Os números do Criciúma no Campeonato Brasileiro da Série B ajudam a explicar a campanha do clube e, ao mesmo tempo, apontam alguns aspectos que precisam ser corrigidos na sequência da competição.
De acordo com o FotMob, o Tigre aparece entre os melhores da competição em diversos indicadores. O principal destaque está no sistema defensivo: o Criciúma tem a terceira menor média de gols sofridos por partida, com 0,7. Ou seja, além de sofrer poucos gols, o adversário também encontra dificuldades para construir oportunidades de alta qualidade.
Outro indicador defensivo chama atenção. O Criciúma é o time que mais registra interceptações por partida, com média de 9,6, e também lidera a Série B em cortes de bola, com 29,8 por jogo. Os números reforçam uma característica importante da equipe: a capacidade de recuperar a bola e proteger a própria área.
Bola parada é uma das armas
Se defensivamente o Criciúma apresenta números fortes, nas bolas paradas o desempenho também merece destaque.
O Tigre é o líder da Série B em gols de bolas paradas, com nove. Além disso, aparece no topo do ranking de escanteios cobrados: são 183 na competição, mais do que qualquer outro clube.
Nos escanteios, o Criciúma também aparece entre os líderes quando considerada a média por partida. O dado mostra que a equipe consegue levar a bola para a área adversária com frequência e transformar esse tipo de jogada em uma importante fonte de gols.
Outro ponto positivo está nos cruzamentos. O Criciúma registra 5,9 cruzamentos certos por partida, segunda melhor marca da Série B, atrás apenas do Botafogo-SP.
Posse de bola acima da média
O Tigre também não é uma equipe que passa a maior parte dos jogos sem a bola.
O Criciúma aparece em sétimo lugar no ranking de posse média, com 51,7%. É um número que coloca o time acima da média da competição e indica uma equipe capaz de controlar o jogo em determinados momentos.
O problema aparece quando se observa o que acontece depois desse controle.
Finalizações certas são um ponto de atenção
Apesar de ter boa posse, bons números de cruzamentos e ser o líder em escanteios, o Criciúma não está entre as equipes que mais acertam o gol.
O líder da Série B em chutes no alvo é o CRB, com 6,3 por partida. O Criciúma aparece bem abaixo desse número, o que mostra que o volume de ações ofensivas nem sempre se transforma em finalizações perigosas.
O próprio desempenho individual dos jogadores ajuda a entender essa questão. Entre os principais finalizadores do elenco, Rômulo Otero registra 3,0 chutes por 90 minutos, enquanto Diego Gonçalves e Jhonata Robert aparecem com 2,6. Mas a conversão de Otero é de apenas 6,8%, enquanto Jhonata Robert tem 5,6%. Diego Gonçalves apresenta um aproveitamento melhor, de 10,5%.
A contradição dos números
É justamente aí que está o principal ponto da análise.
O Criciúma não é uma equipe que cria pouco em todos os aspectos. Pelo contrário. Tem posse acima de 50%, lidera em escanteios, está entre os melhores em cruzamentos certos, apresenta boa produção de bola longa e é extremamente eficiente nas bolas paradas.
O que os números sugerem é outra coisa: o Tigre precisa transformar melhor esse volume territorial em finalizações perigosas e gols com bola rolando.
O Criciúma aparece com diferença positiva de 5,3 entre gols esperados e gols esperados concedidos, terceira melhor marca da competição nesse indicador.
Portanto, a estatística não aponta para um time sem capacidade de competir. Pelo contrário. Ela mostra uma equipe muito consistente defensivamente, forte nas bolas paradas e competitiva na ocupação do campo adversário.
O alerta está na qualidade da conclusão das jogadas.
Em uma Série B equilibrada, especialmente na reta final da competição, não basta chegar ao último terço. É preciso transformar cruzamentos, escanteios, recuperação de bola e posse em chutes no alvo e gols.
E esse pode ser um dos pontos determinantes para o Criciúma na reação pela briga direto ao acesso.
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