Uma pesquisa confirmou que 20 pontos mapeados no Sul de Santa Catarina estão aptos à extração de terras raras a partir de áreas impactadas pela mineração de carvão. Os municípios de Siderópolis, Lauro Müller, Urussanga, Orleans, Forquilhinha e Criciúma estão no radar nacional e podem consolidar a região como um polo estratégico do setor no Brasil, contribuindo para a inovação tecnológica e para a geração de novas oportunidades econômicas.
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A análise foi realizada em diferentes áreas do Sul catarinense, com embasamento em critérios técnicos que avaliaram o potencial de extração desses minerais. “Nosso grupo mapeou pontos distintos, com características diferentes. Alguns apresentam potencial, outros não”, explicou a engenheira química e pesquisadora do Centro Tecnológico SATC, Vanessa Olivo Viola, ao 4oito.
Segundo a profissional, aspectos físicos e químicos foram determinantes no estudo. “Os espaços apresentavam características variadas e percorremos diversos pontos para fazer uma varredura completa na região”, afirmou.
De acordo com o pesquisador e líder do Núcleo de Energia e Síntese de Produtos do Centro Tecnológico SATC, Thiago Aquino, estudos conduzidos pela instituição indicam que os minerais estratégicos podem estar presentes tanto na drenagem ácida de minas quanto nas cinzas do carvão.
O projeto para pesquisa e mapeamento recebeu cerca de R$ 1 milhão em investimentos e já avançou da fase laboratorial para testes em escala-piloto. “O processo começa na bancada, passa para o projeto-piloto e, depois, segue para a etapa de demonstração”, relata
O que são as terras raras?
Terras raras são um grupo de 17 elementos químicos utilizados em tecnologias de alto valor agregado. Apesar do nome, não são necessariamente raros, mas a extração é complexa e onerosa.
Esses minerais abastecem indústrias de alta tecnologia e de energia limpa e são aplicados na produção de motores de carros elétricos, turbinas eólicas, sistemas de energia renovável, eletrônicos de consumo, como smartphones e catalisadores industriais.
A chamada rota estratégica das terras raras é um conceito que descreve os fluxos globais de produção, processamento e fornecimento desses minerais críticos para a tecnologia e a energia modernas. Não se trata de uma estrada física, mas de uma cadeia geopolítica e econômica que conecta a origem do minério ao mercado consumidor.
Brasil é o segundo maior detentor de reservas de terras raras
Segundo especialistas, o Brasil é o segundo maior detentor de reservas de terras raras do mundo, atrás apenas da China, responsável por cerca de 80% do processamento global.
“A região possui resíduos de antigas minas de carvão, como drenagem ácida e cinzas, que contêm pequenas concentrações desses elementos. Trata-se de uma fonte não convencional, capaz de transformar um passivo ambiental em oportunidade econômica”, explica Aquino.
Países como os Estados Unidos buscam alternativas fora da China, o que amplia o interesse por projetos em outras nações, incluindo o Brasil. Conforme Aquino, esses são minerais críticos para cadeias produtivas estratégicas. “Depois de processados, entram em produtos de alto valor agregado, essenciais para a economia digital, a energia limpa e a segurança tecnológica. A produção nacional pode reduzir a dependência das importações”, afirma.
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