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Startup criciumense desenvolve estudos para produção de bioplástico a partir do milho

Tecnologia proporcionará a obtenção de matéria-prima orgânica em substituição ao plástico derivado de petróleo
Redação
Por Redação Criciúma, SC, 19/09/2021 - 14:11
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Desenvolver uma tecnologia que permita extrair de forma mais eficaz a zeína, uma proteína do milho, e desta forma usar a matéria-prima na produção de bioplástico, em substituição ao plástico derivado de petróleo, é o foco do trabalho realizado pela startup criciumense GreenB Biological Solutions, em parceria com o professor Sérgio Yoshioka. A intenção é oferecer ao mercado biomateriais 100% biodegradáveis, comestíveis, compostáveis e recicláveis.

Pesquisador do Instituto de Química de São Carlos (IQSC), da Universidade de São Paulo (USP), Yoshioka criou a técnica e agora a empresa de Criciúma monta uma planta piloto para a extração em escala de gramas para quilos, com recursos obtidos junto ao Programa Centelha, resultado de uma parceria entre a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do Ministério da Ciência Tecnologia e Inovação (MCTI), e a Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação de Santa Catarina (Fapesc).

“O projeto de extração já passou pela fase de laboratório, agora estamos fazendo a montagem da planta piloto para extração em grande quantidade e a terceira fase, então, será vender a tecnologia às empresas interessadas”, detalha a professora Roseli Jenoveva Neto, cofundadora e gestora da GreenB, startup incubada na Colearning Satc.  

De acordo com ela, o grande desafio no desenvolvimento do bioplástico era encontrar uma fonte abundante, com um valor parecido ao de origem fóssil, e a partir disso chegar à tecnologia de produção que será oferecida ao mercado. “A adaptação do maquinário das empresas vai depender do produto e do pesquisador”, explica.

Produtos e aplicações

Na fase de estudos, pratos de papelão foram revestidos com o bioplástico, tornando-se impermeáveis, além da produção de pratinhos e canudos plásticos e de um revestimento para alimentos que garante a conservação por mais tempo. “Estamos na fase de protótipos e ainda há muitas possibilidades a serem exploradas”, comenta a professora.

Segundo Roseli, o bioplástico não é um alimento, mas pode ser ingerido sem causar danos à saúde das pessoas e dos animais. Também é reciclável, pode virar adubo e, mesmo que não haja o descarte adequado, se depositado na natureza tem decomposição muito mais rápida do que o plástico comum. 

“Desde o começo, a ideia era aproveitar o resíduo agroindustrial do milho e isso ainda pode ser feito juntando outros resíduos produzidos”, ressalta. Um pedido de “patente verde” da nova técnica já foi submetido ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). No Brasil, não há bioplásticos fabricados com zeína devido à baixa eficiência dos atuais processos de extração da proteína.

Fertilizantes

Outro projeto iniciado pela GreenB em parceria com os pesquisadores do Centro de Tecnologia da Satc envolve o encapsulamento de fertilizantes com zeína, para liberação conforme a necessidade da planta, reduzindo assim os desperdícios de micro e macronutrientes e combustíveis nas aplicações. O projeto foi contemplado com verba do edital do Programa de Pesquisa Universal da Fapesc.

Confira a reportagem na revista Liderança Empresarial da Acic