Santa Catarina pode estar diante de uma nova oportunidade econômica com a possível entrada na rota estratégica das terras raras no Brasil. Alguns municípios da região Sul são alvos de uma pesquisa para analisar se estão aptos a se tornar um polo de extração de terras raras a partir de áreas impactadas pela mineração de carvão.
De acordo com o pesquisador e líder do Núcleo de Energia e Síntese de Produtos do Centro Tecnológico Satc (CTSatc), Thiago Aquino, pesquisas conduzidas pelo Centro Tecnológico da SATC indicam que esses minerais estratégicos podem estar presentes tanto na drenagem ácida de minas quanto nas cinzas do carvão.
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Cerca de 20 pontos foram mapeados na região, em municípios como Siderópolis, Lauro Müller, Urussanga e Criciúma. O projeto recebeu cerca de R$ 1 milhão em investimentos para pesquisa e já avançou da fase de laboratório para testes em escala piloto. "Existe um processo. Primeiro, o estudo começa na bancada, passa para o projeto piloto e, depois, para a etapa da demonstração", relata.
Se a exploração se mostrar viável, Santa Catarina poderá se consolidar como um polo estratégico de terras raras no Brasil, contribuindo para a inovação tecnológica e abrindo novas oportunidades econômicas para a região.
O que são as terras raras
Terras raras são um grupo de 17 elementos químicos usados em tecnologias de alto valor agregado. Apesar do nome, não são exatamente raros, mas são difíceis e caros de extrair. O material pode abastecer indústrias de alta tecnologia e energia limpa, como motores de carros elétricos, turbinas eólicas e sistemas de energia renovável, eletrônicos de consumo, como smartphones e catalisadores industriais.
A rota estratégica de terras raras é um conceito usado para descrever os lugares e fluxos de produção, processamento e fornecimento desses minerais críticos que são essenciais para a tecnologia e energia moderna. Não é literalmente uma estrada, mas, sim, uma cadeia geopolítica e econômica que conecta onde o mineral é encontrado, como ele é processado e para onde ele vai.
Segundo o especialista, o Brasil é o segundo maior detentor de reservas de terras raras do mundo. O país está atrás apenas da China, que domina cerca de 80% do processamento mundial. "A nossa região tem resíduos de antigas minas de carvão, como drenagem ácida de mina e cinzas de carvão, que contêm terras raras em pequenas concentrações. Isso representa uma fonte não convencional para extração de minerais estratégicos, transformando um passivo ambiental em oportunidade econômica", explica.
Países como os EUA já estão buscando alternativas fora da China, por isso, há interesse em projetos em outros países, incluindo o Brasil. Conforme Aquino, esses são minerais críticos e escassos. "Depois de processadas, as terras raras entram em produtos de alto valor agregado, isso gera demanda estratégica, porque esses produtos são essenciais para a economia digital, energia limpa e segurança tecnológica. Além de reduzir a dependência das importações da China", afirma.
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