Um setor que faturou US$ 1,15 bilhão em exportações em apenas cinco meses em Santa Catarina acompanha a possibilidade de reabertura de um importante mercado internacional. A União Europeia deve discutir, nos dias 20 e 21 de outubro, a retomada das compras de carne de frango e mel do Brasil, suspensas desde setembro.
O valor corresponde às exportações catarinenses de carne de frango para diferentes países entre janeiro e maio de 2026. Segundo dados divulgados em junho pela Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), o faturamento foi o maior já registrado para o período desde 1997.
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Nos cinco primeiros meses do ano, SC exportou 543,1 mil toneladas do produto, um crescimento de 9,4% em volume e de 13,5% em receita na comparação com o mesmo período de 2025.
As exportações brasileiras de frango e mel à União Europeia estão suspensas desde 3 de setembro, após a entrada em vigor de novas exigências relacionadas ao uso de determinados medicamentos na produção animal. Uma auditoria recente, porém, apresentou resultados favoráveis ao Brasil e abriu caminho para a revisão das restrições.
União Europeia pode liberar exportações nas próximas semanas
O relatório final da auditoria, divulgado em 28 de setembro, concluiu que os sistemas brasileiros de fiscalização e controle da produção de carne de aves e mel atendem às exigências europeias. O resultado representa um avanço nas negociações, mas ainda não garante a liberação das exportações.
O Ministério da Agricultura e Pecuária solicitou que o assunto seja incluído na pauta da reunião do Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações da Comissão Europeia, prevista para os dias 20 e 21 de outubro. O órgão é responsável por analisar a autorização para o retorno dos produtos brasileiros ao mercado europeu.
Para o advogado especialista em negócios internacionais Bruno Albuquerque, que atua na estruturação de negócios entre Brasil e Europa, o momento exige atenção das empresas interessadas em retomar ou iniciar as vendas ao bloco. "O importante é preparar-se sem tratar a expectativa de retomada como uma autorização já concedida", explica Albuquerque.
O especialista ressalta que uma eventual liberação ao Brasil não significa que todas as empresas estarão automaticamente autorizadas a exportar. Os estabelecimentos também precisam atender a exigências específicas de documentação, fiscalização e controle dos produtos.
Empresas precisam se preparar antes da reabertura
Enquanto aguardam uma definição da União Europeia, as empresas brasileiras podem aproveitar o período para revisar contratos, avaliar custos e verificar se os processos de produção estão adequados às exigências internacionais.
Segundo Albuquerque, além das questões sanitárias, os exportadores precisam definir as condições comerciais e as responsabilidades envolvidas nas negociações com compradores europeus. "Exportar não é apenas encontrar um comprador. É preciso definir responsabilidades, condições comerciais, distribuição, riscos contratuais e conformidade regulatória", afirma o advogado.
O especialista também recomenda cautela antes de realizar novos investimentos. Mesmo com o resultado favorável da auditoria, ainda é necessário aguardar a conclusão dos procedimentos europeus para que as exportações sejam retomadas.
Para Santa Catarina, que já registrou um faturamento recorde com as vendas internacionais de frango nos primeiros cinco meses de 2026, a possível reabertura representa a perspectiva de recuperar o acesso ao mercado europeu. A concretização de novos negócios, no entanto, dependerá da decisão do bloco e da adequação de cada empresa às regras de exportação.
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