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Vício em bets levou ex-apostador a perder R$ 200 mil, vender bens e buscar internação

Gabriel Lima ficou nove meses internado após vender bens, contrair dívidas e recorrer a agiotas

Por Redação Criciúma, SC, 21/07/2026 - 17:54 Atualizado há 16 segundos
Popularização das plataformas de apostas esportivas trouxe um problema que vem preocupando especialistas em saúde mental | Foto: GOV/Divulgação/4oito
Popularização das plataformas de apostas esportivas trouxe um problema que vem preocupando especialistas em saúde mental | Foto: GOV/Divulgação/4oito

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A popularização das plataformas de apostas esportivas trouxe um problema que vem preocupando especialistas em saúde mental: o crescimento da ludopatia, transtorno relacionado ao vício em jogos de azar.

Para discutir o tema, o programa 60 Minutos, da Rádio Som Maior, recebeu, com exclusividade, Gabriel Lima, criador do perfil Gabriel Contra o Vício, que contou como perdeu o controle sobre as apostas e precisou de internação para conseguir retomar a própria vida.

Durante a entrevista, Gabriel relatou que o contato com as apostas começou como entretenimento, mas rapidamente evoluiu para um comportamento compulsivo. “Começa como diversão, como eles mesmos vendem. Depois vira um vício. Eu passei a vender as coisas de casa, mentir, pegar dinheiro emprestado e entrar em depressão”, contou.

 

Comportamento é muito semelhante ao observado em dependentes químicos | Foto: GOV/4oito

Segundo ele, o comportamento é muito semelhante ao observado em dependentes químicos. Embora não exista uma substância envolvida, o mecanismo de compulsão e a dificuldade de interromper o hábito seguem padrões bastante parecidos. “Hoje eu enxergo o jogo como uma droga. O que eu fazia para continuar apostando era o mesmo que um dependente químico faz para conseguir usar uma droga.”

Mais de R$ 200 mil perdidos

Gabriel estima ter perdido mais de R$ 200 mil ao longo do período em que esteve viciado. Sem conseguir interromper o ciclo de perdas, passou a vender bens, contrair dívidas e recorrer até mesmo a agiotas.

O momento decisivo para buscar ajuda aconteceu quando as ameaças deixaram de ser direcionadas apenas a ele.

“Eles começaram a ameaçar minha família. Naquele momento, eu percebi que o problema não atingia mais só a minha vida.”

A recuperação começou em uma casa especializada no tratamento de dependentes químicos, onde permaneceu por nove meses, realizando terapias e acompanhamento psiquiátrico.

Um vício silencioso

Um dos principais alertas feitos por Gabriel durante a entrevista é que a ludopatia costuma permanecer escondida por muito tempo.

Diferentemente de outras dependências, o acesso às apostas acontece pelo celular, dentro de casa, o que dificulta a identificação por familiares.

Outro erro comum é a família acreditar que quitar as dívidas resolve o problema | Foto: Senado Federal / Divulgação/4oito

“Os sinais normalmente aparecem quando o dinheiro começa a faltar para as contas da casa. Antes disso, muitas vezes ninguém percebe.”

Segundo ele, outro erro comum é a família acreditar que quitar as dívidas resolve o problema.

“Pagar as dívidas sem tratar o vício não resolve. Enquanto a pessoa não buscar ajuda profissional, ela tende a voltar para as apostas.”

O alerta também vale para investimentos

Ao final da entrevista, Arthur Lessa chamou a atenção para um comportamento semelhante observado no mercado financeiro.

Segundo ele, operações altamente especulativas, realizadas sem preparo como day trade recreativo e opções binárias podem despertar mecanismos psicológicos parecidos com os das apostas.

“O problema não é o mercado financeiro em si, mas quando ele passa a ser usado como um jogo. Quem busca apenas a adrenalina da operação pode acabar entrando no mesmo ciclo de compulsão observado nas bets.”

A entrevista completa está disponível nos canais do programa 60 Minutos, da Rádio Som Maior.

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