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Quase 15 toneladas e R$ 143 mil reais desviados de carnes da Afasc (ÁUDIO)

Confira o áudio da coletiva do caso Bocas Famintas da Polícia Civil na tarde desta terça-feira, 3, que concluiu o inquérito de investigação
Vitor Netto
Por Vitor Netto Criciúma - SC, 03/12/2019 - 16:17Atualizado em 03/12/2019 - 17:13
Foto: Taize Pizoni
Foto: Taize Pizoni

A Polícia Civil de Criciúma concluiu o inquérito de investigação do caso "Bocas Famintas", que investiga os desvios das carnes das Afasc. Aproximadamente 15 toneladas de carne foram desviadas, totalizando um montante de R$143 mil desviados dos cofres públicos da Afasc. Os dados foram divulgados na tarde desta terça-feira, 3, durante coletiva de imprensa na 1ª Delegacia de Polícia (DP). Agora, o inquérito será enviado para ao Ministério Público e para o Poder Judiciário e os sete indiciados responderão pelos crimes de peculato e receptação qualificada. 

A investigação iniciou por meio da coordenadora da Afasc, que após suspeitas levou a denúncia até a Polícia Civil. A operação foi divida em duas etapas, sendo que a primeira contou com uma prisão em flagrante da nutricionista na cooperativa que fornecia as carnes. A segunda etapa já ocorreu nas creches, onde a PC realizou buscas. 

De acordo com o delegado Túlio Falcão, o Lapagese foi a escola mais visada, pois é a creche em que há a maior quantidade de alunos. "No Lapagese nos descobrimos que foi desviado 3.133 quilos de carne e da cooperativa 11,5 toneladas de alimentos", explica. 

Conforme o delegado, não foi possível identificar nenhum outro funcionário público envolvido no caso, apenas a nutricionista. “Tentamos identificar ainda a participação de outros funcionários públicos no esquema, mas não foi possível. Antes das investigações o assunto vazou e a própria nutricionista correu atrás de testemunhas e destruiu algumas provas. Mesmo assim conseguimos bastante informações que colocam ela no crime”, acrescentou.

Relação entre a nutricionista e a taxista

A relação e os desvios envolvendo a nutricionista e a taxista datam do mês de novembro de 2018, que já expressavam os devios de carnes. "Inclusive a taxista, após a investigação, ela prestou declaração e foi muito aberta nas informações prestadas. Informou que no mês de outubro, quando iniciamos a investigação, tinha a suspeita de três tonelas e ela informou que essas tonelada seriam vendidas", colocou. A nutricionista ainda planejava aprimorar as táticas de desvio. "Pelo volume de alimentos que estavam sendo desviados, ela pediu o auxílio à taxista para vender esse bens, e como ideia ela sugeriu a compra de uma carretinha e um freezer industrial para armazenar a carne", acrescentou. 

Outros alimentos foram desviados, chamados de alimentos secos, contudo a carne foi o item mais fácil de observar o desvio. "A carne em si tem como nós fazermos uma contabilidade, porque ela desviava e assinava os recibos, a taxista também assinava a planilha toda a contabilidade e quando entregava nas escolas também assinavam a quantidade recebida, então tem como fazer essa comparação do que a Afasc pagou e do que foi distribuído nas escolas", explicou.  

A funcionária ainda apresentou duas versões sobre o caso, uma no auto de lavratura e após o início da investigação outra. "No início ela afirmou que não vendia carne nenhuma, que tudo isso seria esclarecido. Posteriormente, quando ela soube da entrevista e que nossa equipe já teria identificado um possível comprador que comprava diretamente com ela, ela já mudou a sua estratégia de defesa dizendo que realmente ela comprava carne para a Afasc e como pessoas física", comentou. Após as versões, foram identificados outros quatro restaurantes, sendo que um resultou em uma prisão em flagrante . "Identificamos que a venda era feita diretamente com a nutricionista e os recibos assinados era cobrada pela Afasc", ponderou. 

As carnes vendidas pela taxista era comercializada com familiares e vizinhos, que de pronto quando iniciaram as investigações informaram a polícia. Já as empresas e maiores que compravam a carne com a nutricionista, não informaram a polícia. "Já os compradores industriais, que é lanchonete, padarias e restaurantes que compravam da mão da nutricionista não procuraram a delegacia. Eles compravam abaixo de 50% do valor de mercado. Esses foram identificados cinco indivíduos e todos eles foram indiciados por receptação qualificada", afirmou o delegado. 

Próximos passos 

Agora, o inquérito será enviado para ao Ministério Público e para o Poder Judiciário e os sete indiciados responderão pelos crimes. A nutricionista e a taxista responderão pelos crimes de peculato e receptação qualificada. Os outros cinco indiciados, dos restaurantes envolvidos, responderão somente por receptação qualificada. As penas são de dois a 12 anos para peculato e três a oito para receptação. Conforme a investigação, os indiciados responderão em liberdade