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Vanderlei Januário: da tornearia mecânica a produção de tratores

De uma família com 15 filhos, aprendeu na empresa do irmão e hoje desenvolve implementos agrícolas
Erik Behenck
Por Erik Behenck Criciúma - SC, 01/09/2019 - 14:15
(fotos: Luana Mazzuchello)
(fotos: Luana Mazzuchello)

Ele cresceu e se tornou empresário, mas prefere continuar sendo chamado de torneiro mecânico. Vanderlei Januário foi o convidado deste fim de semana do Nomes & Marcas, falando sobre como a experiência com peças permitiu que passasse a construir tratores. Sua empresa hoje se tornou uma referência no setor da agropecuária no Sul Catarinense.

“Eu fazia peças e consertava. Um torneiro consegue recuperar qualquer tipo de peça, desde que seja de um caminhão ou de um trator, aquelas da engrenagem. A nossa tornearia era perto de um posto, então o forte eram os caminhões”, contou. Januário tem 14 irmãos, sendo o oitavo filho. Logo que saiu de casa foi trabalhar na empresa de seu irmão, em Araranguá.

Por lá aprendeu tudo sobre tornearia e ficou 11 anos, até partir para um novo caminho, deixando a cidade e indo para Turvo, onde passou a trabalhar em uma pequena empresa. Ele ficou pouco tempo na Mecânica Tomé, até abrir a sua própria tornearia. Nunca fez cursos do tipo e foi aprendendo com a prática. 

“Eu me considerava um bom torneio e experimentei uma nova caminhada, indo para Turvo. Na época a gente tava bem tranquilo ali em Araranguá”, disse. A passagem foi rápida, abrindo o próprio negócio. “Quando eu comecei não tinha nada, apenas um torno, e ficava muito difícil”, lembrou Vanderlei.

O crescimento dos negócios 

Januário contou que no começo foi complicativo, já que Turvo era um município evoluído na questão da agropecuária e a concorrência era forte. Pensava que se 10% dos agricultores utilizassem o seu serviço já estaria bom. No começo dos anos 90 recuperava as peças que eram buscadas de camionete por sua esposa.

“Eu corria a região com a F100, sem saber dirigir direito. Eu saia com o filho que tinha oito anos e íamos aos trancos e barrancos, muitas vezes chegávamos em casa às 22h”, contou. “Sempre procuramos trabalhar honestamente. Este foi o nosso lema”, completou a esposa de Vanderlei, Cleia.

Um novo foco nos negócios

Especialista em recuperar peças, a empresa começou a crescer. Hoje o forte é a região, mas também existem vendas de máquinas para outras regiões. Seu filho ajudou no projeto da máquina, ele nunca fez faculdade, mas entende do assunto. Sabendo das necessidades dos produtores rurais, um trator para o arroz foi lançado no ano passado e já vendeu mais de 80 unidades.

“Quando desenvolvia essa máquina, fizemos rascunhos no papel. Como a gente conserta muito trator, vamos vendo o que podemos melhorar e o que podemos tentar. No decorrer do tempo íamos falando com os agricultores e vendo o que poderíamos mudar”, comentou Januário. A venda de implementos vai para Minas Gerais e Ceará também.

Conforme o empreendedor, existem quatro empresas no Brasil que produzem tratores deste tipo. Para Januário, o diferencial de sua empresa é a tradição na região, com os pais passando para os filhos. E é uma máquina completa. “Ele foi feito para o arroz. É possível trocar o pneu ou colocar uma caixa mais veloz usando para outras coisas. Ele já sai com GPS e outros equipamentos”.

O que é preciso para crescer?

Januário pensa que não é preciso ser superior a ninguém. Ele trabalha com a mesma roupa que os seus funcionários e prefere colocar a mão na massa do que ficar em seu escritório, onde fica dias sem ir. Gosta mesmo é de estar no barulho. Se fosse para enriquecer e subir para a cabeça, era melhor não ter chegado lá.

“Todo começo é difícil. Tem que ter perseverança e muita fé. É preciso ser profissional no que faz e gostar. Hoje eu sou administrador, mas em todo lugar que eu vou fazer um cadastro, digo que sou torneiro mecânico, eu não digo que sou empresário”, destacou. “Eu já ultrapassei o que tinha em meta. Há uns quatro anos dei uma recuada, mas depois Deus me deu um fôlego novo”.