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Dois pareceres contra os mergulhos na Centenário

Empresários contratam estudos técnico e jurídico que reprovam obra planejada. Licitação aberta até amanhã
Denis Luciano
Por Denis Luciano Criciúma, SC, 09/04/2019 - 07:01
Fotos: Daniel Burigo / A Tribuna / Arquivo
Fotos: Daniel Burigo / A Tribuna / Arquivo

Termina amanhã o prazo para entrega de propostas pelas empresas interessadas em executar a travessia de pedestres na Avenida Centenário, defronte ao Terminal Rodoviário Algemiro Manique Barreto. Trata-se de um projeto de R$ 2,6 milhões que vem causando polêmica. A intenção é rebaixar parte da avenida no chamado “mergulho” para a passagem dos veículos.

“Os pedestres atravessarão no mesmo nível da avenida, por uma estrutura metálica”, confirma a secretária de Infraestrutura e Mobilidade Urbana de Criciúma, Kátia Smielevski.
O empresário Gilson Pinheiro, um dos sócios-proprietários do Hotel Interclass, empreendimento vizinho da futura obra, tem sido uma das principais vozes contra a intenção do município. “Queremos saber, por parecer técnico, o tamanho do descaso com o dinheiro público que está se cometendo. Essa escolha do prefeito é uma insensatez”, destaca.

Pinheiro recebeu no fim de semana o resultado de um parecer técnico que contratou com parceiros junto ao arquiteto e urbanista Edson Marchioro. “Um dos principais profissionais dessa área no Brasil. Ele não recomenda fazer esse buraco na avenida”, afirma o empresário. “No parecer, consta que o modelo escolhido nem de longe é a melhor opção”, reforça.

A sugestão apontada pelo urbanista para viabilizar a passagem segura dos pedestres é mais simples. “No parecer consta que o problema estaria resolvido com faixas de pedestres e semáforos, na altura de uma sorveteria ali, sincronizando com outros semáforos e não engarrafando o trânsito. É uma solução barata, sem impacto, e os semáforos poderiam até ser desligados à noite e religados nos horários de pico”, sugere. “Seria uma faixa de cinco centímetros de elevação, toda pintada de amarelo. E, claro, investir em educação no trânsito”, completa.

O empresário menciona ainda, a preocupação com os alagamentos. “Em Fevereiro, alagou tudo aqui na frente. Parece um absurdo o prefeito gastar milhões construindo um buraco onde alaga. É para encher de água?”, indaga. “A passagem ficará acima do nível do Rio Criciúma, e não haverá alagamentos no local”, responde a secretária Kátia. A obra prevê, também, reformulação das calçadas e construção de uma praça, com previsão de conclusão em doze meses.

Ida à Justiça e impacto econômico

Haverá, na avaliação de Pinheiro, impacto para o comércio local, tanto que um abaixo-assinado circulou entre os empreendedores do ramo hoteleiro. “São pelo menos seis hotéis, algum pode até fechar. O nosso hotel recebeu 30 mil clientes no ano passado, os outros da vizinhança também. Todo esse público vai ser afetado diretamente pela obra’, lembra. Outros lojistas nem conhecem o projeto, não foi mostrado para eles. Fizeram uma audiência pública em época não adequada”, reclama o empresário, lembrando que a audiência para exposição do projeto foi realizada em 12 de dezembro do ano passado. 

Em paralelo ao parecer técnico, Pinheiro contratou um parecer jurídico. “Que também tem argumentos consistentes e contrários a essa obra”, antecipa. “Agora vamos decidir o que fazer com todos esses documentos. Há problemas jurídicos que poderão ser questionados nessa intervenção, e não descarto a possibilidade de judicializar sim”, observa. Mas a decisão de ir à Justiça ou não contra a obra ainda não está tomada.