O ex-técnico Luiz Gonzaga Milioli relembrou momentos marcantes da histórica campanha do Criciúma na conquista da Copa do Brasil de 1991. Em entrevista ao programa Som Maior Esportes desta terça-feira (2), o treinador contou bastidores da competição, da sua saída do comando da equipe e da relação construída com Luiz Felipe Scolari, o Felipão, que acabaria conduzindo o Tigre ao título nacional.
Milioli foi o treinador do Criciúma nos dois primeiros jogos da campanha. O Tigre estreou contra o Ubiratan/MS, em Dourados, empatando fora de casa antes de confirmar a classificação com uma vitória por 4 a 1 no Heriberto Hülse.
"O primeiro jogo foi complicado. A gente imaginava que conseguiria uma vitória tranquila, mas encontrou muitas dificuldades. O Alexandre foi um dos principais jogadores daquela partida, fez grandes defesas. Já no jogo da volta vencemos por 4 a 1 e avançamos com mais tranquilidade", recordou.
Na época, o Criciúma também disputava a Série B do Campeonato Brasileiro. Segundo Gonzaga, a equipe vivia um bom momento, mas enfrentava problemas internos relacionados a premiações atrasadas.
"Houve uma reunião dos jogadores e eles decidiram não treinar. A imprensa caiu em cima e, olhando hoje, acho que realmente faltou comando da minha parte naquele momento", admitiu.
Apesar de liderar a Série B e ter garantido a classificação na Copa do Brasil, Gonzaga acabou sendo retirado do comando da equipe.
"Me chamaram na sala e disseram que eu voltaria para os juniores porque começaria uma fase mais difícil da competição e eu não tinha tanta experiência. Eu saí revoltado. Nem fui ao vestiário. Fui direto para casa", contou.
No mesmo dia, o treinador viveu outro momento delicado. Sua esposa, que trabalhava como subgerente de banco, também perdeu o emprego.
"Ela chegou em casa chorando porque tinha sido demitida. Eu pensei: agora vou ter que repensar tudo".
Foi então que ocorreu um episódio que ele guarda com carinho até hoje. Naquela noite, Felipão apareceu em sua residência para convencê-lo a permanecer no clube.
"Para minha surpresa, o Felipão apareceu lá em casa. Ele disse, 'tu vai ter que me ajudar. Eu preciso de ti. Tu conhece tudo aqui. Tu não vai sair'. Aquilo me marcou muito".
A amizade construída naquele período permanece até os dias atuais. Gonzaga destacou o respeito e a gratidão que sente pelo treinador campeão da Copa do Brasil.
"Até hoje, se eu ligar para ele, ele me atende na hora".
O ex-técnico também relembrou uma homenagem recebida. Na ocasião, um troféu foi entregue a Felipão, que dividiu publicamente os méritos da campanha.
"Chamaram ele para receber o troféu e ele perguntou se tinha dois. Disseram que não. Então ele falou, 'vamos ter que cortar pela metade. Metade é do Gonzaga'. Aquilo me marcou muito".
Ao recordar os acontecimentos de 1991, Gonzaga evitou especular se o desfecho teria sido diferente caso permanecesse como treinador principal.
"Tem gente que diz que, se eu tivesse ficado, também poderia ter sido campeão. Mas isso ninguém sabe. O importante é que o Criciúma foi campeão e entrou para a história", finalizou.
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