O volante Jean Irmer abriu o jogo sobre os bastidores do Criciúma após a saída de Eduardo Baptista e a chegada de Umberto Louzer. Em entrevista coletiva nesta quinta-feira (24), o jogador revelou que o elenco se reuniu internamente depois dos últimos resultados e reconheceu que o momento exige uma mudança de postura para as nove rodadas finais da Série B.
Segundo Jean, o grupo chegou a um ponto em que não era mais possível esconder os problemas.
“Se da primeira vez que foi pós-jogo do Operário, a gente levantou o tapete, jogou para debaixo do tapete e o resultado mascarou muita coisa, dessa vez, com a ferida exposta, a gente precisa curar. Porque a gente tem nove jogos decisivos que não dá para jogar mais para debaixo do tapete".
O volante também revelou que os jogadores assumiram a responsabilidade pela atuação na derrota por 4 a 0 para o Atlético-GO. Na ocasião, o elenco decidiu defender a permanência de Eduardo Baptista.
“A gente blindou o Eduardo Baptista no jogo pós-jogo contra o Atlético Goianiense. Um dos pontos da nossa identidade se chama lealdade. E essa lealdade fez com que a gente assumisse a vergonha que aconteceu dentro de campo".
Jean afirmou que, na visão dos jogadores, não seria correto responsabilizar o treinador pelo resultado.
“A gente não cumpriu nada do que ele pediu dentro de campo naquele dia. Não tem desculpa para isso. Para o time que está brigando pelo acesso, não tem desculpa para isso. Então, a gente assumiu a nossa culpa e eximiu ele dessa culpa".
“Novo tempo” no Criciúma
Com a troca no comando, Jean enxerga a chegada de Louzer como uma oportunidade para o Criciúma recuperar a confiança. O volante destacou três características que, segundo ele, fazem parte da filosofia do novo treinador: fome, coragem e solidariedade.
“É por isso que eles trouxeram um cara que tem fome. É por isso que eles trouxeram um cara que tem coragem e é por isso que eles trouxeram um cara que é solidário".
Para Jean, a equipe perdeu parte da intensidade demonstrada durante o primeiro turno e precisa recuperar a capacidade de competir.
“A fome, talvez pelo fato de a gente estar trabalhando e fazendo e a síndrome da barriga cheia, 39 pontos, estamos garantidos, as coisas vão acontecer normal no segundo turno, pode ser que desandou. Essa fome ele vem para estabelecer na gente novamente".
O jogador também apontou a ansiedade como um dos fatores que podem estar prejudicando o desempenho ofensivo da equipe.
“A ausência de resultados influencia numa ansiedade de querer fazer, numa ansiedade de querer ajudar. E isso muda um pouco a característica de uma finalização, muda um pouco a característica de um domínio, muda um pouco a sua pressa para fazer alguma coisa".
Jean vê oportunidade com Louzer
O volante também falou sobre sua situação particular. Com a mudança de treinador, Jean admite que todos os jogadores passam a ter uma nova oportunidade de conquistar espaço.
“Quando há uma troca de treinador, naturalmente dentro do futebol todo jogador cria uma expectativa de que algo novo está para acontecer. A gente costuma falar entre nós que zera tudo".
Jean Irmer, que vinha tendo poucas oportunidades, garantiu estar preparado para assumir uma eventual titularidade.
“Hoje eu tenho essa oportunidade com um novo treinador. Pode ser que aconteça. E se acontecer, cara, eu estou pronto para essa oportunidade. Se não acontecer, eu estou pronto para seja quantos minutos for necessário para entrar e ajudar".
O jogador ainda revelou uma conversa que teve recentemente com o ex-treinador sobre sua utilização.
“Eu pude olhar para ele e perguntar para ele por que ele me trouxe para cá, sendo que pela forma como eu estava sendo aproveitado. E eu costumo não chegar e apontar por que eu não estou jogando. É o que eu posso fazer para te ajudar".
Clássico contra o Avaí é tratado como prioridade
Para Jean Irmer, o primeiro objetivo de Louzer é conseguir uma vitória no clássico contra o Avaí. O volante entende que o resultado pode aliviar a pressão e dar ao novo treinador condições para trabalhar.
“Se for para jogar feio e ganhar o jogo, eu prefiro jogar feio e ganhar o jogo. Para mim é o que importa agora".
Jean acredita que uma vitória no clássico pode representar o início da retomada.
“Ganhar do Avaí, te dá uma margem para você trabalhar de uma forma mais tranquila, um peso mais leve, uma leveza melhor no ambiente".
O jogador também reconheceu que Louzer terá pouco tempo para implementar mudanças.
“Não dá para ele implementar um sistema dele já de cara, mas dá para ele começar a desconfigurar algumas coisas e implementar principalmente o DNA dele".
“A gente ainda não perdeu a oportunidade de fazer história”.
Apesar da queda de rendimento no segundo turno, Jean destacou que o elenco ainda acredita na possibilidade de buscar o acesso.
“A gente não pode entregar de bandeja algo que entregaram para nós na nossa mão. Pode ser que a gente perdeu um pouquinho o fio da meada. Mas a gente ainda não perdeu a oportunidade de fazer história".
O volante lembrou a campanha do primeiro turno e afirmou que o elenco precisa voltar a apresentar aquele futebol.
“O torcedor viu o que a gente fez no primeiro turno. Não foi qualquer coisa, não foi normal. Foi uma campanha na história do clube".
Convocação para a torcida
Ao final da entrevista, Jean Irmer fez um forte apelo para que o torcedor compareça ao Heriberto Hülse no clássico.
“Torcedor, eu aproveito esse momento. Esteja com a gente no domingo".
Para o volante, o apoio não deve ser apenas aos jogadores, mas ao próprio Criciúma.
“Eu quero que você vá pelo estádio, pelo Criciúma. Pelo clube, pela cidade".
E resumiu o momento vivido pelo clube como uma oportunidade de recomeço:
“É início de um novo tempo para nós".
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