Um esquema de compra de votos em Timbé do Sul, no Sul de Santa Catarina, foi descoberto pela Polícia Civil a partir da prisão de um traficante de drogas e da análise do celular apreendido, que revelou conversas e indícios de negociação eleitoral envolvendo um vereador e eleitores durante as eleições de 2021 e 2022.
O caso chamou a atenção das autoridades não apenas pela prática criminosa, mas pela forma como teria sido executado. O delegado Lucas Fernandes da Rosa, responsável pela investigação, afirma que em 17 anos de carreira, nunca havia se deparado com uma dinâmica semelhante.
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Segundo as apurações, o esquema consistia na suposta liberação de um traficante por parte de um vereador para intermediar a compra de votos, utilizando cocaína como forma de pagamento, equivalente a cerca de R$ 50 por negociação.
A investigação teve início após a prisão do suspeito por tráfico de drogas durante uma ação policial no interior do município. Na abordagem, os policiais encontraram pequena quantidade de entorpecentes, o que motivou a abertura de inquérito. Com isso, o pedido de quebra de sigilo do celular apreendido e a próxima etapa que permitiu avançar na identificação do suposto esquema.
“Na delegacia, com o inquérito policial, foi feito o pedido de quebra de sigilo do celular e assim chegamos a todo o esquema de vendas de drogas”, relatou o delegado.
Mensagens, controle de eleitores e uso de dados pessoais
Segundo a Polícia Civil, através do aparelho, os investigadores teriam recuperado conversas com ao menos 11 pessoas, sendo que três delas, teriam sido pagas com cocaína. Além disso, o material indicaria o envio de fotos de títulos de eleitor, que seriam usadas para identificar zonas eleitorais e controlar a confirmação dos votos.
“A foto do título de eleitor era uma forma de monitorar a seção e a sala da pessoa. Eles registravam essa troca de voto e depois, após as eleições, conferiam essa lista”, explica Rosa.
Ainda conforme a investigação, o candidato identificado como Sadi Vieira (PP) teria sido apontado como beneficiário do esquema. Mesmo sob investigação, ele foi eleito e exerceu mandato na Câmara de Vereadores, sendo condenado por corrupção eleitoral apenas no último mês de seu mandato, em 2024.
Suposto beneficiário e desdobramentos judiciais
A Polícia Civil afirma que o cruzamento de dados e mensagens apontam que um candidato a vereador seria o principal beneficiado pelo esquema, com registros de conversas antes e depois das eleições indicando acompanhamento da contabilidade dos votos.
O caso resultou na responsabilização dos envolvidos perante a Justiça Eleitoral, com condenação que reconheceu a prática de corrupção eleitoral identificada nas investigações.
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