Ir para o Conteúdo da página Ir para o Menu da página
Carregando Dados...
DEIXE AQUI SEU PALPITE PARA O JOGO DO CRICIÚMA!

Verão acende alerta para o aumento do abandono de animais

Protetores enfrentam alta demanda e poucos recursos

Por Maryele Cardoso 11/01/2026 - 08:40
Festas de fim de ano e viagens não podem virar desculpa para o abandono de animais | Foto: imagem gerada com auxílio de IA/4oito
Festas de fim de ano e viagens não podem virar desculpa para o abandono de animais | Foto: imagem gerada com auxílio de IA/4oito

Quer receber notícias como esta em seu Whatsapp? Clique aqui e entre para nosso grupo

Com a chegada do verão, não são apenas as temperaturas que sobem. O número de animais abandonados também aumenta de forma significativa, especialmente durante as festas de fim de ano. Viagens, mudanças na rotina e a falta de planejamento estão entre os principais motivos. Muitos animais são deixados à beira de estradas ou em bairros afastados, vítimas de um rompimento de vínculo justamente por quem deveria protegê-los.

A adoção, que deve ser um ato de responsabilidade, precisa ser pensada a longo prazo. Antes de levar um animal para casa, é fundamental avaliar se há estrutura, tempo e condições financeiras para garantir bem-estar ao longo de toda a vida do pet. “É preciso pensar em todos os cenários: o tempo de vida do animal, o porte, se a família tem estrutura para lidar com ele e se consegue oferecer os cuidados necessários, como ração de qualidade, atendimento veterinário e medicamentos”, afirma a advogada e protetora animal Rosane Machado Andrade.

LEIA MAIS:

Abandono aumenta durante as festas de fim de ano

Entre o Natal e o Ano Novo, casos de abandono foram registrados diariamente. Os fogos de artifício também contribuíram para que muitos animais fugissem assustados e acabassem nas ruas. “Muitas vezes o tutor já não estava muito interessado. O cachorro foge e fica por isso mesmo. Há também quem deixe o animal na rua com a intenção de buscá-lo depois da viagem, o que nem sempre acontece”, relata Rosane.

Segundo ela, em muitos casos o animal “perde valor” aos olhos do tutor quando deixa de estar saudável ou jovem. “Quando o cachorro fica doente, se machuca, é atropelado ou chega à terceira idade, isso vira motivo para abandono. É preciso ter consciência de que é uma vida, um ser que sente falta do tutor e que, nas ruas, pode sofrer diversas violências”, alerta.

Além dos riscos para o próprio animal, o abandono também representa perigo para a comunidade. “Cães nas ruas podem transmitir doenças, causar acidentes de trânsito e gerar outros problemas de saúde pública”, completa.

Cada resgate é uma nova chance de proteção, tratamento e dignidade  | Foto: Arquivo pessoal  

Realidade se repete em Balneário Rincão

Situações como as descritas por Rosane não se restringem a um único município. Em Balneário Rincão, a chegada da temporada de verão intensificou ainda mais o problema, sobrecarregando protetores e instituições que atuam no resgate e acolhimento de animais abandonados.

De acordo com Renato Guglielmi, presidente da Associação Protetora dos Animais Patas Amigas (APPA) e da Organização Protetora dos Animais (OPA), o número de chamados aumentou consideravelmente. “Atualmente, são cerca de cinco chamados por dia durante a semana e, nos fins de semana, esse número chega a dez. A maioria envolve cães abandonados, acidentados ou que se perderam por causa do barulho dos fogos”, afirma.

Pequenas atitudes fazem a diferença

Rosane reforça que a população pode contribuir de diversas formas. Ao encontrar um animal na rua, recomenda oferecer água e comida e divulgar fotos nas redes sociais para tentar localizar o tutor. Em casos de suspeita de abandono ou maus-tratos, a orientação é observar e denunciar.

“Se um vizinho tem um cachorro que chora muito, aparenta estar mal alimentado ou negligenciado, vale conversar, perguntar se está tudo bem e se a pessoa precisa de ajuda. Muitas situações podem ser resolvidas antes que o abandono aconteça”, orienta.

