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Projeto da Unesc realiza uma das maiores recuperações ambientais do Brasil

Foram 97 hectares recuperados, em ação realizada por técnicos do Iparque
Redação
Por Redação Criciúma - SC, 18/04/2018 - 14:06Atualizado em 18/04/2018 - 14:12
(foto: divulgação)
(foto: divulgação)

Um projeto executado pelo Instituto de Pesquisa Ambiental e Tecnológica (IPAT) da Unesc recuperou 97 hectares no bairro Sangão, entre Criciúma e Forquilhinha, do total, 13,5 hectares eram ocupados por um lixão. O IPAT faz parte do Parque Científico e Tecnológico (Iparque). Esse é considerado um dos maiores programas de recuperação do Brasil.

A área recuperada havia recebido rejeito proveniente dos processos industriais da antiga Indústria Carboquímica Catarinense (ICC) e posteriormente, resíduos sólidos urbanos provenientes dos municípios de Forquilhinha, Criciúma e Nova Veneza. "Tudo que hoje é levado até um aterro sanitário, incluindo lixo doméstico, era depositado a céu aberto, sendo coberto por camadas de aterro ou rejeito de carvão", afirma o coordenador do Centro de Engenharia e Geoprocessamento (Cegeo) do IPAT, Vilson Paganini Bellettini.

O IPAT elaborou o Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD), contratado pela Petrobras Gás S.A., que executou a obra do PRAD-Lixão, e as prefeituras contrataram o instituto para fazer o monitoramento do local. O início foi em 2014, com a execução após 2015 e concluída em 2016.

"O trabalho de monitoramento começou junto com a obra e vai continuar por mais alguns anos. Após cinco anos é preciso haver um nível de recuperação para a Fatma (Fundação do Meio Ambiente) e o Ministério Público avaliem o local e deem a área como recuperada. Nosso trabalho de analisar a água superficial e subterrânea, o solo e se a vegetação está se desenvolvendo adequadamente e vai até a área ser liberada", explica o coordenador. 

Da área total, 97 hectares, atualmente, 86,86 hectares pertencem à Unesc. O restante da área pertence à prefeitura de Forquilhinha – há uma estrada municipal que corta o local. 

Inovação no projeto

O engenheiro agrimensor do Cegeo, Jori Ramos Pereira, explica que do topo do lixão até o lençol freático havia aproximadamente 18 metros de profundidade, onde se intercalava lixo (resíduo sólido) e rejeito piritoso. "O objetivo principal do projeto executivo, foi em isolar a água proveniente da chuva, do contato com o lixo e o rejeito, evitando assim, o chorume (liquido percolado) e geração de DAM (Drenagem Ácida de Mina)", afirma.

Para isso, o projeto contemplou terraplanagem, drenagem superficial e drenagem profundas para coleta do chorume existente, bem como a recomposição de uma estrada municipal que corta a área de projeto. A terraplenagem é composta por uma movimentação de material que evita a erosão dos solos. A malha de drenagem superficial foi elaborada em concreto assim como as escadas hidráulicas.

Além disso, um sistema de ventes foi desenvolvido formado por tubos de PVC. Segundo Ramos, esse dispositivo foi instalado para que o gás produzido pelos resíduos saia, mesmo que as medições apontaram para pouca produção de gás, já que o lixão parou de funcionar há algum tempo.

"Tivemos que pensar em obras de engenharia com as premissas de um aterro sanitário, porém esses dispositivos foram implantados posteriormente ao lixão estar formado, o que foi um desafio. Foi necessária a abertura de trincheiras no maciço, a quatro, cinco metros de profundidade para garantir a coleta dos líquidos percolados no interior do lixão", salienta o engenheiro agrimensor.

Equipe multidisciplinar

A elaboração do PRAD teve a participação de equipe multidisciplinar. Inicialmente o diagnóstico englobou os setores de projetos ambientais do IPAT e o Cegeo, com o levantamento topográfico detalhado, as análises do material e das condições da área. Engenheiros agrimensores, civis, químicos, ambientais e agrônomos, topógrafo, desenhista e geólogo, formaram a equipe envolvida no projeto.