A novela Marcelo Hermes parece ter chegado ao fim. O jogador, que tem contrato com o Criciúma até o final da Série B, recusou a proposta do Remo, e também a de renovação apresentada pelo clube. A tendência, portanto, é que o lateral cumpra seu vínculo e até o final da série B.
Mas, para mim, a discussão vai muito além da permanência ou não de Hermes.
O Criciúma historicamente adota uma postura mais conservadora na hora de fazer contratos longos. É uma estratégia compreensível. Afinal, no futebol, errar em uma contratação pode custar caro.
Só que existem momentos em que é preciso separar aquisição de atleta de manutenção de patrimônio esportivo.
E Marcelo Hermes é exatamente esse caso.
Estamos falando de um jogador identificado com o clube, com a cidade e com a torcida. Um atleta que construiu uma relação especial com o torcedor carvoeiro e que, nos últimos três anos, foi sem dúvida o melhor lateral -esquerdo de Santa Catarina.
Um jogador que entrega. Que resolve. Que conhece o ambiente. Que sabe o peso de vestir a camisa do Tigre.
E, principalmente, um jogador que não precisa mais provar que pode jogar no Criciúma.
Hermes já está na galeria dos maiores laterais-esquerdos que passaram pelo Heriberto Hülse.
Por isso, processos de permanência como esse precisam ser conduzidos com muito cuidado, respeito e inteligência.
Não se trata simplesmente de renovar o contrato de um atleta.
Trata-se de preservar identidade, conhecimento, liderança e DNA de clube.
O Criciúma já viveu situações parecidas no passado. Casos como Arilson e Ygor mostram que existe uma discussão importante sobre como o clube administra seus pilares esportivos.
O futebol mudou.
Hoje, clubes que querem competir de forma consistente precisam pensar não apenas na próxima janela, mas na construção de uma base que permaneça.
É preciso ter referências dentro do vestiário.
É preciso ter jogadores que conheçam o DNA do clube.
É preciso ter atletas que transmitam aos novos contratados aquilo que não está escrito em nenhum contrato: o que significa jogar no Criciúma.
Porque contratar é importante.
Mas manter quem dá identidade ao projeto pode ser ainda mais importante.
Talvez esteja na hora de o Tigre atualizar essa linha de raciocínio.
Não significa abandonar a responsabilidade financeira ou começar a fazer contratos longos para qualquer jogador.
Significa saber identificar aqueles poucos atletas que deixam de ser apenas jogadores e passam a fazer parte da construção do clube.
Hermes é um desses casos.
O Criciúma precisa pensar no longo prazo.
Porque time se monta.
Mas identidade se constrói.
Saudações tricolores.
Alex Maranhão
Esporte & Negócios
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