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Para Itamar, o Criciúma foi muito infantil

"Infantilidade", a palavra mais utilizada pelo treinador para definir o empate em casa com o Ypiranga
Denis Luciano
Por Denis Luciano Criciúma, SC, 19/11/2020 - 22:44Atualizado em 19/11/2020 - 22:47
Fotos: Celso da Luz / Criciúma EC
Fotos: Celso da Luz / Criciúma EC

Por um lado, alívio pois os gols voltaram. Depois de 477 minutos, Jean Lucas quebrou o jejum, repetiu a dose, Jean Dias anotou o terceiro e Eduardo Melo fechou. Mas lá atrás, o Criciúma tomou quatro, e ficou em um frustrante 4 a 4 contra o Ypiranga na noite desta quinta-feira, 19, em jogo que abriu a antepenúltima rodada da primeira fase da Série C do Brasileiro no Heriberto Hülse.

"Nós tivemos uma evolução muito grande naquilo que nós estávamos deixando sempre a desejar, que era as oportunidades e não fazendo os gols", analisou. "Fizemos quatro gols, criamos outras oportunidades de fazer gols, teve uma evolução nesse quesito muito boa, a ponto de fazer quatro gols e criar situações. Isso foi muito bom", destacou.

Itamar bateu na tecla dos treinamentos que são feitos, e da orientação que os jogadores têm para não cometer os erros que estão cometendo. "Em contrapartida, erros individuais de marcação, bolas cruzadas deixando o atacante antecipar, coisas que se treina, que se fala, como na bola parada que deixamos bater rápido. Pecamos demais, erramos demais no sistema defensivo, onde tomamos os gols, e teve uma evolução ofensiva, não só pelos quatro gols mas também pelas quatro oportunidades que criamos", avaliou. "O que melhorou não foi suficiente para conquistar a vitória. Os gols que tomamos foram muito infantis", emendou.

Ele disse que, se estivesse dentro de campo, o Criciúma não tomaria o gol de empate no fim da partida. "Se eu tô dentro do campo, não bate aquela bola. Se você tiver jogando, qualquer outro atleta, isso não quer dizer por idade, tem que ser experiente. Experiência é concentração em jogo. Se eu tô dentro do campo eu fico na frente da bola, eu espero, eu não deixo um atacante me antecipar para cabecear, isso era o Itamar jogando", frisou.

O treinador voltou a reforçar que a orientação é dada aos atletas. "Eu gostaria muito que o torcedor e a imprensa pudessem ver o treino. Tudo isso se fala, se orienta, só que tem que executar. Uma coisa é você orientar, você falar, perguntar para o atleta, ele vai dizer que eu falo, que sabe, que treina. Agora, tem que executar. Melhoramos muito no setor ofensivo mas fomos muito mal nessas bolas de cruzamento, nos gols que tomamos de longe, nas faltas rápidas, na infantilidade, e não são mais jogadores oriundos de base, são jogadores experientes", destacou.

O técnico comentou o cansaço de alguns atletas e as razões das substituições. "Aqueles que cansaram, nós optamos em tirar. Tivemos no intervalo o Alex, já estava com cartão, e estava sentindo a perna, já na pancada que teve. E já tínhamos também o Eduardo e o Jean Lucas com cartão. Tiramos o Alex para colocar um jogador sem cartão. Aqueles que foram cansando, como o Jean Lucas, que correu muito, se desgastou, fez um grande jogo, normal que o cansaço viesse. Eduardo também, ele teve que organizar, jogou com muita intensidade, também trocamos no momento que precisou. E mexemos também nos jogadores que tinham cartão, com dificuldades na recomposição, em qualquer falta podia tomar um cartão e ser vermelho. Colocamos jogadores de frente descansados", comentou. "Procuramos trocar os mais desgastados e colocando jogadores ofensivos e indo em busca de gols", emendou.

Ainda sobre as substituições, Itamar aprofundou a análise sobre a saída de Jean Dias, um dos destaques do Criciúma. "O Jean Dias fazia um bom jogo e começou a cansar na descida do lateral. Já havia feito uma falta, já haviam me comunicado no banco, de ter cuidado em relação ao atleta, como já tinham me comunicado sobre o Marino, que eu orientei. Trocamos um jogador com amarelo, que vinha bem, e colocamos o Nickson. Entrou aos 20 e poucos e minutos com fôlego, descansado, com qualidade. Teve sua oportunidade", apontou.

Quando questionado sobre sua responsabilidade no novo revés em casa, Itamar Schulle voltou a detalhar o seu trabalho no cotidiano. "Bola parada eu treino e peço bastante para os laterais, oriento a não deixar o atacante do lado oposto antecipar", contou. "Quando sofre uma falta, oriento a não deixar bater rápido", salientou. 

E Itamar foi além. "Terminar a jogada na origem para não tomar a falta em cima da risca. Encurtar a marcação, fazer marcação pressão, e quando baixar não dar espaço para os jogadores entrarem em nosso campo com liberdade para pensar. Tudo isso se fala, tudo isso se treina. A culpa mais uma vez é minha, a gente melhorou, o mérito de fazer os gols é dos atletas, o mérito de melhorar a parte ofensiva é dos atletas, executaram, e as deficiências o culpado é o treinador. No caso sou eu, vamos lá de novo", avaliou. "É muita infantilidade para tomar gol", emendou. "Eu fico muito triste. Sou treinador e tenho muito cuidado naquilo que eu falo e naquilo que eu treino e oriento o meu grupo", salientou.

Para o treinador, faltou experiência a atletas que são experientes. "Tem que ter uma via de mão dupla. Eu não tenho como fazer mais daquilo que eu tenho feito no dia a dia, durante a semana, e naquilo que eu tenho orientado os atletas e falado pra eles. A gente melhorou a ponto de fazer quatro gols, nós melhoramos. Agora, a infantilidade que tomamos o gol é algo absurdo para atletas que já têm uma experiência. Eu não coloquei nenhum menino de base no sistema defensivo, todos jogadores rodados que não podem", comentou.

Itamar garantiu empenho para tirar o Criciúma da difícil situação de lutar contra o rebaixamento na reta final da primeira fase da Série C. "Se eu não tivesse treinado e orientado, eles tinham mais um argumento, mas tudo foi trabalhado. O futebol é assim, quando os resultados não acontecem, esbarra na gente. É com consciência e resiliência que eu vou continuar dizendo que vou continuar fazendo o meu melhor, eu sei que a minha entrega é muito grande para honrar a camisa do Criciúma", finalizou.

Com o empate desta quinta, o Criciúma ocupa o sétimo lugar do Grupo B da Série C com 18 pontos, e volta a campo no dia 28, em Porto Alegre, contra o São José.