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Eleições 2020

Debate: Mobilidade, educação, saúde e Afasc entre as pautas

Em mais uma oportunidade para perguntas entre os candidatos, mais projetos foram elencados
Marciano Bortolin
Por Marciano Bortolin Criciúma, SC, 18/09/2020 - 10:14Atualizado em 18/09/2020 - 10:25
Fotos: Luana Mazzuchello / Marciano Bortolin / Vitor Netto / 4oito
Fotos: Luana Mazzuchello / Marciano Bortolin / Vitor Netto / 4oito
Legenda

O quarto bloco do debate da Rádio Som Maior - o primeiro entre os candidatos a prefeito de Criciúma - também foi voltado para perguntas entre os candidatos. Porém, neste, cada candidato só poderia responder uma vez. Júlia Zanatta (PL), foi a primeira a questionar e o escolhido foi o Coronel Cosme (Podemos). “Sobre mobilidade urbana, temos que ter humildade para ouvir as pessoas. E já falando em ciclovias", perguntou a candidata. 

Cosme respondeu: "Não adianta eu falar que vou colocar uma ciclovia na Centenário se no final ela pode acarretar um problema maior que uma solução. Dentro disso, vejo que temos que utilizar as inteligências que temos, temos universidades. A professora Natália, por exemplo. Trazer as pessoas para estudar a cidade. Dentro de mobilidade, deslocamento de pessoas, vai se ver o tipo de transporte que se utiliza, se é ônibus, bicicleta, é a pé. Temos que fazer toda essa análise. Não adianta dizer que vou construir isso ou aquilo. Precisamos de uma avenida inteligente. Vamos comprar o mais caro que tem? Vamos usar a inteligência daqui, temos Unesc, Satc, Esucri, o IFSC, trazer essas inteligências para discutir e construir programas, fomentando também a formação", disse.

Júlia seguiu em sua réplica. “O primeiro passo para fazer qualquer coisa é trazer pessoas técnicas e comprometidas com probidade e retidão, e não lotear os cargos importantes para cabos eleitorais. E sim, vamos conseguir pensar qualquer coisa para a nossa cidade, seja ciclovia, importante, com humildade, tenho ouvido das pessoas e penso que Criciúma está sem realizar uma grande obra para a mobilidade faz muito tempo. Temos Criciúma hoje com coisas que o Altair Guidi projetou. Temos que pensar Criciúma para o futuro. Temos trânsito de cidade grande, temos sim que pensar Criciúma, e só de uma forma técnica, alinhando ideias", disse. 

Na sequência Cosme perguntou para Dr. Aníbal (MDB). "Na prefeitura, essa utilização de internet nas escolas, as crianças terem material, qual a sua visão da digitalização dentro da prefeitura?".

A resposta de Aníbal: "É o caminho, tem que saber utilizar. Corre o risco de a tecnologia desumanizar muito a gente. O foco tem que ser na máquina mas também no ser humano. Isso me fez lembrar uma história de umas visitas, de um depoimento de uma mãe que por conta da pandemia a criança precisava ficar em casa, não tinha acesso à internet e retirava o material para fazer as lições em casa. Nesse material, um dos materiais era cópia em preto e branco, e uma das perguntas era quais as cores dos balões. E os balões eram todos pretos ou brancos. Isso é um sinal preocupante, de que talvez a atenção não esteja máxima no sistema educacional. Isso me entristeceu muito", salientou.

A réplica de Cosme "Realmente, é o caminho. Não tem volta, com todos os cuidados que se deve ter para uma criança estar no mundo digital. Um outro problema é construir uma cidade digital, onde se possa as pessoas terem um sinal mínimo, gratuito. Numa live que fiz com uma professora, diretora de uma escola, era o aluno em casa, o aluno de famílias carentes, que não tinha como acessar. A família não tinha condições de pagar um sinal de internet. A população carente está muito carente de várias ações públicas que a municipalidade deve fazer", salientou.

Na tréplica, Dr. Aníbal  disse. “Aqui não é Europa, mas tenho o depoimento de uma amiga minha, da Espanha, que disse que a melhor internet é para as escolas. Eles têm a qualidade do ensino como prioridade, inevitavelmente vamos aplicar projetos e recursos para chegarmos nesse caminho, nesse ponto", citou.

