Já dizia Wanderlei Luxemburgo: o futebol brasileiro é uma máquina de moer treinadores. E o caso de Filipe Luís no Clube de Regatas do Flamengo parece seguir exatamente esse roteiro.
Os números falam alto. Mais de 100 jogos, 63 vitórias, cerca de 65% de aproveitamento e cinco títulos. Um treinador jovem, com ideias modernas, respeitado pelo elenco e com leitura tática acima da média. No papel, um trabalho sólido. Na prática, bastou o ambiente político azedar para tudo ruir.
O desgaste com o presidente BAP não começou da noite para o dia. Nos bastidores, a relação já vinha tensionada. Filipe foi contra à utilização do time principal em um contexto considerado inadequado, priorizando planejamento físico e gestão de elenco com apenas 09 dias de trabalho . Também teria barrado a entrada de torcedores para uma conversa direta com jogadores após resultado ruim — decisão que, do ponto de vista de comando, é coerente: proteger o grupo é função do treinador. Mas, politicamente, isso custou caro.
No Flamengo, como em poucos lugares do Brasil, o técnico precisa vencer jogos e também vencer o ambiente. E quando a relação com a presidência racha, dificilmente há sobrevivência. A decisão final foi de BAP: demissão.
A pergunta que fica é simples. Filipe errou? Pode ter errado em decisões pontuais, como qualquer treinador. Mas foi tratado como vilão por defender convicções técnicas? Ou virou vítima de um modelo onde o cargo de treinador é sempre o elo mais frágil da corrente?
O futebol brasileiro perde um técnico promissor, com identidade, coragem e resultado comprovado. Perde também a chance de amadurecer o debate sobre gestão, autonomia e projeto a longo prazo.
No fim, a frase de Luxemburgo segue atual. Aqui, a paciência é curta. E a máquina trituradora de pessoas no futebol não para.
O 7x1 nunca foi tão atual e explicável.
Alex Maranhão
Esporte & Negócios
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