A vitória sobre o Avaí deveria ter trazido alívio. Mas bastou um dia para o torcedor do Criciúma voltar a sentir aquele frio conhecido na espinha.
O diretor financeiro Deloir Brunelli confirmou: o clube fechou 2025 com déficit de R$ 7 milhões.E tem dificuldades financeiras. Os salários de dezembro estão quitados, é verdade, mas ainda há pendências com empresários, ex-jogadores e impostos. A promessa é regularizar tudo até o fim de janeiro.
No futebol, como nos negócios, existe uma máxima, quase um clichê, mas absolutamente verdadeira: "O Caixa é Rei"
E o momento financeiro do Tigre é o retrato perfeito disso.
O Criciúma começou 2025 com cerca de R$ 20 milhões em caixa. Um colchão respeitável, capaz de sustentar uma temporada que, no papel, parecia controlada. O que veio depois é o que assusta: R$ 70 milhões em gastos e um rombo de R$ 7 milhões no fechamento do exercício.
Algo saiu muito do trilho. É preciso ser muito honesto com o torcedor: houve má gestão de recursos, sim. Houve erros claros de planejamento e contratações, também. Isso não é opinião, é matemática. Nenhuma empresa saudável começa o ano no azul, dobra o orçamento e termina no vermelho sem consequências.
E aqui está o ponto mais sensível.
Em qualquer empresa da vida real, um CEO ou diretor financeiro que estoura o orçamento nesse nível é cobrado, responsabilizado e, muitas vezes, afastado. No futebol brasileiro, porém, seguimos vivendo a era da gestão sem CPF. As decisões passam, os prejuízos ficam, e ninguém responde por eles.
O contraste é cruel. Filipinho foi expulso contra o Cuiabá, o Tigre perdeu o acesso, e o jogador virou símbolo do fracasso. Nunca mais pisou no Heriberto Hülse. Enquanto isso, uma gestão que gastou o dobro do previsto, comprometeu o caixa e deixou uma herança pesada para 2026, segue envolta em panos quentes. No futebol, como dizia o ditado antigo, vão-se as carroças, ficam os bois.
O Criciúma é o CNPJ mais conhecido da região, patrimônio emocional de uma cidade inteira. Quando ele termina um ano no negativo, isso não é detalhe contábil. Isso impacta elenco, planejamento, competitividade e, principalmente, o futuro esportivo. O torcedor não pede milagre. Pede coerência, responsabilidade e verdade.
Enquanto isso, o maior tricolor do Sul do mundo segue colecionando “acasos”, pagando o preço de decisões erradas e tentando, mais uma vez, sobreviver entre o campo e o caixa.
Que venham dias melhores para o Tigre.
Alex Maranhão
Esporte & Negócios
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