Em seguida, Rodrigo Minotto (PDT), perguntou para Chico Balthazar (PT). “Educação é uma bandeira do meu partido. Com esforço, ampliamos de R$ 65 milhões para R$ 287 milhões o investimento em bolsas de estudo em Santa Catarina. Somente para a Unesc, o repasse saltou de R$ 5 milhões para R$ 15 milhões. Falando de educação básica, Criciúma hoje ocupa a posição 162 em SC em relação ao Ideb nas séries iniciais. Como mudar essa realidade?", questionou.

O candidato petista responde. “Segunda vez que respondo sobre educação, o povo está preocupado. Eu quero te dizer, Rodrigo, que nos preocupamos tanto com a educação que na nossa chapa de vereadores nós temos 15 candidatos, desses 15, sete são professores e uma é psicóloga ligada à educação. Eu penso que o gestor precisa dialogar. Ele precisa estar antenado com a população e com o servidor. O gestor não pode governar, como faz o atual prefeito, de costas para a educação, brigando com o professor. A educação precisa ser fomentada. A prioridade absoluta tem que ser fomentar a educação. É isso que pretendemos, incentivar os debates nos meios estudantis. E pelo nosso material humano poderoso, eu pretendo fomentar também a discussão e o trabalho nas secretarias de Cultura e de Esporte. O Esporte e a Cultura, que hoje estão abandonados, Criciúma em 2004 chegou em quarto lugar nos Jogos Abertos, hoje é uma vergonha. Já tivemos 8 mil pessoas ligadas ao esporte em Criciúma, hoje não tem mil. É fomentar, debater, trabalhar e unificar, cultura, esporte e educação", respondeu Chico. 

Mionotto volta ao assunto em sua réplica. "O número de matrículas tem aumentado e o de escolas tem diminuído. Nós vamos valorizar os professores e servidores públicos. Entendemos que eles são ferramenta fundamental para transformação. Queremos promover cursos extras e parcerias permanentes. Eu penso que é fundamental a aproximação da escola com a família. A escola traz conhecimento e a família promove educação. A prioridade é implantar o maior número de escolas em período integral. No nosso governo a educação será investimento, e não gasto", destacou Minotto. 

Chico prossegue. “Queremos garantir a internet gratuita para os estudantes e pelo menos um aparelho que lhe permita navegar. Algumas pessoas podem dizer que não se tem dinheiro para isso. Vou baixar o espírito do velho Brizola. Cara é a ignorância, dizia Leonel Brizola. Diziam muito que não tinha dinheiro para fazer a transposição do Rio São Francisco, fomos lá e fizemos. Diziam que não havia dinheiro para reajustar o salário mínimo, nós reajustamos em mais de 70%. Dinheiro a gente encontra e realiza", disse. 

Clésio Salvaro (PSDB) é o próximo e pergunta para Minotto. “Falava-se muito sobre o Hospital Santa Catarina, que nunca funcionava mas sangrava da tesouraria da prefeitura alguns milhões. Criciúma perdeu quase R$ 240 milhões. Fizemos uma gestão e desde 18 de dezembro de 2018 aquele hospital é gerido pelo Estado. Ali já nasceram 4,5 mil crianças, estamos com 5,87 de índice de mortalidade, e não perdemos nenhuma mãe. Por isso conquistamos também o Prêmio Prefeito Amigo da Criança. O que o senhor faria para reduzir a mortalidade infantil?", questionou.

Minotto responde: "Lhe cumprimento por repassar o hospital ao Estado, a gestão pública na saúde tem que ter qualificação. Se não houver planejamento, haverá dificuldades na gestão. Investir em saúde e educação é investimento em qualidade de vida. O nosso IDH é positivo. Por isso eu acredito que nas parcerias podemos implementar um novo modelo de gestão, usando universidades, clínicas, hospitais filantrópicos, com isso melhorará muito a qualidade”, relatou.
Salvaro disse querer reduzir ainda mais o índice de mortalidade infantil para 3,4. “É o índice da Europa. Falo disso pois é o retrato de um governo que se preocupa com a vida das pessoas", falou.

Em seguida, foi a vez de Chico Balthazar que escolheu Professor Éderson (PSTU) para a resposta. “Uma pessoa de fora pensaria que a Afasc é um açougue. Carne pra lá, carne pra cá. Tem gente boa na Afasc, mas a Afasc é um cabidão de empregos. Qual a sua proposta para a Afasc?" 

