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Débora Zanini: a carreira de uma juíza respeitada na região

Débora foi a convidada do Nomes & Marcas deste fim de semana, onde relembrou sua jornada como juíza e contou histórias que a levaram a escrever um livro
Paulo Monteiro
Por Paulo Monteiro Criciúma, SC, 30/11/2019 - 14:35Atualizado em 30/11/2019 - 20:10
Foto: Arthur Lessa
Foto: Arthur Lessa

Ela é uma figura conhecida, admirada e, acima de tudo, muito respeitada em toda Criciúma e região. Uma mulher referência, com uma liderança muito forte e marcante. Formada em Direito há mais de 20 anos, a juíza Débora Zanini foi a convidada deste final de semana do programa Nomes & Marcas, onde contou histórias que marcaram as suas duas décadas de magistrado
 
Nascida em Ijuí, Rio Grande do Sul, Débora veio para Santa Catarina ainda criança, após seu pai ter passado em um concurso para atuar como delegado em Caçador. Alguns anos depois, ele acabou sendo promovido e, junto de toda a sua família, se mudou para Araranguá - cidade muito amada pela juíza.
 
“Me considero de Araranguá porque foi lá onde começou a minha vida de adolescente, onde eu arranjei o meu primeiro emprego, no Bradesco. Lá eu tive a melhor experiência da minha vida, guardo no fundo do meu coração o banco, e ouço dizer que só sou o que sou por causa do trabalho que realizei no Bradesco”, afirmou.
 
Enquanto estudante, a rotina de Débora era cansativa. Trabalhava o dia inteiro, saía do expediente diretamente para o ônibus escolar em direção a Tubarão, onde estudava direito a noite inteira, e retornava para casa à meia noite. “No dia seguinte, era todo aquele cansaço novamente”, relembrou.
 
Na faculdade, ela tinha o sonho de prestar um vestibular para atuar como juíza - apesar de não saber exatamente o que tal profissional fazia. E o sonho acabou se realizando. Em seu primeiro vestibular, passou e, pouco tempo depois, foi atuar como juíza substituta em Araranguá - um grande desafio, segundo Débora. 
 
“Eu sempre me preparava muito, fazia o dever de casa e, como eu era conhecida na cidade, pensava que teria um compromisso maior. Eu sabia que seria testada, que os advogados me conheciam e que iam me testar”, afirmou a juíza, que levava todos os processos um dia antes para casa para estudar. 


 
Débora passou por Araranguá, Anchieta, Armazém e Urussanga, até chegar em Criciúma para atuar na segunda vara criminal - o trabalho mais difícil que já realizou. “Estou há oito anos em Criciúma, seis na segunda vara criminal e dois na execução penal. Tenho quase 20 anos de magistratura”, comentou.
 
E o difícil e pesado trabalho como “chefe de presídio” rendeu a juíza histórias memoráveis e marcantes, que serão relatadas no livro “Regime Fechado - Histórias do Cárcere”. “Nele eu conto 17 histórias super inusitadas que aconteceram no Santa Augusta, na Penitenciária Sul e na região, tendo alguns casos em Araranguá também. Alguns são divertidos e engraçados, outras são bem tristes”, disse Débora sobre o livro, que deve ser lançado ainda no ano que vem.
 
Histórias de Cárcere

Em uma das crônicas de seu livro, Débora aborda algo presenciado diariamente no presídio feminino - o fato de que mulheres presas dificilmente recebem visitas. “Suponhamos que a mãe tem o filho e a filha presos, ela acaba indo ver o filho e não a filha. Creio que seja uma questão cultural”, destacou.
 
Outra de suas histórias, talvez a mais inusitada já presenciada pela juíza, Débora conta a história de um preso que passou sua sentença inteira agindo como um tetraplégico - apesar de não ser. 
 
“O cidadão foi preso, havia dito que tinha levado um tiro e que era tetraplégico. Do pescoço para baixo, não mexia nenhum membro, então seus companheiros de cela o banhavam, o alimentavam, o colocavam no vaso sanitário e, até mesmo, o limpavam. Ele ficou cinco meses preso, fez fisioterapia e passou por perícia médica. O juíz lhe concedeu prisão domiciliar e, passado alguns meses, acontece um assalto a mão armada em Criciúma. Quando prenderam o assaltante, era ele, o ‘tetraplégico’”, concluiu Débora.