagens apontam o sofrimento do Sr. Cao por ter sido afastado da Universidade Federal de Santa Catarina. Muitas, inclusive, dizem que ele foi afastado de "sua casa". Ora, em qual momento permitimos que nosso trabalho se tornasse a nossa casa? E mais: Como não percebemos, ou como aplaudimos, a inversão vida pessoal/casa - vida profissional/trabalho?

Eu sei, você ama o que faz. Que ótimo! Ainda assim, o âmbito profissional é  um papel social que desempenhamos, que não pode se confundir ou mesmo substituir nossa essência de ser, sob risco de grave adoecimento. Além do mais, se você deposita todas as suas moedas em um único cofre e este cofre lhe é tirado, como você sobreviverá? Seja generoso consigo e cuide melhor das suas moedas (lê-se tempo e energia ). Deposite-as no trabalho, mas não só lá. Cofres se perdem, quebram ou você pode até desistir do ato de guardar moedas. Só não pode desistir de si. Procure ajuda, sempre é tempo!

4oito

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