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Depois de oito anos, MDB volta à presidência da Câmara

O ano é eleitoral e promete ser tenso, com muitas mudanças de partidos no Legislativo
Denis Luciano
Por Denis Luciano Criciúma, SC, 08/01/2020 - 18:29Atualizado em 08/01/2020 - 18:58
Tita Beloli, o novo presidente da Câmara / Divulgação
Tita Beloli, o novo presidente da Câmara / Divulgação

O MDB volta a presidir a Câmara de Vereadores em Criciúma depois de um bom tempo. O último ano do Legislativo sob comando de um emedebista foi 2012, quando Toninho da Imbralit exerceu o segundo ano consecutivo na função. Ele já havia dirigido a Casa em 2011 e, antes dele, o presidente havia sido o hoje ex-vereador Edinho do Nascimento (então no PMDB), em 2009 e 2010.

A volta do partido ao comando da Casa será com o vereador Tita Beloli, a ser eleito em chapa única na eleição marcada para as 20h desta quarta-feira, 8, no Legislativo criciumense. Tita vai ser o presidente durante todo o ano de 2020 com os vereadores Aldinei Potelecki (Republicanos), como vice-presidente; Paulo Ferrarezi (MDB), primeiro secretário, e Edson Paiol (PP) como segundo secretário.

Os últimos presidentes da Câmara

2009 e 2010 - Edinho do Nascimento (PMDB)

2011 e 2012 - Toninho da Imbralit (PMDB)

2013 - Itamar da Silva (PSDB e PROS)

2014 - Tati Teixeira (PSD)

2015 - Ricardo Fabris (PDT)

2016 - Daniel Freitas (PP)

2017 e 2018 - Julio Colombo (PSB)

2019 - Miri Dagostim (PP)

Tita deverá contar com 14 votos a favor. O indicativo é que ele não terá apoio somente da bancada do PSD, com os vereadores Zairo Casagrande, Salésio Lima e Camila do Nascimento devendo se abster na votação. "A bancada do PSD vai se retirar do plenário pois entendemos que houve uma intromissão indevida do Executivo no Legislativo neste caso", reclamou Casagrande. Conforme o vereador, o prefeito Clésio Salvaro (PSDB) repassou uma orientação à bancada do PSDB que modificou acordo anteriormente estabelecido. "Se não fosse essa intromissão o presidente que seria eleito hoje ou era o Daito Feuser (PSDB) ou o Salésio Lima (PSD)", apontou o parlamentar.

O PSD tem votado contra o governo Salvaro por unanimidade em pautas recentes e polêmicas, como a reforma municipal da previdência. Zairo - que já vem com postura independente faz tempo, inclusive está de saída do PSD -, Salésio e Camila votaram contra o projeto que alterou a estrutura dos conselhos do Criciumaprev na sessão extraordinária desta terça-feira, 7.

Salésio, Camila e Zairo na sessão de ontem

A despeito dessa crise do PSD, o MDB conquista a presidência depois de uma certa queda de braço nos bastidores. Houve, a certa altura, indicativo de formação de chapa encabeçada por Salésio Lima ou Dailto Feuser, mas nenhuma das propostas avançou. Tita Beloli conquistou o apoio do prefeito Salvaro, que conta com seu líder na Câmara, vereador Aldinei Potelecki, como vice-presidente da mesa a ser eleita nesta quarta.

Tita conta até com votos de vereadores de postura independente, como Julio Kaminski (ainda no PSDB) e Ademir Honorato (ainda no MDB), ambos de saída dos seus partidos. "Contamos com os votos desses vereadores sim", confirma Tita. "Tivemos boas conversas com ambos. O Ademir, por exemplo, mesmo de saída do MDB vai estar conosco", referiu o futuro presidente.

