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No Avesso, a nossa água potável de cada dia

Comitê da Bacia do Rio Araranguá fez alerta sobre poluição de mananciais e necessidade de armazenar
Denis Luciano
Por Denis Luciano Criciúma, SC, 17/07/2019 - 17:53Atualizado em 17/07/2019 - 18:01
Rio Araranguá, um dos mananciais da região / Foto: Willians Biehl / Especial
Rio Araranguá, um dos mananciais da região / Foto: Willians Biehl / Especial

"Muitos rios. Mãe Luzia, Itoupava, Dos Porcos, Amola Faca, Jundiaí, Cachorrinho, Figueira, Sanga do Coqueiro...". O comentário de Pity Búrigo abriu o bate papo sobre rios que o Programa Do Avesso promoveu nesta quarta-feira, 17, com dois especialistas. "Jaguaruna tem rio?", perguntou Mano Dal Ponte. "Tem muito rio na região", respondeu o presidente do Comitê da Bacia do Rio Araranguá, Sérgio Marini. "E tem ainda o que estudar, embora já tenha muita pesquisa. Temos que conhecer muito mais para cuidar deles com mais carinho", completou.

Nossos rios estão poluídos? "Extremamente", afirmou a assessora técnica e engenheira ambiental da Bacia do Rio Araranguá, Michele Pereira da Silva. "Estamos em uma das regiões mais críticas de Santa Catarina quando se fala em quantidade e qualidade de água", contou. "Em períodos de seca nós não conseguimos abastecer todo mundo, principalmente o setor produtivo. Falta água", enfatizou ela.

O presidente Marini lembrou que os problemas mais graves estão na extremidade norte da bacia, que contempla justamente a região carbonífera. "Nós temos um problema sério na parte norte, muito agredida pela mineração do carvão. Fomos fortemente impactados também pela produção de arroz", sublinhou. "Nós ainda temos alguns mananciais potáveis, mas uma parte já contaminada. No período de maior demanda, de outubro a dezembro para a produção de arroz, temos conflitos", exemplificou. Tudo isso mesmo que seja em uma das regiões onde mais chove em Santa Catarina. "Se olharmos nossa média histórica, 1,6 mil milímetros ao ano, uma das regiões que mais sofre na América Latina, seria dizer que isso é utopia mas não, é realidade. Nós não nos preparamos", observou.

Rio Mãe Luzia / Foto: Francine Ferreira / Especial

A estiagem e o esgoto

A grande estiagem de 2012 foi lembrada como um dos momentos de maior preocupação da região com o futuro dos seus estoques de água. "Passamos por uma grande estiagem em 2012, a maior das duas últimas décadas, e todos se prepararam para armazenar, guardar água, desenvolver políticas. Mas até acordarmos para isso, só vamos fazer a reservação quanto bater no bolso", relatou Marini. 

Outro fator é a contaminação da água pelo lançamento de esgoto. "Criciúma hoje está tratando 60% do seu esgoto, e Araranguá 40%. Esse esgoto entra na estação, é tratado mas depois ele vai para o rio. Não tem o que fazer com essa água", ponderou, lembrando que as demais cidades praticamente não contam com tratamento. Confira a íntegra do bate papo no podcast: