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“A denúncia me fragilizou, eu me recolhi”, diz Raimundo Colombo

Ex-governador relembra principais desafios enfrentados à frente do Governo de SC
Por Redação Criciúma - SC, 18/07/2018 - 09:08Atualizado em 18/07/2018 - 10:04
(foto: Daniel Búrigo)
(foto: Daniel Búrigo)

O ex-governador do Estado de Santa Catarina e pré-candidato ao Senado, Raimundo Colombo (PSD) está em Criciúma e participou hoje do Programa Adelor Lessa, falando sobre seus sete anos no comando do Executivo Estadual, principais desafios enfrentados e projetos para o futuro.

“Foi um período de aprendizado forte. Tem coisas que a gente gostaria de fazer mais e melhor. Foi um período duro e se comparar com os outros estados do Brasil, Santa Catarina tem os melhores números. A gente conseguiu ser o último estado a entrar na crise e o primeiro a sair. Neste aspecto, nós ficamos tranquilos, que fizemos o melhor que podíamos fazer”, afirmou.

Colombo afirma que os piores momentos enfrentados enquanto estava no Governo de SC foram o enfrentamento ao crime organizado, greves e denúncias. “Acho que algumas denúncias me chatearam muito e prejudicaram a saúde do governo. Existiam crises, por exemplo aqui em Criciúma com a segurança pública. Teve crises pontuais que duraram dez, quinze dias e algumas até mais longas. Mas o Brasil inteiro está vivendo crises”, disse.

Manifestações

Pouco antes do impeachment da então presidente Dilma Rousseff, as ruas de diversas cidades do país foram tomadas por manifestantes. Em Florianópolis não foi diferente. Na época, os manifestantes queriam fechar as pontes da cidade.

“A gente se prepara para a gestão administrativa, mas essa questão da segurança pública a gente não tem preparo. Não dá para deixar fechar a ponte, porque a cidade para e entra em colapso. Estes momentos são muito duros na gestão pública. Esses momentos são desafiadores. O raciocínio era o seguinte: se você deixar fechar a ponte uma vez, vão querer fechar duas ou três. Então a orientação era não fechar a ponte, até porque a Constituição diz que as pessoas tem o direito de ir e vir”, esclareceu.

Na Política

Para Raimundo Colombo, a melhor fase da vida pública é a campanha. “É quando você conversa com as pessoas. É quando elas mostram indignação, outras nem tanto. Eu acho o melhor momento. Estamos leves, não temos as responsabilidades da gestão. Claro que há um desgaste grande. Muitas pessoas buscam melhorar. Eu busco ouvir as pessoas. Aprendi que você pode discordar da mensagem e se posicionar contra, mas você tem que respeitar o mensageiro, ele é um ser humano como você. O debate contraditório das ideias é um princípio básico da democracia. A política é uma atividade humana que aflora o melhor e o pior das pessoas”, contou.

Arquivado

Recentemente, o processo criminal contra o ex-governador foi arquivado pela 2ª Vara Criminal de Florianópolis. Colombo foi citado na delação do executivo da JBS Ricardo Saud, que afirmou que foram pagos R$ 10 milhões em propina para a campanha do ex-governador nas eleições de 2014.

“Para mim foi uma benção, rezei muito para a acontecer, porque era algo muito pesado para mim e para minha família. Do jeito que o Brasil está muitas mudanças precisam acontecer. E ela não acontece pela cabeça de um líder, mas a melhor é quando acontece pela consciência coletiva. A Lava Jato traz a consciência de que o sistema precisa ser modificado. As denúncias trazem um aspecto positivo, mas existe o risco de cometer injustiças. A gente precisa separara do joio do trigo. Tenho 40 anos de vida pública e não tenho nenhum processo contra mim. Quando se joga um saco de penas no chão, nunca mais se junta todas elas. O preço que a gente precisa pagar é passar por isso. A Polícia Federal quebrou meu telefone em Brasília e mandaram arquivar o processo. A minha fé na justiça aumenta e é importante que haja esse tipo de solução para encontrar equilíbrio. Além de acreditar na justiça, a minha fé na democracia aumenta. Temos que preservá-la. A democracia tem o caminho da liberdade. Esse episódio foi pesado na minha vida, mas me tornou uma pessoa melhor”, disse Colombo sobre o arquivamento do processo.

Segundo Raimundo Colombo, a denúncia aconteceu em um momento em que ele era convidado para fazer palestras sobre a gestão e sobre o Estado de Santa Catarina. “Eu percebi que Santa Catarina era um modelo, eu estava me animando. Duas coisas me fizeram parara: a crise e a denúncia. A denúncia me fragilizou, eu me recolhi. E quem sabe não foi um sinal de Deus que iria dar errado. Foi uma forma de mudar as coisas. Foram os dois principais fatores que me fizeram parar de ir lá fora e falar e ficar aqui por dentro”, disse.

Eduardo Moreira

Colombo falou ainda sobre a relação com ex-vice e atual Governador do Estado de Santa Catarina, Eduardo Pinho Moreira. “Afastou, inegavelmente, mas eu não tenho nada contra. Torço para que dê certo. E importante que o governo vá bem e no que eu puder ajudar é ajudar. Não dá para pessoalizar e ficar atrapalhando o Governo. Faz parte do jogo, vamos torcer e ajudar”, afirmou.

Cabides

Outro assunto abordado com o ex-governador foi o caso das Agencias de Desenvolvimento Regional (ADRs) e cargos comissionados, que eram alvo de críticas de Colombo quando ainda era pré-candidato. Quando assumiu o Governo, Colombo não tomou as providências esperadas pelo povo catarinense.

Confira a pergunta de Archimedes Naspolini Filho:

“Eu acho que quando você tem uma posição você não pode insistir nela, quando se tem argumentos contrários que são fortes. Diminuir o estado é uma obrigação do gestor público e precisa ser feito. O que eu constatei é que as Secretarias Regionais não tinham o custo que diziam que tinham. Não poderiam fecha-las. Depois de estudos profundos, eu tomei algumas decisões. Eu fechei muitos outros órgãos que tinham gasto muito maior. Eu aceito a crítica, é verdadeira, eu me posicionei desta forma. Ao meu juízo eu fiz a melhor escolha. Acho que é uma evolução. A atitude do Eduardo foi positiva, 35 eram demais. Fez um trabalho melhor que o meu”, admitiu Colombo.