Rosane fazendo o resgate de uma cachorra atropelada | Foto: Arquivo pessoal

Abrigos superlotados e importância da castração

A alta demanda tem levado à superlotação da casa de passagem do município. O espaço tem capacidade para cerca de 60 animais, mas atualmente abriga mais de 100. Para Renato, a castração é uma das principais ferramentas para reduzir o abandono, mas ainda enfrenta resistência por parte de alguns tutores.

“Mesmo com castrações gratuitas, muitas pessoas preferem soltar as fêmeas nas ruas quando entram no cio. Muitas vezes, são os próprios protetores que correm atrás desses animais para levá-los ao centro de castração”, explica.

Em 2025, mais de quatro mil castrações foram realizadas pela Prefeitura de Balneário Rincão. Além disso, o município repassa cerca de R$ 7 mil mensais para auxiliar na compra de ração e medicamentos destinados aos animais acolhidos na casa de passagem.

Uma adoção em tempos de pandemia que uniu ciência e um amor incondicional

Em meio à pandemia de Covid-19, em maio de 2020, a biomédica Mainara Tesser encontrou nas redes sociais o início de uma história que mudaria sua vida. Ao acompanhar o perfil do projeto Ação Tapera no Instagram, ela se encantou com uma ninhada de filhotes resgatados, mas foi Tapioca quem a conquistou de imediato. “Quando eu vi o desenho nas costas dela, que parecia uma levedura, soube que era para ela ser minha. Fungos sempre foram a minha área favorita da Biomedicina, então aquilo teve um significado muito especial”, conta. Após passar por uma entrevista de adoção e acompanhar o processo de vacinação dos filhotes, Mainara conheceu Tapioca.

Primeiro encontro entre Mainara e Tapioca | Foto: Arquivo pessoal

Desde então, Tapioca passou a ocupar um lugar central em sua vida e rotina. “A melhor parte do meu dia é quando chego em casa e ela me recebe como se estivesse há anos sem me ver, mesmo que eu tenha saído por meia hora”, diz Mainara. Companheira constante, a cadela acompanha a tutora em passeios, idas à praia e até ao trabalho no hospital veterinário. “Ela é muito expressiva, divertida, aventureira e tem uma personalidade forte, igual a minha”, afirma. Para a biomédica, a conexão entre as duas vai além das palavras. “Eles têm a vida tão curta e eu sempre vou fazer o máximo para deixar ela feliz e confortável. Os animais são sensacionais, empáticos e incríveis”, conclui.

Encontro com a cadela Tapioca começou pelas redes sociais |  Foto: Arquivo pessoal

A lei principal contra abandono e maus-tratos de animais no Brasil é a Lei nº 9.605/1998 (Lei de Crimes Ambientais), com o Artigo 32 punindo abuso e maus-tratos com detenção e multa, mas a Lei nº 14.064/2020 (Lei Sansão) aumentou a pena para reclusão de 2 a 5 anos, multa e proibição da guarda especificamente para maus-tratos contra cães e gatos; o abandono é enquadrado como maus-tratos, expondo o animal a fome, sede e risco de morte, sendo passível de denúncia e punição. 

Principais Leis e Artigos

  • Lei nº 9.605/1998 (Lei de Crimes Ambientais): Define no Art. 32 que é crime praticar abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados.
  • Lei nº 14.064/2020 (Lei Sansão): Alterou a Lei 9.605/98, aumentando a pena para maus-tratos a cães e gatos para reclusão de 2 a 5 anos, multa e proibição da guarda. 

O que é considerado Maus-Tratos e Abandono

A legislação entende como maus-tratos e abandono diversas condutas, como:

  • Abandono em locais públicos ou privados.
  • Falta de higiene, alimentação, água, abrigo contra sol/chuva.
  • Negar assistência veterinária.
  • Ferir, mutilar ou causar sofrimento ao animal. 

Penalidades

  • Para cães e gatos: Reclusão de 2 a 5 anos, multa e proibição da guarda.
  • Para outros animais (silvestres, domésticos, etc.): Detenção de 3 meses a 1 ano e multa (antes da Lei Sansão).
  • Se houver morte: Pena pode ser aumentada em um sexto a um terço. 

Como Denunciar

Procure a Polícia Militar (190), Polícia Civil, Delegacias de Proteção Animal ou órgãos ambientais. Veterinários são obrigados a notificar casos suspeitos. 
 

 

Copyright © 2026.
Todos os direitos reservados ao Portal 4oito