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Pai apaixonado e policial determinado, escreve Gaúcha ZH sobre soldado Jeferson

PMs de Santa Catarina se mobilizam com uma vaquinha online para arrecadar recursos que auxiliem na recuperação de Jeferson Luiz Esmeraldino
GZH Porto Alegre, RS, 05/12/2020 - 14:44Atualizado em 05/12/2020 - 14:49
Arquivo pessoal / Arquivo pessoal
Arquivo pessoal / Arquivo pessoal

Segurança de carro-forte, Jeferson Luiz Esmeraldino era um jovem que perseguia o sonho de vestir a farda. Estudou até conseguir passar no concurso público para ingressar na Polícia Militar de Santa Catarina. Natural de Tubarão, no sul-catarinense, realizou o sonho de entrar na PM em 2016 e, por dois anos, fez parte do Pelotão de Patrulhamento Tático (PPT), a unidade especializada da corporação.

Aos 32 anos, integra o 9ª Batalhão de Polícia Militar de Criciúma. Na madrugada de segunda (30) para terça-feira (1º), estava em mais uma noite de trabalho na radiopatrulha, quando, junto com outros colegas, enfrentou pelo menos 30 homens armados que invadiram a tesouraria do Banco do Brasil e sitiaram a cidade no maior assalto da história de Santa Catarina.

Na ação criminosa, foi atingido no abdômen quando estava na Avenida Gabriel Zanette, a 550 metros do 9º BPM. Socorrido por colegas, foi levado para a UTI no Hospital São João Baptista. O projétil acertou o fígado e o estômago do militar. Desde terça-feira, Jeferson passou por três cirurgias. O boletim divulgado às 11 horas dessa sexta-feira (4) aponta que o estado de saúde do soldado apresenta melhoras. Foi desligada a sedação, e o militar está despertando conforme a evolução da recuperação. Em nota, a PM de Santa Catarina afirmou que os médicos "estão muito confiantes que logo ele despertará e retomará os seus sentidos."

— Ele caiu do meu lado, eu só escutava as munições passando do lado da minha orelha. Olhei e ele estava caído, atrás de mim, eu, um pouco mais na frente — recorda o soldado Rafael Fontana, 33 anos.

Os soldados Fontana e Matheus Espindola, 28 anos, são dois dos colegas que tiveram a ideia de criar uma vaquinha online para arrecadar recursos para auxiliar na recuperação do policial. A meta é chegar a pelo menos R$ 10 mil. Até as 16h desta sexta-feira, a campanha já havia somado R$ 6.790,00. Como o Estado de Santa Catarina deve pagar os custos do hospital, o objetivo da mobilização é juntar recursos para quitar as contas do mês, curativos e futura assistência que possa ser necessária.

— Queremos ajudar de alguma forma pelo que ele fez pela população catarinense. Não queremos que ele fique com a vida atrasada, não sabemos o que ele vai precisar depois de sair do hospital. Nossa ideia é dar algum conforto para a recuperação dele. Só queremos que ele saia o quanto antes do hospital. A família dele está lá, ao lado dele, e queremos abraçar, ajudando nesta parte — explica o soldado Espindola, que também presenciou o momento em que o colega foi atingido.

Na descrição dos amigos, Jeferson é um homem reservado e apaixonado pela filha de cinco anos. Na vida pessoal, gosta de pescar, é rigoroso com treino na academia e busca cursos de qualificações dentro da PM. Separado da mãe da filha, Jeferson mora de aluguel em Tubarão e tem planos de comprar um apartamento. Percorria quase 130 quilômetros por dia no trajeto de ida e volta entre Tubarão, onde mora, até o 9º BPM em Criciúma. No domingo (29), chegou a comentar com um dos colegas que avaliava pedir transferência para Tubarão para ficar mais próximo à rotina da filha.

— O Jeferson vive para a filha dele, tudo na vida dele é a filha. Faz tudo por ela. Ele é apaixonado pela polícia, mas a filha é a vida dele. É um cara confiável, quer o bem de todos, é fora da curva. E tecnicamente, é excepcional. Não fez nada de errado para acontecer aquilo tudo. Foi azar do destino — conta Espindola.

Em nota divulgada pela PM catarinense, a corporação afirma que a ficha profissional de Jeferson possui vários elogios registrados. A tropa se refere ao policial como um  "excelente profissional, atencioso e muito correto. Tais consagrações demonstram a grandeza deste soldado da Polícia Militar e a competência com a qual sempre realizou suas funções."

Espindola está afastado do batalhão para dar apoio à família de Jeferson e resolver pendências pessoais do amigo. Mesmo à frente da mobilização, admite que a ficha ainda não caiu:

— Cada vez que eu olhava meu celular, eram 50 mensagens. Muita informação em grupos, saí de todos eles para focar nas coisas do Jeferson. A cada 12 horas sai um boletim (médico) e ele está cada vez melhor. As notícias só melhoram. Estamos começando a ficar mais felizes e confiantes. Tem muita corrente de oração. Nossa prioridade é ele.

Jeferson e Fontana foram colegas na Escola da Polícia Militar de SC. O soldado lembra que, durante as aulas, o amigo era quieto mas dedicado, empolgado com a missão de ingressar na corporação.

— Não tem uma explicação para gente querer ser policial. Tu nasces para isso. E ele é assim. Não é salário, é porque gostamos. Se fosse para ir de novo (para a ocorrência do assalto), iríamos. Ser policial não é só colocar a farda, é todo um contexto, é amar o que faz. Tirando o susto, tenho certeza que ele quer melhorar para voltar a trabalhar — afirma Fontana. 

Como ajudar

  • Doações podem ser feitas através de um site: para acessar, clique aqui
  • O objetivo da mobilização é juntar recursos para quitar as contas do mês, curativos e futura assistência que possa ser necessária