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Integrante do Não É Não sobre Jessé: "talvez falte pesquisa e aprofundamento"

Mari do Brasil, integrante do coletivo, ressaltou luta pela segurança das mulheres e evitou entrar no mérito das falas do deputado
Heitor Araujo
Por Heitor Araujo Criciúma - SC, 14/01/2020 - 09:28Atualizado em 14/01/2020 - 11:52
Campanha contra o assédio no Carnaval (Foto: Reprodução)
Campanha contra o assédio no Carnaval (Foto: Reprodução)

O movimento Não É Não, que lançou o financiamento coletivo para tatuagens contra o assédio no carnaval, destacou como errôneo o posicionamento do deputado estadual Jessé Lopes (PSL), contrário à campanha. No entanto, a integrante do coletivo, Mari do Brasil, preferiu ressaltar a atuação do movimento em prol da segurança das mulheres, evitando entrar no mérito das declarações polêmicas do deputado.

"O movimento preza pela segurança das mulheres e visa combater e debater a questão do assédio no Brasil. É crime, tido por lei, nossa intenção é falar com as mulheres e ampliar o debate. Entendemos que o nosso foco principal de debate não se encontra nessa afirmação dele, nosso foco é de prestar apoio às mulheres e fortalecer uma rede de apoio nacional entre mulheres que já sofreram assédios, para construir ambiente mais seguro no Brasil todo", disse Mari, em entrevista ao Programa Adelor Lessa da Rádio Som Maior.

O deputado negou que tenha se equivocado sobre o assunto e disse que foi mal interpretado. Jessé afirma que as aspas (que segundo ele próprio foram acrescentadas ao texto em um segundo momento) na palavra assédio dão outro tom ao texto. Para Jessé, quando uma mulher passa em frente a uma obra e recebe gritos vindo de homens, não é assédio, mas sim um "elogio".

"Eles estão elogiando, se ela não quer passar por isso de novo que ela vá por outra rua. Tem muitas formas de você abordar uma mulher, tem gente que é mal educada tem gente que não é, quem vai definir se quem se incomoda com isso ou não é a própria mulher", disse Jessé.

Para Mari, a diferença entre flerte e assédio é bastante clara. "Basta olhar para a questão legal do assunto, a partir do momento que a gente entende que o assédio, que é diferente do flerte e da paquera, fica bastante claro que temos visões bem diferentes. Talvez caiba mais pesquisa e aprofundamento do que uma mulher entende sobre assédio e paquera, que são duas coisas bastante diferentes", destacou.

"Nós temos uma nota pública de apoio às mulheres que sentiram sua dor e luta menosprezadas, mas nossa nota é de apoio às mulheres e não de repúdio a ele, não temos intenção de começar debate verbal e muito menos física contra ele", acrescentou Mari. Confira a nota:

"Nós, integrantes do coletivo Não é Não, viemos através desta manifestar nosso apoio e solidariedade a todas as mulheres que, como nós, tiveram suas histórias de luta – e, por que não dizer, sofrimento – diminuídas pela fala pública de um parlamentar em suas redes sociais.

Para nós, que militamos pelo fim do assédio às mulheres nos espaços públicos em mais de 15 estados brasileiros, é incoerente que um homem alheio às questões que discutimos e combatemos utilize seu espaço de poder para propagar desinformação e argumentos confusos sobre a atuação do coletivo.

É extremamente triste perceber, em atitudes como esta, a persistência de uma cultura machista e misógina, que continua a perpetuar e defender o comportamento de assediadores. Para além de confundir a opinião popular sobre a atuação de coletivos como o nosso, esse tipo de manifestação ofende e desrespeita mulheres que já sofreram episódios de violência e que trabalham voluntariamente para levar informação e apoio a outras mulheres que já foram coagidas, constrangidas, invadidas ou violentadas.

Aproveitamos para reforçar que assédio sexual é a forma mais comum de importunação sexual – ato que virou crime através da Lei 13.718/18 e prevê de 1 a 5 anos de prisão. Configura-se como provocações inoportunas, capazes de criar situações ofensivas, de intimidação ou humilhação a uma mulher. Pressupõe uma conduta sexual não desejada, não se considerando como tal o simples flerte ou paquera.

Nossa luta não retira direitos das mulheres, mas sim, busca a garantia efetiva de direitos constitucionais básicos, como o de ter liberdade de ir e vir em segurança. Em 2020 estaremos tatuando em todas as regiões do país, disseminando e levando nossa mensagem de apoio na própria pele – Não é Não é uma causa, um carimbo de apoio e acolhimento. Neste carnaval, convocamos você a lutar com a gente pelo fim do assédio – use a roupa e o batom que desejar, vai de saia ou de maiô, se pinte, se tatue e, se topar com alguma mulher em situação de perigo, interfira, apoie, acolha".

O financiamento coletivo para a confecção das tatuagens do Não É Não, um movimento sem fim lucrativos, é feito online