Mas a Câmara chega dividida à eleição de seu novo presidente. Nesta terça, o Executivo conseguiu aprovar por 10 votos a 7 o projeto dos novos conselhos Deliberativo e Fiscal do Criciumaprev. Com a oposição, além dos independentes Kaminski e Ademir, votaram os vereadores do PSD mais Paulo Ferrarezi (MDB) e Edson Paiol (PP), que também tem sido frequente nas manifestações contrárias ao Paço.

Troca-troca

O ano é eleitoral, e a janela legal de março deverá oportunizar algumas trocas de partido. O vereador Miri Dagostim chegou a cogitar, recentemente, uma possível saída do PP caso o partido não organize uma nominata de peso para a Câmara. Ele defende, ainda, que o ex-deputado Jorge Boeira assuma logo a condição de pré-candidato a prefeito pelo partido. Não está descartada a migração de Miri, que deixou a presidência da Câmara nesta terça.

Miri está preocupado com a legenda do PP para a eleição

Mudanças certas serão as de Zairo Casagrande, Julio Kaminski e Ademir Honorato, justamente os parlamentares de postura mais independente das suas atuais siglas na atual legislatura. Zairo divergiu do PSD desde o primeiro ano de mandato, tanto que há tempo está liberado para achar outra sigla. Garante que possui seis convites, e os analisará para tomar uma decisão em março. Entre os possíveis destinos dele, estão o PP e o PDT.

Zairo de saída. Só falta definir o futuro partido

Ainda do PSD, a se olhar com atenção sobre o futuro de Salésio e Camila no partido, dúvida que fica no ar fruto da instabilidade posta agora nas relações entre eles e a sigla.

Julio Kaminski, ainda filiado ao PSDB, faz movimentos indicando sua pré-candidatura a prefeito. Teve namoro forte com o PSL, mas a conversa não evoluiu. Hoje, está mais próximo do DEM, embora opere também com o Podemos. Ademir é bolsonarista, acompanharia o presidente no PSL mas com a guinada rumo à Aliança, está esperando pelo novo partido. Enquanto isso, precisará de um abrigo para concorrer em 2020. Não há de se estranhar se busque legenda no PL, do senador Jorginho Mello, para onde irão provisoriamente muitos dos ex-PSL em Santa Catarina.

Kaminski pode ser o candidato do DEM a prefeito em outubro

E tem Dailto Feuser, que vem não é de hoje trocando farpas com o comando local do PSDB. Deve sair do ninho tucano, e indica uma possível ida para o PDT.

O vereador Pastor Jair Alexandre deixará o PSC. Vai migrar para o PSD, fato que já foi anunciado em reunião do partido no fim do ano passado. Chegará em um PSD em profunda crise, com o racha entre a bancada na Câmara e o vice-prefeito Ricardo Fabris. Pastor Jair segue um rumo previsível de vereadores de partidos pequenos, que buscarão espaço em legendas maiores para garantir suas reeleições, já que a proibição das coligações vai fulminar os partidos de menor porte.

Situação delicada vive o vereador Aldinei Potelecki. Com o fim da coligação proporcional, o Republicanos precisará montar base para fazer legenda. Na eleição passada, Potelecki - que é pastor da Igreja Universal, e tem base eleitoral entre os fiéis - elegeu-se como candidato único do PRB em uma ampla coligação. Agora, terá que reforçar a legenda, da qual não pode sair pelos compromissos associados à sua denominação religiosa.

Potelecki precisa reforçar o Republicanos

Houve tempos em que o vereador Julio Colombo esteve às turras com o PSB. Ficou por bastante tempo sem contato com o líder principal do partido na região, o empresário Henrique Salvaro, tio do prefeito Clésio Salvaro. Mas os ânimos serenaram, houve uma reaproximação e Colombo deve ficar no PSB. Quando chegou a afirmar que sairia, estava na mira do PP e do PSD.

Chegou a se colocar como certa, em determinado momento, a migração do vereador Toninho da Imbralit do MDB para o PSD, mas a troca não se consumou. Logo, caiu no esquecimento.

Muitas surpresas vêm aí para temperar um ano eleitoral que promete, e muito!