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“Prova da minha popularidade é ser recebido por milhares de pessoas, sem ovos como munição”, diz Bolsonaro

Deputado federal, que será candidato a presidência da república em 2018, concedeu entrevista ao jornalista Adelor Lessa
Por Clara Floriano Brasília, DF, 10/08/2017 - 11:46Atualizado em 10/08/2017 - 11:55

Nesta quarta-feira (9), o deputado federal Jair Bolsonaro (PEN/RJ), concedeu entrevista exclusiva ao jornalista Adelor Lessa. A entrevista foi ao ar pela rádio Som Maior na manhã desta quinta-feira (10). O deputado falou sobre a candidatura à presidência da república em 2018 e sobre a possível concorrência com o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva.

“Estamos com 21% nas pesquisas, estamos no caminho certo. O Brasil cansou desta forma de fazer política. Eu penso o seguinte, se um time de futebol quer ser campeão tem que cuidar dos adversários, é isso que estamos fazendo. Quem vier vamos pra cima”, disse Bolsonaro sobre sua candidatura.

Bolsonaro explicou que há três anos decidiu não ser mais candidato a deputado federal e pesquisando sobre soluções para o Brasil resolveu se candidatar à presidência da república em 2018.

“O termômetro de que estamos bem é quando milhares de pessoas nos recebem nos aeroportos, sem ovos como munição (risos)”, contou Bolsonaro.

Segurança

Sobre segurança pública, Bolsonaro defende que violência se combate com violência. O candidato acredita que o policial deve ter o direito de se defender com as armas que lhes são dadas.

“Hoje em dia quando o policial acerta dois tiros em um bandido ele é condenado. O militar, caso haja qualquer imprevisto, deve responder na justiça militar e não a um júri comum. Fazendo isso conseguiríamos reduzir a violência. Temos que valorizar o trabalhador e quem não concordar que vote em outro candidato”, revelou.

Eu não vou comer pizza a noite no Rio porque tenho medo da insegurança

Uma das propostas, que para o deputado poderia ajudar a resolver os problemas de segurança, é a redução da maioridade penal.

“Infelizmente o PSDB não aceitava a redução da maioridade penal. O Senado não aceita redução, nem para menores que estupram ou cometem latrocínio. Tem gente aqui, principalmente mulheres, que defendem que esses menores só devem pagar com o ECA (Estatuto da criança e do Adolescente), que não pune ninguém”, expôs.

Economia

Bolsonaro falou sobre as críticas que recebeu sobre não entender de economia. “Não sou obrigado a entender de economia. Tenho dois economistas que trabalham para mim em segredo, porque tem medo de represálias”, revelou.

Para o deputado, uma saída para o recesso econômico é a redução da carga tributária, que segundo ele sufoca a economia. Bolsonaro também citou a exploração de recursos naturais como possível solução.

O salário é muito para quem paga e pouco para quem recebe

“Não exploramos nossas riquezas, tudo que é nosso é exportado. Temos problemas seríssimos. A questão ambiental no Brasil não pode ser esse enfoque do Zequinha Sarney. Ninguém, é contra o meio ambiente”, explicou.

O candidato a presidência também acredita que acredita que a burocracia é um grande problema enfrentado por empresários brasileiros. “Temos centenas de milhares de regulamentações, não tem como trabalhar em paz dessa forma”, esclareceu.

Estratégias

Duas vezes por mês, Bolsonaro visita estados brasileiros. Em maio, o deputado esteve em Santa Catarina, onde segundo ele, foi bem recebido. “Estou rodando o Brasil de maneira estratégia. Em breve estarei em Pernambuco, onde Lula faz uma carreata. Tenho certeza que o senhor Lula terá vaias enquanto eu terei aplausos”, falou.

Uma das estratégias do candidato de aproximação com os eleitores é o uso das redes sociais. No Facebook, por exemplo, a página oficial de Bolsonaro conta com mais de 4 milhões de curtidas e seguidores.

“Temos um alcance enorme. Procuramos postar vídeos curtos e bastante objetivos, respondendo, inclusive, quem nos crítica”, explicou.

Sobre Lula

Um dos assuntos mais discutidos sobre a candidatura de Jair Bolsonaro é a possibilidade de enfrentar Lula. O possível debate entre os dois políticos é um dos mais aguardados das eleições 2018.  “Não tenho que debater com o Lula porque ele não sabe nem onde mora. Ele não tem o que debater. Vai debater o que com um cara desse?”, questionou Bolsonaro.

Sobre Michel Temer

“Nunca vi Temer dedicar dez minutos do seu tempo ao povo. Ele só completa o mandato pelo parlamento. Temer tem culpa no cartório, é um ponto de vista meu” disse o deputado.

Distritão

Bolsonaro disse que é contra o chamado ‘distritão’, que foi aprovado ontem pela comissão da Câmara que discute mudanças no sistema eleitoral. “Com o tal do distritão 90% dos atuais paramentares serão reeleitos e não é isso que o povo quer. Sou totalmente contra”, esclareceu o deputado.

O distritão prevê que a eleição de deputados e vereadores seja majoritária. O que quer dizer que os mais votados de cada município ou estado serão eleitos, independentemente dos resultados de seus partidos.

O polêmico Kit Contra Homofobia

Em 2011, um projeto do Ministério da Educação e Cultura para a campanha Escola Sem Homofobia causou polêmica no Brasil. A campanha teria filmes e cartilhas tratando da relação entre pessoas do mesmo gênero.

A luta contra o chamado “Kit Gay” foi uma das principais polêmicas que Bolsonaro se envolveu. Segundo ele, o MEC e grupos LGBT "incentivam o homossexualismo" e tornam "nossos filhos presas fáceis para pedófilos".

“Qual o pai que quer encontrar o filho brincando de boneca? Colocar o Kit Gay nas escolas é uma agressão a qualquer pai e qualquer mãe. Contrários me rotularam como homofóbico”, contou.

Ditadura Militar

Sobre a Ditadura Militar, Bolsonaro disse que não acredita que possa ser chamada de ditadura. Para ele o período foi benéfico ao país, principalmente para a economia.

 “Entre 64 e 85 nenhum daqueles 5 generais entendiam de economia, mas tinham a humildade. Nessa época o Brasil do 44º para o 8º na economia mundial. O que nós pretendemos é trazer um pouco daquilo para o presente. Acredito que dá para mudar o Brasil sendo honesto, patriota e tendo Deus no coração”, finalizou.

Ouça a entrevista completa: