O futebol é resultado, e quando a bola não entra, as cobranças chegam. Ao que tudo indica, chega ao fim a passagem de Eduardo Baptista pelo comando do Criciúma.
A derrota por 2 a 0 para o Operário, na noite de ontem, deve selar o destino de um treinador que já escreveu capítulos importantes na história recente do Tigre. Eduardo Baptista não pode ser julgado apenas pelo momento atual.
Foi ele quem ajudou a salvar o Criciúma de um rebaixamento e conduziu um trabalho de recuperação impecável. No primeiro turno, colocou o Tigre na liderança da Série B e fez o torcedor sonhar com o acesso.
Mas o futebol é dinâmico. E o segundo turno transformou completamente o cenário.
O aproveitamento despencou de aproximadamente 67% para 29%. A produtividade caiu, o desempenho coletivo perdeu força e a equipe deixou de transmitir a mesma segurança que apresentava anteriormente.
O Criciúma perdeu desempenho. E, no futebol brasileiro, quase sempre alguém precisa pagar essa conta.
Eduardo é um grande comandante, um profissional respeitado e, acima de tudo, um cara do bem. Tem serviços prestados ao clube e merece o reconhecimento pelo que construiu. Mas também tem sua parcela de responsabilidade nessa fase black sim.
A pergunta é: será que toda a responsabilidade está nas mãos do treinador? Na minha visão, não.
O jogo contra o Operário oferece um retrato importante dessa discussão. O Criciúma terminou a partida com 65% de posse de bola, 26 finalizações e 18 escanteios. Números que mostram uma equipe com volume ofensivo, mas incapaz de transformar domínio em gols.
E aí entra uma reflexão: até que ponto a culpa é somente do treinador? E quanto dessa responsabilidade pertence aos jogadores?
Porque são os atletas que entram em campo. São eles que precisam executar, vencer duelos, finalizar melhor e assumir o protagonismo nos momentos decisivos.
O treinador pode organizar, orientar e corrigir. Mas, quando a bola rola, a execução passa pelos jogadores.
Mas fica a pergunta para o torcedor do Tigre: a troca de comando será suficiente para mudar o rumo da equipe? Ou o Criciúma precisa de uma transformação mais profunda, que envolva também mais atitude, desempenho e postura dos jogadores?
O acesso continua sendo o objetivo. E o tempo está cada vez mais curto.
A saída de Eduardo encerra um vínculo que vinha estremecido, e foi feito o que a grande massa queria. Agora, o Criciúma precisa reencontrar sua identidade, recuperar a confiança e voltar a competir à altura daquilo que a Série B exige.
Dias melhores ao tigre!
Alex Maranhão
Esporte & Negócios
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