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Deputado Ivan Naatz prega cautela a Moisés: "tem que parar de baladinha na Agronômica"

Parlamentar do PL está no Sul catarinense cumprindo agenda e disse que governador corre o risco de ser afastado do cargo
Heitor Araujo
Por Heitor Araujo Criciúma - SC, 16/01/2020 - 08:53Atualizado em 16/01/2020 - 08:54

Cumprindo agenda no Sul catarinense, o deputado estadual Ivan Naatz (PL) falou sobre o pedido de impeachment do governador Carlos Moisés. Na avaliação do deputado, Moisés está com a figura política desgastada por uma série de decisões tomadas ao longo de 2019, como o caso das alíquotas do ICMS. Para Naatz, esse pedido de impeachment não deve proceder, mas o governador deve tomar cuidado para o futuro e "esquecer o tempo dele de quartel".

O pedido de impeachment partiu do defensor público Ralf Zimmer Júnior e tem como justificativa o aumento via decreto do governador para os procuradores do Estado. Ivan Naatz analisa como bem embasado os pontos levantados pelo defensor.

"Conheci o teor do documento, é extenso. Não foi feito por um lunático, é um jurista reconhecido que coordenava a defensoria de Santa Catarina. É preciso ouvir o governo", analisou Naatz, que refutou a defesa apresentada pelo governo até agora. "Oque eu vi pela imprensa é que o governador fez a defesa numa sentença (que exigia a determinação do aumento). Até agora essa sentença não apareceu. Se não tiver, qual vai ser o procedimento? O que a gente encontrou é que não podia fazer o aumento", disse o deputado, natural de Blumenau.

Naatz relembrou o episódio do impeachment de Dilma Rousseff, em pedido protocolado pela jurista Janaína Paschoal, em conjunto com Miguel Reale Júnior e Hélio Bicudo. O pedido avançou rapidamente no Congresso Nacional e a votação foi arrasadora contra a ex-presidente, que havia perdido o apoio dos partidos aliados como o MDB e PP.

"Existem coisas que são forma, que têm ritual. O governo sangra aos poucos, o que é ruim. Ninguém vai tirar o governo por causa disso (decreto do aumento de salário), mas as coisas vão acontecendo, como aconteceu com a Dilma", avalia Naatz. O deputado teceu críticas quanto ao comportamento do governador, especialmente nas decisões tomadas sem o aval da Assembleia.

"Ele tem que esquecer o tempo dele de quartel, isso não existe mais. Tem que parar com a baladinha na Agronômica, o chopinho, churrasquinho e musiquinha. Ele tem que entender que agora é uma figura visada. Corre-se o risco de associar fatores que vão tirá-lo do governo".

Novo bloco

Naatz foi eleito pelo PV, mas migrou para o PL no meio do mandato. Em seu novo partido, espera pela reunião que vai definir os rumos da sigla na Alesc. No entanto, o deputado falou sobre o novo bloco que pretendem formar em conjunto com a dissidência do PSL catarinense.

"Nós tínhamos a liderança do governo, o deputado Mauricio Eskudlark colocou-se à disposição para ajudar neste primeiro ano, mas já comunicou a saída para buscar a independência. Vamos constituir um bloco junto com o PSL bolsonarista, com oito deputados e mais alguns sem orientação". 

Cautela

O pedido de impeachment de Carlos Moisés é recebido com cautela pelas lideranças políticas. Possível futuro líder governista na Alesc, o deputado Luiz Fernando Vampiro evitou entrar no mérito do processo e disse que, mesmo com a probabilidade de ser rechaçado na Assembleia, deve gerar desgaste político ao governador. 

O deputado Rodrigo Minotto (PDT), que aproximou-se da gestão Moisés e é um dos parlamentares do bloco de apoio do governador na Alesc, disse não ter conhecimento sobre os autos e que não vai se manifestar antes do retorno do recesso.

Por outro lado, o presidente estadual do PSL, o deputado federal Fábio Schiochet, foi incisivo contrariamente ao pedido de impeachment. Na avaliação do deputado, o processo encaminhado pelo defensor público é "sem pé nem cabeça" e que não deverá implicar em problemas para o governo do Estado.