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Responsabilização no futebol: quem paga essa conta?

Por Alex Maranhão 30/04/2026 - 07:36 Atualizado há meio minuto

O Criciúma Esporte Clube apresentou o balanço financeiro de 2025. As contas foram aprovadas pelo conselho deliberativo ( com ressalvas). 

E é justamente nesse detalhe que mora o problema.

Depois de um rebaixamento em 2024 com cerca de R$ 22 milhões em caixa no início da temporada, o cenário indicava um caminho claro em 2025: ajuste de rota, responsabilidade e reconstrução. Era o momento de reorganizar a casa, recuperar a confiança e reequilibrar o clube.

Mas não foi isso que se viu.

O Criciúma extrapolou o orçamento e praticamente dobrou os gastos previstos. Uma decisão que levanta uma pergunta inevitável e incômoda:

Quem responde por isso?

No futebol brasileiro, ainda vivemos um modelo onde decisões de alto impacto financeiro são tomadas, mas raramente existe responsabilização proporcional. Quem aprovou? Quem validou? Quem assumiu o risco?

E mais importante: alguém vai, de fato, responder por isso?

A realidade é dura. Não só no Criciúma, mas em boa parte do futebol nacional, gestores, diretores e executivos tomam decisões equivocadas e seguem suas trajetórias normalmente. Enquanto isso, a conta fica para a instituição. Fica para o CNPJ. E, no fim, sobra para o torcedor.

O torcedor paga, seja com prejuízo financeiro, perda de competitividade, títulos, ou anos de reconstrução.

Em qualquer empresa séria, decisões que ferem o planejamento e colocam a saúde financeira em risco geram consequências. Existem regras, metas, controles e, principalmente, responsabilização.

No futebol, ainda não.

Seguimos normalizando o que deveria ser tratado como exceção. A falta de governança, de critérios técnicos e de responsabilização individual perpetua um ciclo perigoso, onde errar não tem custo direto para quem decide.

E enquanto o CPF não responder pelas decisões que impactam o CNPJ, esse cenário vai continuar se repetindo.

O futebol precisa evoluir.

Profissionalizar a gestão não é matar a paixão,  é garantir que ela sobreviva. É tratar o esporte mais amado do mundo com o respeito e a seriedade que ele exige, sem perder sua essência, mas deixando para trás práticas que já não cabem mais.

Porque, no fim das contas, a pergunta continua no ar: quem paga essa conta?

E, por enquanto, a resposta a gente já conhece. O clube. Sempre o clube

Dias melhores ao nosso tricolor.

Alex Maranhão
Esporte & Negócios

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