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Na história do Tigre, Delmer manda recado em 2021: "torcedor, acredite"

Campeão da Série B em 2002 e da Série C em 2006, ex-atacante acompanha de longe o Criciúma e recorda momentos do passado
Heitor Araujo
Por Heitor Araujo Criciúma, SC, 06/04/2021 - 16:53Atualizado em 06/04/2021 - 17:03
Delmer comemora gol contra o Próspera em 2007 (Foto: Reprodução)
Delmer comemora gol contra o Próspera em 2007 (Foto: Reprodução)

Em 2002, o Tigre apostou em uma barca de Caxias do Sul, na Serra Gaúcha, para um retorno à elite do futebol brasileiro, depois de cinco anos longe da Série A. Junto com o técnico Edson Gaúcho, vieram do Grená para o Tricolor um grupo de jogadores, dentre eles o atacante Delmer, que fez história em Criciúma.

Aposentado dos gramados desde 2013, Delmer guardou o Tigre no coração, ao lado do Grená. Em Criciúma, figurou entre os 10 maiores artilheiros da história do clube. De longe, o ex-jogador manda energias positivas e diz confiar em um retorno de glórias ao Tricolor. 

"O criciúma está embaixo, mas é para estar lá em cima e o apoio do torcedor é fundamental. Mesmo de longe, temos que ter o pensamento positivo. Isso ajuda muito", disse Delmer por telefone à reportagem do Portal 4oito, em conversa de mais de meia-hora de duração. 

Atualmente, Delmer, natural de Rosário do Sul, no Pampa Gaúcho, alterna residência entre Camaquã, cidade entre Porto Alegre e Pelotas, no Sul do Rio Grande do Sul, e Caxias. Da carreira de jogador, o 11º maior artilheiro da história do Tigre mantém as recordações.

"Estou feliz com tudo o que passei e conquistei no futebol. Nos dias de hoje o mais importante é estar com saúde. Sinto muita falta desse convívio do futebol, mas ficam as boas lembranças conquistadas", aponta Delmer.

A aposentadoria do futebol foi repentina e as circustâncias levaram Delmer a uma carreira distante dos gramados; sem tempo de preparação para exercer alguma função externa no futebol, acabou indo ao setor produtivo em Caxias do Sul; no entanto, ele não descarta retornar ao esporte. "O futebol está no sangue, foi a minha vida, quando vê mais para a frente acontece", pondera.

A ascensão em Caxias do Sul levou Delmer ao Tigre após um imbróglio judicial decorrente de atrasos de salário. No Grená, o atacante foi campeão gaúcho ao lado de Luciano Almeida e sob o comando do técnico Tite, hoje na Seleção Brasileira, no ano 2000.

A chegada ao Grená, no entanto, foi quase acidental. Da Associação Rosário, na cidade natal de Delmer, os dirigentes caxienses buscaram a contratação do meio-campista Tiganá, destaque nas competições de base do Rio Grande do Sul. Em conversas com os rosarienses, Delmer e Luciano Almeida foram no pacote à Serra Gaúcha.

Delmer tornou-se o maior artilheiro da história do Caxias, posto que ocupa até hoje, e bateu na trave no acesso à Série A em 2001, em jogo polêmico contra o Figueirense. Em 2002, após briga na justiça, teve o passe vendido ao Tigre. 

"Consegui subir o Criciúma, coisa que não consegui no Caxias. Luciano Almeida, Edson Gaúcho, Cleber Gaúcho e eu chegamos já em pré-temporada. Começou a Série B e no jogo de estreia eu fiz dois gols contra o Etti Jundiaí, inclusive um de bicicleta", recorda o ex-atacante.

Com Delmer, o Criciúma conquistou os dois últimos títulos nacionais, da Série B em 2002 e Série C em 2006. Pelo Tigre, foram 48 gols em 118 jogos durante duas passagens: entre 2002 e 2003 e depois entre 2006 e 2007. A marca levou-o ao posto de décimo maior artilheiro da história do clube, sendo depois ultrapassado por Zé Carlos. 

"Lembro que eu estava entre os 10 artilheiros, sendo que joguei dois anos. Isso é muito importante para a carreira do jogador. Fui para 11º porque o Zé do Gol chegou aí em Criciúma fazendo gol de tudo que é jeito", conta. "Meu número (na camisa) era o 11, agora estou em 11º (na artilharia), então tá ótimo", brinca Delmer. 

Com o coração dividido entre o Grená e o Tigre, os dois clubes em que Delmer entrou para a história, o ex-jogador está atento aos problemas enfrentados pelo Criciúma nos últimos anos. 

"Não pode trocar muito de treinador. Passam muitos, não ficam tempo no clube e não tem aquela identificação, isso atrapalha. Pode-se colocar culpa nos jogadores, mas é tudo uma junção de acontecimentos. Tudo começa de cima para baixo. Enquanto a direção não estiver unida para levantar o Tigre de novo, as coisas tendem a respingar na parte mais importante que é o campo", analisa.

Delmer encerrou a conversa com um recado ao torcedor: para que continue ao lado do Criciúma. "Agradecer ao torcedor o apoio e o carinho que sempre tiveram comigo. Consegui ajudar a conquistar títulos e vitórias. Dizer ao torcedor que acredite, não desista nunca", concluiu.