A resposta de Éderson: "É um cabidão para o prefeito e os vereadores, cada um tem sua parcela, hoje a Afasc é cabide de empregos do que para fazer o seu trabalho original. Uma medida que deveria ter sido tomada, inclusive o MPSC está sempre cobrando, o problema é que nossos gestores tem ideia diferente, acham que o concurso público vai trazer perda financeira para a cidade, mas é diferente disso. Para usar essas autarquias como cabides. A gente defende que prefeitura, quem assumir, é fazer um concurso público imediato para que nenhuma parte da prefeitura se torne cabide de emprego", pontuou.

Chico tem a réplica: "Não dá para chamar concurso na Afasc. Estávamos com estudo pronto para transferir para a rede municipal todas as creches da Afasc. É a desculpa dessa necessidade que transforma a Afasc em cabidão. Vamos desmontar a Afasc por dentro, quero fazer no primeiro ano, transferir todas as creches para dentro da rede municipal e chamar concurso público para todos os cargos ligados às creches, e deixar a Afasc voltar à sua vocação", finalizou Chico.

A tréplica de Professor Éderson: "A gente acha que há precarização do trabalho na Afasc, tem profissional com função semelhante a de professor ganhando menos que salário mínimo. Tem que desmontar, acabar com a Afasc, o Município deve gerir, isso não pode ser mais desculpa", completou. 

Dr. Aníbal pergunta para Clésio Salavro. “Nós não acreditamos no fechamento da Usina Jorge Lacerda, é uma fonte segura na geração de energia, esta não é uma preocupação. Mas nossa cidade não tem essa vocação turística. Começou no meu primeiro mandato, com o Parque das Nações, depois o Parque dos Imigrantes, os dois parques hoje são mais visitados do que mais gente vão para as unidades de saúde. Agora estamos com o Parque Altair Guidi, uma bela obra, estamos idealizando um outro. Daqui vemos o Morro Cechinel, onde vamos construir um extraordinário mirante. Podemos sim vocacionar a cidade para o turismo", disse Salvaro.

Dr. Aníbal responde: "Vamos criar uma controvérsia. A idealização, busca de recursos, criação do projeto, engenheiro Cabral foi o primeiro a pensar num parque para a cidade. O senhor teve o privilégio de executar os parques", respondeu.

Salvaro tema  tréplica: "A Mina Modelo recebe 500 mil visitantes por ano. O turismo é importante, faz parte, deve fazer parte de toda e qualquer proposta de governantes. Estamos debatendo a cidade, é importante saber de onde vêm os recursos, e como se buscam os recursos, como se faz gestão para investir nessas áreas. Nós faremos muito mais, não são 12 mas oito anos de governo, e não é possível fazer tudo", concluiu.

Na última pergunta do bloco, Professor Éderson se direciona para Júlia Zanatta. “Como você vê essa redução de salários de 30% para os servidores, o que a senhora pensa sobre os concursos públicos para a cidade".

A resposta da candidata: "Eu não gosto de ver injustiça. O Parque Altair Guidi foi uma grande obra da gestão Altair Guidi. Foi feita uma revitalização, está bonito, mas na verdade a obra é do prefeito Altair Guidi. E essa ideia de fazer praças, parques em áreas degradadas, isso também era da época do Altair Guidi. Sobre a sua pergunta, dos servidores, tenho conversado com alguns, Temos que reconhecer erros. O prefeito é o técnico, o técnico não pode tratar mal o seu time. Da mesma forma eu penso contra os privilégios, mas penso que essas pessoas precisam se sentir em ambiente saudável e não em ambiente de submissão", enfatixzou.

Éderson contrapõe. "Na tréplica talvez a candidata coloque o eixo da pergunta, o que ela pensa do concurso público. Isso desata as amarras do jogo político que vem há muitos anos na cidade e no país, pra mim trabalhar num cargo público precisa ser apadrinhado, pelo seu próprio esforço o trabalhador tomará as suas decisões. Temos ótimos profissionais. O seu governo está querendo acabar com uma empresa histórica, os Correios. As pessoas que estudaram, fizeram uma prova, estão lá por méritos e não por indicação", destacou.

Júlia citou em sua tréplica: "O concurso, eu queria que o senhor pensasse em qual país o socialismo deu certo. O Governo Federal está pensando em uma reforma administrativa, vamos aguardar, eu sempre vou seguir o que está posto no governo federal, que eu tenho como exemplo. As pessoas estão gostando, humildade acima de tudo para reconhecer as nossas fragilidade, mas não podemos viver em um mundo de ilusão. Socialismo, onde deu certo? O povo criciumense não quer o socialismo”, finalizou.