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Empresário desmente versão de Pauli e afirma que houve fraude na compra com a Veigamed

Ceo da Exxomed, Onofre Neto, disse que respiradores foram superfaturados e alertou Estado que não havia sido feito nenhuma compra na China
Heitor Araujo
Por Heitor Araujo Florianópolis - SC, 04/06/2020 - 11:42Atualizado em 04/06/2020 - 11:45
Depoimento de Onofre foi por vídeo conferência (Foto: Reprodução)
Depoimento de Onofre foi por vídeo conferência (Foto: Reprodução)

O depoimento do empresário Onofre Neto, Ceo da Exxomed, à CPI dos Respiradores coloca em cheque a versão da ex-superintendente de Gestão Administrativa, Márcia Pauli. Onofre afirmou que a Exxomed seria a única empresa com licença para importação dos modelos de respiradores mecânicos vindos da China e que teria comunicado a servidora, no dia 2 de abril, que não havia sido feita compra dos equipamentos pela Veigamed na China.

Onofre também disse que Márcia mentiu quando falou sobre a reunião em que esteve com o empresário. Onofre estava em Santa Catarina no dia 2 de abril para conseguir um passaporte especial e ingressar na China, à época com a entrada no país proibida para passaportes comuns. O empresário alega que iria para a China convidado por Leandro Estevão, da Ortomedical, para tratar das importações de equipamentos em geral.

Com a necessidade do passaporte especial, Onofre - que é catarinense, mas reside em São Paulo há 12 anos - afrima ter vindo a Santa Catarina para pedir uma carta a ser encaminhada para o ministério de Relações Exteriores e conseguir o passaporte especial. Durante reunião com representantes do Estado, que inclui Márcia Pauli, o empresário disse ter ouvido da servidora sobre a compra dos respiradores.

"O motivo da reunião para qual eu fui convidado era para aluguel de respiradores. Nessa reunião a Márcia comentou que o Estado já havia fechado uma compra com a Veigamed de uma empresa chinesa", alegou Onofre. A menção da compra causou estranheza ao empresário, que não conhecia nenhuma empresa chamada Veigamed. 

"Eu disse que desconhecia qualquer compra de qualquer empresa, exceto Intelbrás, para a compra de equipamentos para Santa Catarina. A Márcia primeiro me chamou de atravessador e eu falei que estava à convite na reunião para chancelar a compra dos equipamentos e expliquei o procedimento", explicou. 

De acordo com Onofre, a Exxomed detém o registro do equipamento no Brasil e responsáveis por manutenção, treinamento e mão de obra para instalação do equipamento. Ele disse que o equipamento comprado pelo Estado a R$ 165 mil a unidade foi vendido no Brasil pelo preço de R$ 78 mil. "Foram vendidos para Bahia, Ceará, Rio de Janeiro e deve chegar até agosto mais de 5 mil equipamentos", aponta o empresário.

A proposta da Veigamed, segundo Onofre, usava material da Exxomed para impressionar o Estado. "A Veigamed nunca fez contato com a Exxomed e usou de forma indevida o material. Falo como catarinense. Esse processo do início ao fim está errado e não acredito que o Estado não tenha meios legais de identificar um processo desses, com pagamento antecipado e entrega que não chegou, tem alguém interessado por trás", critica. 

Onofre disse que ouviu absurdos no depoimento de Márcia Pauli. Sargento Lima (PSL) pediu para o empresário explicar ao que ele se referia. "Ela disse não ter livre acesso na Defesa Civil e que só entrou no prédio duas vezes. O secretário-adjunto e o secretário Helton me pegaram pelo braço e me levaram para uma sala. Eu não conheço o secretário Helton e só estive na sala para essa reunião. Terceiro, que foi feito pressão de que um deputado ligou, eu nunca tive contato com deputado nenhum", afirmou.

Márcia Pauli disse que o gabinete de um deputado havia ligado para ela, na época da viagem de Onofre à China, para agilizar a documentação para o passaporte do empresário. Onofre disse que ficou quatro dias em Santa Catarina e pela demora da emissão, acabou voltando a São Carlos, cidade onde reside. O empresário afirma também que no dia 6 de abril encaminhou e-mail ao então secretário-adjunto, André Mota, que não havia sido feito nenhum pedido pelas empresas citadas na compra de respiradores na China. 

O Ceo da Exxomed disse, ainda, que a empresa está sendo prejudicada na mídia. "Colocaram 'agora apareceu uma empresa, a Exxomed'. Eu não podia ficar calado vendo tanta coisa errada e não me manifestar. A empresa está sendo prejudicada e estão falando o nome dela de forma equivocada. Se meu filho fosse comprar ventiladores, colocaria no google e acharia a Exxomed. Nós impetramos mandado de segurança para tomar conhecimento do processo e saber o que está chegando. A mídia falava cada hora em um equipamento", disparou o empresário. 

Sargento Lima questionou se a Exxomed entrará com ação contra a Veigamed. "Só tivemos conhecimento da Veigamed através da imprensa, nunca tivemos contatos com ele, mas estamos estudando", finalizou.  O depoimento de Onofre Neto durou pouco mais de uma hora. O segundo e último deponte do dia é o agora secretário da Saúde, André Mota Ribeiro. 

Tags: respiradores