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Falta de chuva pode trazer prejuízos nas lavouras de arroz e fumo

Precipitações em dezembro devem ficar abaixo da média, a exemplo de outros quatro meses no segundo semestre
Heitor Araujo
Por Heitor Araujo Criciúma - SC, 07/12/2019 - 15:40Atualizado em 07/12/2019 - 15:40
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

O segundo semestre de secas ainda não trouxe sérios prejuízos à agricultura no Sul catarinense, mas a previsão para este fim de ano não é animadora. A exemplo de quatro, dos últimos cinco meses, dezembro deverá ter chuvas abaixo da média. A previsão é de 120 milímetros de precipitação, o que pode ser um problema para os produtores de arroz e de fumo.

Uma massa de ar polar seca paira sobre a região, trazendo temperaturas mais baixas durante a noite e amenas durante os dias. As chuvas parecem não chegar nas previsões das estações meteorológicas. Segundo o climatologista Márcio Sônego, a única precipitação no radar está prevista para a próxima quinta-feira, mas em fraca intensidade.

Assim, produtores de arroz da região, cujas lavoras foram recém implantadas ou ainda estão na fase da formação da panícula, podem sofrer com a estiagem recente. 

"Poderão ter mais prejuízos com a redução da produtividade. Outra situação peculiar é dos agricultores que utilizam água do Rio Araranguá. Embora no rio tenha água em abundância, aquela água não serve para a irrigação porque a água do mar adentrou rio acima e salgou a água, inviabilizando o seu uso", afirma o engenheiro agrônomo da Epagri, Reginaldo Ghellere.

Os plantadores de fumo do extremo sul também podem sofrer com a falta de chuva, a exemplo do que aconteceu em setembro - quando choveu apenas 40 milímetros, bem abaixo da média do mês, que é de 129. 

Fumicultores podem sentir os prejuízos da estiagem
(Foto: Guilherme Hahn / Arquivo / A Tribuna)

"Esse período de calor e com falta de chuva está fazendo as lavouras dos solos argilosos acelerar a maturação do fumo ainda no campo. E, como as estruturas de secagem não estão projetadas para essa demanda, muitos agricultores não conseguem colher o fumo no ponto ideal, reduzindo a qualidade das folhas colhidas", explicou Ghellere.

Se a projeção não é das mais otimistas para um dezembro de chuvas abaixo da média, até o momento, mesmo com as poucas chuvas no segundo semestre, não foram detectados grandes prejuízos nas lavouras da região. "No mês de outubro de uma recuperada boa", aponta Edson Teixeira, gerente regional da Epagri, lembrando dos 202 milímetros de precipitação - acima dos 133 de média.

Além dos produtores de arroz e de fumo, Edson destacou as lavouras de milho com potencial a serem prejudicadas pela falta de chuvas. "Se mantiver o quadro de estiagem, a principal lavoura a ser afetada é do milho, mas também do arroz porque chega num período crítico da cultura. Na fruticultura a estiagem na época da colheita dá uma doçura aos frutos". 

Na avaliação da Epagri, mais 20 milímetros de chuvas nos próximos dias pode salvar os produtores neste final de ano. Se a estiagem permanecer até o próximo dia 20, os prejuízos podem começar. 

Estiagem na época da colheita concentra mais açúcar nos frutos (Foto: Divulgação)