Ir para o Conteúdo da página Ir para o Menu da página
Carregando Dados...

Gestão que dá certo deve continuar, frisa Walter Ney Junqueira

Presidente da Unimed por 20 anos, ele se deixará o cargo em breve
Por Erik Behenck Criciúma - SC, 31/03/2019 - 15:16
(fotos: Arthur Lessa)
(fotos: Arthur Lessa)

O sonho dele era trabalhar com cinema, mas acabou tomando o rumo da medicina. Paranaense, filho de dentista e professora, neto de músico e político, Walter Ney Junqueira está há 20 anos na Unimed e deixará a presidência em breve para a posse de Leandro Avany Nunes. Essas histórias foram contadas no Nomes & Marcas deste fim de semana.

Nasceu por acaso em Arapongas (PR), quando seus pais foram visitar um dos avôs, depois cresceu na capital Curitiba. Junqueira ainda nem pensava em cursar medicina na juventude. “Quando era garoto eu queria ser diretor de cinema. Eu era fanático por televisão e por cinema, pegava a câmara e queria gravar. Mas, não tive essa oportunidade”, contou.

O tempo foi passando e o desejo mudou. O novo sonho era estudar na Universidade Federal do Paraná (UFPR). Ele não foi aprovado. Então prestou vestibular na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), chegando ao estado. Se casou com uma criciumense e então veio para o Sul Catarinense. Desde 1999 faz parte da Unimed.

A história na Unimed

Na Unimed desde o fim do século, ele passou a se dedicar mais desde a abertura do hospital, quando deixou o seu consultório em 2008. “Foi uma decisão difícil, mas eu não me arrependo. Eu estudei muito sobre administração, a Unimed é uma entidade complexa e trabalhar com médicos não é fácil. Eu percebi que era preciso estar presente nos momentos de decisões”, afirmou.

Assim que foi convidado para ser presidente, ainda sem experiência, buscou a qualificação que o cargo exigia. “Fiz uma pós-graduação no Paraná sobre sistemas de saúde, foi de praticamente oito meses. Eu gostei bastante e depois fiz um MBA empresarial, fiz outro na área de saúde. Tive cinco pós-graduações na área de saúde”.

Hoje a Unimed tem orçamento mensal de R$ 23 milhões mensais e conta com centenas de funcionários. “Eu olho tudo aquilo ali e lembro que não tinha nada, que era uma estrada de chão batido. Me orgulha também, hoje a Unimed emprega 600 pessoas, então fiz algo pela cidade que me recebeu de braços abertos”, comentou.

Segundo ele, mais 400 colaboradores devem ser contratados com o fim das obras na unidade. A segunda parte deve ser finalizada dentro de um ano e meio. Pensa que é complicado trabalhar com médicos, sendo necessária uma flexibilidade. Para Walter Ney, gestão que dá certo deve continuar, por isso ficou 20 anos na presidência.

A saúde pública

Durante nove meses Walter Ney Junqueira foi secretário municipal de Saúde, no mandato de Anderlei Antonelli. Assim conseguiu comparar com o sistema público com o sistema privado. Hoje ele acredita que a cidade segue sem referências para cirurgias cardíacas, mas a rede de médicos da família é boa.

“Tem a morosidade para construir as coisas. Na Unimed se precisar de um muro eu faço em três dias, na vida pública tu leva três meses. Inaugurei a UTI neonatal do Hospital Santa Catarina, mas eu tive que pegar o meu pessoal, senão não saia do papel”, comentou o médico.

De acordo com ele, seria interessante uma rede de especialistas para reduzir filas. “Eu faria UPAs regionais, eu não teria tantas unidades de saúde como Criciúma tem hoje. Na época eu fiz o estudo e dizia que precisava de nove unidade, mas todas bem completas. Aqui nós temos unidades de saúde em ruas próximas. Hoje as pessoas estão indo pelo lado mais básico da saúde”.

Música

Neto de maestro do exército, Walter Neyi seguiu o gosto pela música desde os oito anos de idade. “Tenho acordeon, violão e piano. Nós temos uma banda da época da juventude, ela tem 52 anos. A gente se reúne de vez em quando”, comentou. Ele e seus amigos fazem um baile por ano, tocando por mais de 4 horas em Paranaguá.

Novos passos

“Na Federação das Unimeds tem muita coisa a ser feita. Na realidade eu preferia ficar aqui, mas com 20 anos existe um desgaste natural. O meu grande problema é ir para Joinville toda semana, são 400 km para ir e para voltar. Eu não tenho muitos planos além disso, vou ficar lá os quatro anos e depois provavelmente vou fazer algo mais leve”, destacou.