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Especialistas analisam impactos da onda Bolsonaro e das mídias sociais na eleição municipal

Debate do Programa Adelor Lessa trouxe as opiniões de Moacir Pereira, Upiara Boschi e Alessandra Koga sobre municipais de 2020
Heitor Araujo
Por Heitor Araujo Criciúma - SC, 21/01/2020 - 08:45Atualizado em 21/01/2020 - 09:05

A onda bolsonarista e o uso das mídias sociais causou um rebuliço nas eleições de 2018, com resultados que surpreenderam até os institutos de pesquisas. Ainda é difícil entender como esse movimento se refletirá nas eleições municipais, que ocorrem em outubro deste ano. Especialistas em jornalismo político participaram de um debate no Programa Adelor Lessa desta terça-feira, 21, na Rádio Som Maior.

A grande pergunta é se o movimento conservador que ajudou na eleição de Jair Bolsonaro, Carlos Moisés, dentre outros governadores, senadores e deputados pelo país, continuará ditando as cartas nas urnas.

"Ainda é muito difícil mapear os efeitos da onda conservadora que elegeu Bolsonaro. Como ele se aplica numa eleição municipal, em que os candidatos são muito mais conhecidos do eleitor. É mais difícil votar em quem não conhece, como aconteceu com a onda 17 aqui em Santa Catarina", avalia o jornalista Upiara Boschi, do grupo NSC. 

Moacir Pereira, também do grupo NSC, acredita em mudanças eleitorais para 2020. "Acho que vai ser muito diferente, por várias razões. O 17 que elegeu deputados, senadores, presidente e governadores, está totalmente esvaziado. A eleição municipal tem motivação diferente da estadual e presidencial, é uma disputa mais local em que os eleitores conhecem mais os candidatos, há relações corporativas, familiares, comunitárias", apontou.

Essa alteração na tendência, em um intervalo de dois anos, não seria nenhuma novidade, de acordo com Upiara. "A onda Bolsonaro não foi a primeira. Em 2002 a onda Lula elegeu nove deputados estaduais. Em 2004, a onda não tinha o efeito tão grande, porque existia um governo para ser confrontado, os políticos tradicionais se rearranjando. Tem um dado novo que é a questão da antipolítica e campanha de rede social", disse.

Para Moacir, 2020 será um ano de teste para o poder dos métodos ainda não-tradicionais de fazer política. "Vai ser um grande teste em relação ao poder das redes sociais. Os grupos continuam replicando informações, fazendo reparo às mídias tradicionais. Vai ser um teste diferente. Imagino que teremos uma nova experiência política-eleitoral".

A especialista em mídias sociais, jornalista Alessandra Koga, colunista do Portal 4oito, atesta que a parte digital será essencial para qualquer campanha. "Fake News na última eleição foi determinante para o TSE mudar as regras. Não vai ser eleição para qualquer um liderar, porque as leis estão mais severas e pode até gerar cassação. Nesse momento as pessoas sabem mais sobre política e as redes sociais são o melhor canal para isso. Além do corpo a corpo, vai ter que ter a parte digital. Não só o candidato, mas toda a equipe vai ter que estar antenado".

Upiara destaca que será um teste, também, para os candidatos bolsonaristas. O fato de Aliança Pelo Brasil não conseguir a regularização a tempo das eleições também deve trazer efeitos nas urnas.

"O partido do Bolsonaro não vai sair (do papel), vai ficar uma briga pelo bolsonarismo no Estado. Não aí em Criciúma, que o grupo é mais coeso. A gente vai conseguir ver o que é Bolsonaro, o que é conservador, o que é mudança, o que é antipolítica. Vamos ver como os partidos tradicionais vão sobreviver, especialmente nos pequenos municípios. Tem muita gente que volta ao normal, o jeito mais tradicional de fazer político se recupera, que é o mais comum após as ondas, ou se essa onda se mantém. A resposta vem em outubro", conclui.