Ir para o Conteúdo da página Ir para o Menu da página
Carregando Dados...
4

“Uma manifestação que vai contra as evidências”, diz especialista sobre vacinação de adolescentes

Nesta semana, o Ministério da Saúde suspendeu a imunização contra a Covid-19 para adolescentes de 12 a 17 sem comorbidades
Marciano Bortolin
Por Marciano Bortolin Criciúma, SC, 19/09/2021 - 10:04
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

O Ministério da Saúde suspendeu a vacinação contra a Covid-19 de adolescentes sem comorbidades, alegando situações adversas. 

Em nota técnica publicada pela Secretaria Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19, o ministério passou a recomendar a vacinação apenas para os adolescentes entre 12 e 17 anos que tenham deficiência permanente, comorbidades ou que estejam privados de liberdade. “Infelizmente houve uma manifestação do nosso Ministério da Saúde que vai contra as evidências que se tem em relação à vacinação de adolescentes. Existe, inclusive, manifestação da Sociedade Brasileira de Pediatria e da própria Anvisa, dizendo que não há nenhum problema que essas esse grupo etário que esses adolescentes sejam vacinados. Essa vacinação é extremamente segura. No Brasil já temos mais de 3,5 milhões de adolescentes vacinados, a incidência de efeitos colaterais é na faixa de 0,040%. Geralmente são efeitos muito leves”, salienta o pneumologista, Renato Matos.

Ainda segundo ele, há um caso de óbito de adolescente de 16 anos de idade no país, que se suspeitava ser por conta da vacina, porém, a a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo informou que as análises técnicas indicaram que “não é a vacina a causa provável do óbito”.

A causa provável, segundo a secretaria, foi atribuída ao diagnóstico de doença autoimune, denominada "Púrpura Trombótica Trombocitopênica" (PPT) e identificada com base no quadro clínico e em exames complementares. "Essa vacina já é utilizada em diversos países com segurança e eficácia muito grande, então não há nenhum motivo para que seja suspensa a vacinação. Evidentemente que a prioridade deve ser dada a grupos de maior risco de complicação, pessoas que fizeram as vacinas há muitos meses de idade avançada, grupos de imunodeprimidos. Essas pessoas devem ser priorizadas em relação a adolescentes que têm casos mais leves, mas a vacinação desse grupo etário é fundamental para que nós consigamos quebrar a cadeia de transmissão e, de uma vez por todas, ficarmos livres ou pelo menos o mais longe possível dessa situação muito ruim que nós vivemos nos últimos meses”, finaliza.